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Tapioca da Edileuza: onde comer tapioca na orla de Jatiúca

·7 min de leitura·por Helio Pere
Tapioca da Edileuza: onde comer tapioca na orla de Jatiúca

Cardápio na mão e eu travado. Uma lista impressa com trinta e tantos sabores, bandeirinhas coloridas balançando por cima da mesa, cadeira de plástico na areia e a barraca trabalhando a todo vapor. Maio de 2015, noite, orla de Jatiúca, em Maceió.

Quem levou a gente ali foi a Vívia, uma amiga que até aquela semana a gente conhecia só pela internet. Ela mora em Maceió, sabia exatamente onde comer e resolveu a questão sem perguntar nada: à noite, tapioca na orla. Eu, que sou cearense e já tinha comido tapioca a vida inteira, achei que sabia o que ia acontecer. Não sabia.

Tem tapioca e tem tapioca

A palavra é a mesma no Brasil inteiro, mas o que chega no prato muda tanto de um lugar pro outro que quase merecia outro nome. Nessa noite eu entendi, com o cardápio na mão e uma dificuldade de escolha que beirou o constrangimento, por que quem prova a versão de lá volta pra casa reclamando da que come no dia a dia. Tem também os preços de 2015 anotados na foto, que valem por eles mesmos.

A amiga que a gente só conhecia pela internet

Essa viagem tinha um motivo triplo: comemorar três anos de casados, conhecer Maceió e finalmente conhecer pessoalmente a Vívia. Passagem barata pra Maceió na época e uma amiga morando lá, a conta fechou sozinha. A gente ficou uma semana, de 18 a 25 de maio, com carro alugado e roteiro solto.

Encontro assim sempre tem um segundo de tensão, aquele momento em que a pessoa da tela vira gente de carne e osso na sua frente. Durou pouco. No mesmo dia já estávamos combinando programa, e o programa dela foi esse: sair à noite pra comer tapioca na beira da praia. Fomos em cinco, e olha só, foi a única vez que a gente foi. Uma noite só, e dez anos depois eu ainda lembro.

A tapioca do Nordeste é outro produto

Aqui no Paraná, onde eu moro há bastante tempo, tapioca costuma ser feita com polvilho seco de pacote. Sai firme demais, às vezes borrachuda, e na maioria das lanchonetes vem com manteiga e ponto final. É um lanche que resolve, ninguém morre de tristeza comendo, mas também ninguém escreve post sobre.

Em Alagoas a massa é de goma fresca, hidratada, artesanal. A textura é macia, quase esfarelando na mordida, e a tapioca fecha em volta do recheio sem endurecer. Minha digníssima notou a diferença na primeira mordida, antes de mim. Era outro produto na frente da gente usando o mesmo nome.

O cardápio que trava o cliente

A lista que me entregaram era da Tapioca da Edileuza, e tinha coisa que eu nunca tinha visto oferecida em tapioca na vida. Salgadas com coco e queijo em quase todas as combinações possíveis, opções com frango, com palmito, com azeitona, com bacalhau, com siri, com camarão, com atum. Doces com coco e leite condensado, com chocolate e morango, com banana. Quatro queijos. Amendoim. Castanha. Uma delas se chamava simplesmente Marechal Deodoro, batizada com o nome da cidade histórica alagoana, e era a mais cara da lista.

Cardápio com preços de 2015

Os preços de 2015 estão na foto que eu tirei do cardápio, e dão uma ideia do que era comer ali naquele ano: a tradicional saía por R$ 5,00, a de coco com queijo por R$ 6,00, e as mais reforçadas passavam de R$ 15,00, com a tal da Marechal Deodoro no topo, a R$ 17,00. Isso hoje não vale mais nada como referência de preço, porque foi há dez anos, mas serve pra mostrar o tamanho da conta pra cinco pessoas jantarem numa noite de praia.

📍 Avenida Álvaro Otacílio

Abrir no Google MapsComo chegar

Porque é isso que acontece: com aquele tanto de recheio, a tapioca deixa de ser lanche e vira janta. A minha foi a de carne de sol com queijo coalho, coisa que não se acha aqui no Sul, e estava boa demais. A gente saiu de lá sem precisar comer mais nada.

Bandeirinhas em maio e mesa de plástico na areia

O detalhe que eu só fui reparar anos depois, olhando a foto: tinha bandeirinha de festa junina pendurada por cima das mesas, em maio. Alagoas já estava entrando nesse clima semanas de antecedência, e ninguém ali achava aquilo estranho. Eu, vindo do Sul, achei.

O resto era simples do jeito que funciona: toalha de plástico florida, cadeira de plástico branca, chão de areia, barraca de lona montada na beira do calçadão e outra barraca de tapioca colada na primeira, com um letreiro grande anunciando tapioca recheada. Aquele trecho tem várias, uma do lado da outra, todas disputando o mesmo cliente que vem andando pela orla. Nenhuma delas parecia estar perdendo.

Onde fica a barraca

A Tapioca da Edileuza fica na orla da praia de Jatiúca, na Avenida Álvaro Otacílio, na altura do prédio Passeio Stella Maris. A referência que o pessoal de Maceió dá é essa: barraca vermelha, em frente ao Stella Maris. Ela continua funcionando, hoje das três da tarde até meia-noite, e nas avaliações recentes ainda aparecem dona Edileuza e a filha dela, Rose, atendendo. Como eu estive lá em 2015, prefiro te dar a localização e deixar o resto por sua conta: confere o funcionamento antes de ir.

A orla à noite

Depois da tapioca a gente andou um pouco pelo calçadão. Movimento tranquilo, gente caminhando, casal com criança, uns triciclos de aluguel parados perto de um quiosque, poste aceso e o mar preto do outro lado da faixa de areia. Foi só isso. Às vezes é só isso mesmo.

Se você for comer tapioca na orla de Maceió, olha isso aqui
  • Vá com fome de janta, não de lanche. Uma tapioca recheada dessas substitui refeição.
  • Divida em dois sabores se estiver em dupla. Muitas barracas fazem meio a meio.
  • Leia o cardápio inteiro antes de pedir. A lista é longa e o melhor costuma estar no meio dela.
  • Peça uma doce depois da salgada, dividida entre a mesa. Coco com leite condensado é o clássico.
  • Confirme se a barraca aceita cartão. Barraca de orla nem sempre aceita, e caixa eletrônico ali é raro.
  • Combine o horário: a maioria abre no fim da tarde e trabalha até a madrugada, não no almoço.
  • Estacione algumas ruas antes da orla. Perto das barracas é disputa e costuma sair mais caro.

A gente voltou pra pousada cheio, com aquela preguiça boa de quem comeu bem e andou pouco. No dia seguinte tinha praia marcada e a viagem seguiu, com Porto de Galinhas, estrada e o resto do roteiro. Mas quando alguém me pergunta o que comer em Maceió à noite, eu não penso em restaurante.

O que dá pra fazer à noite na orla de Maceió
  • Caminhe o calçadão de Jatiúca até Ponta Verde. É plano, iluminado, tem ciclovia e movimento até tarde.
  • O letreiro de Maceió, na orla da Ponta Verde, é o ponto de foto noturna mais concorrido. Vá cedo se quiser sem fila.
  • O Pavilhão do Artesanato, na Ponta Verde, funciona todos os dias das 10h às 22h. Dá pra emendar com o jantar.
  • A Feira de Artesanato Livre, na Pajuçara, também vai até as 22h. Pechinche e confira etiqueta antes de pagar de artesanato local.
  • O Mercado do Artesanato da Levada não serve pra programa noturno: fecha às 17h nos dias de semana.
  • Os bares de praia da Ponta Verde ficam abertos até meia-noite ou mais. Antes de sentar, pergunte se tem couvert de música ao vivo.
  • Quinta a sábado é quando as casas com música ao vivo da Jatiúca funcionam até de madrugada. Domingo a quarta o movimento cai.
  • Fique no trecho iluminado do calçadão. A faixa de areia escura, longe dos quiosques, não compensa o atalho.
  • Horário de barraca e feira muda em alta temporada e feriado. Confirme no dia antes de sair do hotel.

A tapioca da barraca da orla resolve, custa pouco e ainda te coloca sentado na areia conversando com gente que você acabou de conhecer.

E aí, qual seria o seu pedido nesse cardápio: você iria de salgada reforçada ou pularia direto pra uma doce de coco com leite condensado?


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