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Maceió a Porto de Galinhas: preços dos passeios e o que vimos

·7 min de leitura·por Helio Pere
Maceió a Porto de Galinhas: preços dos passeios e o que vimos

Onze anos depois, eu estava aqui revendo os vídeos daquela viagem pra escrever este post. Num deles, dentro do carro, eu apronto uma piada dizendo que a gente ia conhecer o Porto dos Frangos. O áudio pega a risada de todo mundo junto.

Era maio de 2015, carro alugado, três horas de estrada pela frente e uma amiga no banco do lado que até aquela manhã eu só conhecia por texto.

Uma amizade que atravessou a internet inteira

A gente parou numa praia de estátua no meio do mar, atravessou a divisa de dois estados e chegou numa vila que tem um dos nomes mais mal explicados do turismo brasileiro. E teve uma coisa naquele dia que só aconteceu uma vez na vida, até hoje.

A amiga que a gente conheceu digitando

A Vívia mora na região de Maceió e a gente se conheceu na época do MSN Messenger. Isso quer dizer alguma coisa pra quem viveu aquilo: janelinha piscando na barra de tarefas, aquele som de campainha, conversa que durava madrugada inteira com gente que você nunca tinha visto na vida. Minha digníssima eu conheci na mesma época e pelo mesmo caminho.

Aquele dia em 2015 foi a primeira vez que eu e a Vívia nos vimos pessoalmente. E foi também a única, até hoje. Passamos anos digitando um pro outro e nos encontramos uma vez só, num carro alugado, indo pra Pernambuco.

Parada na Praia da Sereia

Saindo de Maceió pela AL-101 sentido Recife, a uns 16 quilômetros do centro, tem o bairro de Riacho Doce. A gente parou ali porque tinha uma coisa esquisita e bonita no meio da água: uma sereia de concreto plantada em cima do arrecife, de costas pro continente, apanhando onda o dia inteiro.

A Prefeitura de Maceió informa que a escultura tem quase quatro metros de altura e foi inaugurada em 22 de março de 1964, e que foi ela que deu nome ao lugar. O autor foi o artista pernambucano José Corbiniano Lins. Em 2014 o mar arrancou a cauda, e a peça passou por restauração anos depois.

Aqui cabe um aviso de honestidade. As fontes não combinam entre si. A prefeitura fala em 1964, um portal de praias diz 1963 e um guia local diz 1962. Sobre quem encomendou também há duas versões: uma atribui ao governador Luís Cavalcante, o que rendeu à peça o apelido de Sereia do Major, e outra a um colecionador de arte pernambucano. Prefiro deixar a divergência registrada a escolher a versão que soa melhor.

A praia em si vale a parada mesmo sem a estátua. A barreira de corais segura o mar e forma piscinas rasas na maré baixa. Tem árvore nascendo em cima da pedra, com raiz agarrada no arrecife e o tronco torto pro lado do vento. Obras do Criador que a gente fica olhando sem saber direito como aquilo se sustenta ali.

O Porto dos Frangos

A piada boba que eu forcei na estrada acabou puxando a parte mais séria do dia, porque o nome da vila esconde uma história bem pior do que qualquer trocadilho meu.

As galinhas de madeira que viraram símbolo da vila, cada uma com uma pintura diferente

A versão mais contada é essa: o lugar se chamava Porto Rico, por causa do pau-brasil e do açúcar. Depois de 1845, com a Lei Bill Aberdeen dando à Marinha britânica poder pra apreender navios negreiros em alto-mar, o tráfico passou a acontecer de forma clandestina em portos menores. Os traficantes escondiam as pessoas escravizadas sob engradados de galinhas d'angola, e a senha pra avisar a chegada do carregamento era "tem galinha nova no porto". De tanto circular, a senha virou o nome do lugar.

Só que essa versão tem contestação, e ela vem de dentro da própria região. Uma pousada local reproduz um trecho do livro do professor Antônio Geraldo de Souza Leão afirmando que a história da senha é folclore, porque o nome Porto de Galinhas já aparecia em cartografia do período holandês, muito antes do tráfico clandestino do século 19. Por essa linha, "galinhas" seria uma referência a um grupo de africanos assim chamado, trazido e desembarcado naquela praia.

Eu não tenho como cravar qual das duas está certa, e não consegui confirmar a data exata do mapa citado. As duas versões, aliás, apontam pro mesmo lugar sombrio: o nome da praia mais premiada do Brasil nasceu do tráfico de gente. As galinhas de madeira espalhadas pela vila hoje são uma ressignificação disso, feitas em troncos de coqueiro por um artista piauiense que chegou ali no fim dos anos 1990.

A gente não fez passeio nenhum

Confesso sem drama: em Porto de Galinhas a gente não fez o passeio de jangada pras piscinas naturais, não pegou buggy, não contratou nada. Ficamos na praia e andando pela vila.

Bate e volta de três horas de estrada faz isso. Você chega, o dia já andou, e ou você aproveita o que tem na frente ou passa a tarde na fila de um receptivo. A gente escolheu a praia. Olhando de hoje, foi a decisão certa pra aquele dia e a errada pra viagem inteira, porque nunca mais voltamos.

Passeios em Porto de Galinhas e quanto custam hoje
  • Jangada às piscinas naturais: de R$ 50 a R$ 80 por pessoa, cerca de 1 hora, só na maré baixa. Os bilhetes são vendidos no guichê da Associação de Jangadeiros, na rua principal da vila.
  • Na maré bem baixa, parte das piscinas fica acessível a pé ou nadando direto da praia, sem pagar jangada. Vale conferir a tábua antes de contratar qualquer coisa.
  • Jangada pelo Pontal de Maracaípe, com manguezal e área de cavalos-marinhos: de R$ 40 a R$ 60 por pessoa. É onde fica o pôr do sol mais concorrido da região.
  • Buggy ponta a ponta, passando por Muro Alto, Cupe e Maracaípe: as fontes divergem bastante, de cerca de R$ 280 a R$ 450 por buggy, para até 4 pessoas, em torno de 4 horas. Feche o preço antes de subir.
  • Aluguel de kit de snorkel com máscara e nadadeiras: a partir de R$ 35 por pessoa.
  • Trilha de bicicleta: em torno de R$ 150 com a bike inclusa, ou R$ 70 se você levar a sua com capacete e equipamento.
  • Bate e volta à Praia dos Carneiros com catamarã: em torno de R$ 220 por pessoa, dia inteiro.
  • Bate e volta às piscinas naturais de Maragogi: cerca de R$ 200 por pessoa de catamarã e R$ 250 de lancha.
  • Do Aeroporto do Recife até a vila: van ou executivo compartilhado de R$ 15 a R$ 35 por pessoa, ou transfer privativo de R$ 120 a R$ 180 pelo carro inteiro.
  • Melhor janela de tempo firme e mar mais limpo: de setembro a março. Dezembro e janeiro lotam e os preços sobem.
  • Todos esses valores são referência de mercado de 2026 e mudam com a temporada, o tamanho do grupo e a antecedência. Confirme no dia.
Se você for fazer esse trajeto, olha isso aqui
  • A Praia da Sereia fica em Riacho Doce, na AL-101 sentido Recife. Dá pra encaixar como parada rápida na ida.
  • A estátua só aparece bem na maré baixa. Consulte a tábua antes de contar com a foto.
  • Se a ideia é fazer passeio de jangada em Porto de Galinhas, não vá de bate e volta. Reserve pelo menos uma diária.
  • Carro alugado compensa se você for encaixar paradas na estrada. Só pra ir e voltar direto, faça a conta com o transfer antes.
  • Confira o pedágio e o combustível no orçamento. São dois estados no mesmo dia.
  • Na vila, as galinhas esculpidas em tronco de coqueiro rendem foto e têm história por trás. Vale perguntar sobre elas no lugar.

Onze anos depois, o que eu guardo daquele dia não é a praia. É o carro cheio, a estrada com coqueiral dos dois lados e a sensação estranha de estar rindo dentro de um automóvel com uma pessoa que, até aquela manhã, existia pra mim só como texto numa tela.

As fotos de Porto de Galinha

A Vívia continua em Alagoas. A gente continua se falando. Ainda não teve o segundo encontro.

E você, já viajou pra encontrar pessoalmente alguém que só conhecia pela internet? Deu no que esperava?


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