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Passeio em Paripueira: preço, maré e o que esperar da água

·6 min de leitura·por Helio Pere
Sensação maravilhosa de nadar ao lado desses bichinhos

Eu estava com água na altura do peito e os peixes chegaram sozinhos. Sem pão na mão, sem ração, sem nada pra oferecer. Eles vieram, passaram entre os dedos e ficaram girando ali em volta como se eu fizesse parte do recife.

Era maio de 2015, a primeira viagem nossa ao Nordeste, e também a primeira vez que eu botei a cara dentro do mar pra ver o que tinha embaixo. Aconteceu em Paripueira, no litoral norte de Alagoas, a uns 30 quilômetros de Maceió, num barco chamado Estrela Dalva.

A primeira vez que eu vi o mar por dentro

A gente tinha uma GoPro na mão e mesmo assim eu contratei um fotógrafo pra fazer o serviço direito. O que ele me entregou no fim do passeio hoje seria motivo de piada, e o preço então nem se fala. Tem também a parte do dia que agência nenhuma coloca no folheto: a volta.

Os peixes vieram sem convite

Eu achava que ia ter que fazer alguma coisa pra atrair bicho. Jogar migalha, bater na água, sei lá o quê. Não precisou. Você desce da embarcação, encontra um lugar firme pra pisar, e em pouco tempo já tem uma nuvem de peixinho listrado circulando na altura do joelho.

Cercado de peixes listrados nas piscinas naturais de Paripueira

A água era rasa e morna, dessas que não dão susto nenhum na hora de entrar. Quem mora no oeste do Paraná, onde a água mais próxima é rio e vem gelada o ano inteiro, leva um tempo pra aceitar que mar pode ser morno assim. Fiquei em pé ali dentro por um bom tempo, só olhando pra baixo.

📍 Praia de Paripoeira

Abrir no Google MapsComo chegar

Foi o meu primeiro mergulho da vida. Sem cilindro, sem instrutor, sem curso. Máscara na cara e cabeça pra baixo.

O Estrela Dalva

O barco era simples e eu gostei disso. Casco azul, cobertura de zinco apoiada em colunas de metal, bancos corridos de madeira dos dois lados e uns pneus pendurados na lateral fazendo as vezes de para-choque. Coletes laranja presos na amurada. O nome vinha pintado à mão no costado, em letra torta: Estrela Dalva.

O Estrela do Lar ancorado nas piscinas naturais de Paripueira

Nada de catamarã grande com bar a bordo. Era um barco de trabalho, do tipo que sai lotado e volta lotado, com o pessoal da tripulação andando de um lado pro outro descalço. A travessia é curta.

Paripueira quer dizer águas calmas

O nome vem do tupi e descreve com exatidão o que você encontra ali: mar raso, sem correnteza forte, com uma faixa enorme de recife que aparece quando a maré baixa. Operadores locais contam cerca de 25 piscinas naturais formadas a menos de um quilômetro da costa, com a água entre 33 e 35 graus.

A região está dentro da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, a maior unidade de conservação marinha do Brasil, que se estende por cerca de 120 quilômetros entre Alagoas e Pernambuco. Paripueira abriga também um parque municipal marinho ligado à preservação do peixe-boi. Aquele passeio de duas horas acontece dentro de uma área protegida, e isso muda o jeito de se comportar lá dentro.

A prefeitura da cidade informa que o trajeto leva cerca de 12 minutos de catamarã ou 8 minutos de lancha, e que as embarcações são conduzidas por tripulantes habilitados pela Marinha do Brasil.

A GoPro, o fotógrafo e um CD

A gente levou câmera própria, uma GoPro, e fez bastante foto dentro da água. Mesmo assim contratei um fotógrafo que trabalhava no passeio. É aquela lógica de quem sabe que vai voltar pra casa com um monte de foto do mar e nenhuma do casal.

Ele fotografou, sumiu por alguns minutos e voltou com o material gravado. Pelo que eu lembro, saiu por R$ 50 o pacote inteiro. Todas as fotos, sem escolher, sem pagar por unidade, entregue na hora.

E a entrega foi num CD. Rapaz, um CD. Em 2015 aquilo já estava indo embora, mas ainda era o jeito mais prático de passar arquivo pra alguém que você acabou de conhecer no meio do mar. Se você for hoje, combine o preço antes de entrar na água e pergunte como recebe as imagens.

A volta

Minha digníssima passou mal no retorno. Enjoou de verdade, daquele jeito em que a pessoa não quer conversa nem quer olhar pro horizonte. O mar estava calmo. Não adiantou.

Quanto custa hoje

O valor do passeio de 2015 eu não guardei, e não vou inventar número. Do que eu tenho certeza é do CD: R$ 50 por todas as fotos.

Pra hoje dá pra ter referência. Uma operadora que vende o passeio saindo de Maceió lista R$ 75 por pessoa no catamarã até as piscinas naturais, com meia para crianças de 6 a 11 anos e gratuidade até 5 anos. A saída acontece só em dias de maré baixa, o que significa que a tábua de marés manda mais no seu roteiro do que a sua agenda.

Fotógrafo no local continua existindo, e o serviço segue sendo oferecido dentro do passeio. Preço eu não encontrei divulgado em fonte nenhuma, e é combinado na hora.

Se você for fazer esse passeio, olha isso aqui
  • Consulte a tábua de marés antes de reservar. Sem maré baixa, não tem piscina natural.
  • Combine o preço do fotógrafo antes de entrar na água, e pergunte como recebe as fotos.
  • Se alguém do grupo enjoa fácil, resolva isso antes de embarcar. Mar calmo não garante nada.
  • Leve máscara e snorkel se tiver. O aluguel no local sai por fora do valor do passeio.
  • Você vai pisar em recife vivo dentro de área de proteção ambiental. Escolha bem onde põe o pé e não leve nada de lembrança.
  • Não alimente os peixes. Eles chegam perto de qualquer jeito.
  • O embarque costuma ser com o pé na água. Leve calçado que possa molhar.

Ainda tenho na cabeça a sensação de olhar pra baixo e ver aquele tanto de bicho passando tranquilo, sem se importar comigo. Fica esquisito de explicar pra quem nunca fez. Você paga um valor pequeno, sobe num barco com pneu de para-choque e nome pintado à mão, anda alguns minutos, desce e o mundo lá embaixo já estava funcionando há muito tempo sem a sua presença.

Daquela viagem eu guardo também uma tarde de forró próximo à praia, em Paripueira. Não juro que foi no mesmo dia do passeio. As fotos estão em outra pasta e a memória de onze anos atrás não coopera muito.

E você, quando faz passeio com fotógrafo incluso, prefere pagar pelo serviço ou confia na sua própria câmera?

Dá pra ver como foi, nos vídeos que eu gravei na época: mergulho no recife de corais e passeio de barco em Paripueira. Ver outros relatos sobre Maceió.


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