Saí da feira de Coroa Vermelha de mãos vazias e consciência tranquila. Entrei numa loja, gostei de uma camisa, olhei o preço e devolvi pro cabide com todo o respeito do mundo. Tem dessas. A região estava movimentada, cheia de barraca, cheia de cor, mas naquele dia o que ia ficar guardado na memória não estava à venda em canto nenhum: era um caminho que o próprio mar abria ali na nossa frente.
A gente chegou em Coroa Vermelha quase de passagem, no meio da correria de fim de ano por Porto Seguro. Não era o ponto principal do dia, mas acabou rendendo mais conversa do que eu imaginava quando estacionei o carro.
Coroa Vermelha entrou no roteiro meio de surpresa, no auge do fim de ano em Santa Cruz Cabrália, e me pegou desprevenido com um caminho que se forma dentro da água. Teve feira que só rolou no olhar, teve preço que me fez recuar e teve drone subindo pra registrar uma cena que vale a viagem. Conto tudo aqui embaixo, do trânsito na chegada até a parte que fechou o passeio.
Chegando no auge do fim de ano
Quem visita Coroa Vermelha entre o Natal e o Ano Novo já vai sabendo: trânsito. A região fica em Santa Cruz Cabrália, do lado de Porto Seguro, e nessa época do ano enche de gente de todo canto do Brasil. Mais movimentado que terminal rodoviário em dezembro. Sol batendo forte, cheiro de maresia misturado com a fritura das barracas, carro pra todo lado e música saindo de todo canto. Aquele formigueiro bonito de ver e cansativo de dirigir no meio.
Mesmo assim, vale o aperto. Coroa Vermelha carrega história do começo do Brasil, ligada aos primeiros tempos do descobrimento. A gente sente isso no ar, sem precisar de placa explicando. É pisar ali e lembrar que aquele pedaço de praia já viu coisa demais passar.
A feira da entrada e a camisa que ficou na loja
Logo na chegada tem uma feira enorme, com uma variedade que dá gosto de andar. Artesanato, lembrancinha, peça de tecido, roupa, um mundo de barraca uma do lado da outra. A gente foi olhando devagar, sem pressa de comprar nada, e quase tudo chamava atenção de um jeito ou de outro.
Aí entrei numa loja e vi uma camisa que me agradou. Perguntei o preço. Rapaz, achei um pouco salgado pro que era. Caro que nem coxinha em aeroporto. Olhei mais uma vez, pensei e deixei a camisa onde ela estava. Não fiz feio, não. Numa região turística no fim de ano, preço é assim mesmo, e o bolso da viagem agradece quem sabe a hora de só olhar.
O caminho de Moisés visto de cima
Agora vem a parte que justifica o dia. Em Coroa Vermelha existe o tal Caminho de Moisés, uma faixa de areia que se forma dentro do mar quando a maré colabora. A água recua, abre um caminho firme e dá pra andar com o mar dos dois lados. É uma das obras do Criador que a gente vê e fica um tempo sem saber o que falar.
Subi o drone pra registrar de cima, e foi aí que a cena se revelou de verdade. Lá do alto, o caminho aparece desenhado na água, com a fila de gente andando por cima daquela faixa estreita. No chão é bonito. De cima é outra história. As imagens ficaram espetaculares, e olha que nessa viagem eu já vinha penando com um dos drones dando defeito. Ah, e ainda bem que eu tinha um segundo na mochila, senão essa imagem não existiria hoje. Foi nesse dia que descobri que meu drone principal tava com defeito (e ainda está), mas isso é pauta pra outro post.
Minha digníssima, que nem é muito de ficar registrando as coisas, parou pra apreciar. Achou tudo muito bonito, comentou da região movimentada e disse que o Caminho de Moisés foi a parte mais interessante do passeio. Quando ela fala isso, eu já sei que o lugar valeu.
Setenta e cinco reais pra entrar na aldeia? Passo
Tem uma aldeia indígena ali no local que cobra setenta e cinco reais por pessoa pra entrar. Parei, fiz a conta pra três, olhei o que estava sendo oferecido e, sinceramente, não fechou pra mim. Achei caro demais pro que prometia. Pra outro viajante pode fazer sentido, e eu respeito a cultura e o trabalho de quem vive disso, mas naquele dia, com aquele valor, a gente preferiu seguir.
Fim de tarde em Coroa Vermelha
No fim, a memória de Coroa Vermelha ficou sendo essa mistura: o trânsito na chegada, a camisa que não veio, o preço da aldeia que me fez recuar e aquele caminho aparecendo no meio do mar. Guardei o drone, voltei pro carro no meio do movimento e segui viagem. Não é todo dia que a gente vê o mar abrir passagem bem na nossa frente.
Se você for passar em Coroa Vermelha, anota isso
Se for no fim de ano, vá com paciência no trânsito e chegue cedo, porque depois vira aquele aperto e estacionar fica complicado. O Caminho de Moisés depende da maré, então confira o horário da maré baixa do dia antes de ir, senão você chega e o mar não abriu nada. Se tiver drone, leve, porque a vista de cima é o grande barato do lugar, mas respeite a quantidade de gente na faixa de areia. E na feira pode pechinchar sem vergonha, que preço de área turística no fim de ano sempre tem uma folga pra negociar, e o que não rolar de preço fica só no olhar mesmo, que também é de graça.
E você, na hora de um passeio pago numa viagem cheia, encara o valor de cara ou para, faz a conta no bolso e decide se vale, como eu fiz na aldeia?
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