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Teatro Amazonas em Manaus: história, ingressos e minha visita

Pense num contraste: eu ali, suado, no meio do Largo de São Sebastião, debaixo de um sol que nem o ar-condicionado do shopping dava conta, olhando pra um teatro cor-de-rosa com uma cúpula brilhando em verde, amarelo e azul como se tivesse sido lavada naquela manhã.

Aquilo não combinava com nada ao redor. Floresta de um lado, rio do outro, calor de rachar, e no meio disso tudo um prédio que parece ter sido arrancado de Lisboa ou de Paris e largado em Manaus.

Era agosto de 2024 e eu finalmente estava diante do Teatro Amazonas. E já adianto uma coisa: a visita custa menos que um lanche de fast food.

Resumo rápido dessa visita: conheci o Teatro Amazonas em agosto de 2024, paguei R$ 20 na visita guiada, voei de drone sobre o centro histórico de Manaus e ainda almocei por R$ 20 no Largo de São Sebastião. Tudo num dia só.

Por que esse teatro importa tanto

O Teatro Amazonas é o símbolo maior do ciclo da borracha, aquela época em que Manaus tinha tanto dinheiro que mandava buscar material de construção na Europa como quem pede entrega de mercado. Os barões da borracha queriam mostrar pro mundo que no meio da floresta também tinha ópera, champanhe e lustre de cristal.

Hoje ele é o cartão postal do Amazonas. Aparece em novela, em documentário, em filme. E continua funcionando como teatro de verdade, não como peça de museu parada no tempo. Teatro de ópera no meio da Amazônia não é coisa que se vê todo dia, né não?

A história que parece invenção

A ideia nasceu na década de 1880, quando a borracha transformou Manaus numa das cidades mais ricas do mundo. A obra se arrastou por anos e o prédio foi inaugurado em 31 de dezembro de 1896. A primeira ópera veio dias depois, em 7 de janeiro de 1897: Gioconda, de Amilcare Ponchielli.

Os números dão uma ideia do exagero. O mármore veio da Itália. As estruturas de ferro vieram da Inglaterra. A cúpula foi coberta com cerca de 36 mil peças de cerâmica importadas da Alsácia, na França, nas cores da bandeira do Brasil. As pinturas do interior são de Crispim do Amaral e Domenico de Angelis, e os lustres são de cristal de Murano. Tudo isso pra um salão com cerca de 700 lugares.

Quando a borracha despencou, o teatro entrou em decadência e passou décadas praticamente fechado. Foram as restaurações ao longo do século 20 que devolveram o brilho que a gente vê hoje. Eu, sinceramente, fiquei com uma dúvida que não resolvi até agora: se o mármore que pisei é o italiano original ou se já trocaram em alguma reforma. Ficou essa pulga atrás da orelha.

Como o teatro é usado hoje

O teatro é a casa da Amazonas Filarmônica e palco do Festival Amazonas de Ópera, que acontece todo ano. Tem concerto, balé, espetáculo de teatro e muita apresentação gratuita ao longo do calendário.

E quando não tem espetáculo, tem a visita guiada, que foi o que eu fiz.

Como visitar e quanto custa

A visita guiada funciona de terça a sábado, das 9h às 17h, e aos domingos e feriados das 9h às 13h. Minha dica é chegar cedo, antes do calor apertar de vez, e aproveitar pra conhecer o Mercado Municipal Adolpho Lisboa e o próprio Largo no mesmo dia. Tudo fica pertinho, dá pra fazer a pé.

O ingresso custa R$ 20 a inteira e R$ 10 a meia, que vale pra estudantes, professores, maiores de 60 anos, doadores de sangue, profissionais de saúde e militares. Amazonenses, pessoas com deficiência e crianças de até 10 anos não pagam nada.

Vou dar uma opinião que talvez alguém discorde: R$ 20 pra entrar num lugar desses quase parece erro de digitação. Tem estacionamento de shopping cobrando mais que isso.

Como foi a minha visita

Essa viagem pra Manaus tem uma história curiosa: ela saiu de graça, fruto de um processo que ganhei contra a Gol depois de um cancelamento de voo. Transformei a dor de cabeça em passagem e fui conhecer a Amazônia entre os dias 7 e 11 de agosto de 2024.

No dia 9, depois de uma manhã no Mercado Adolpho Lisboa, chegamos ao Largo de São Sebastião. Antes de entrar no teatro, soltei o Mangabinha, meu drone, dali da própria praça. Voo tranquilo, sem vento traiçoeiro e sem ninguém pra encrencar. Fizemos ótimas imagens do teatro visto de cima, com a cúpula colorida se destacando no meio do casario antigo, e tudo isso cercado por uma das maiores obras do Criador, que é a floresta amazônica.

Essas imagens viraram um vídeo no meu canal. Quem quiser ver o teatro do alto, do jeito que nem todo visitante consegue, é só dar o play aqui embaixo.

Na hora de entrar, minha digníssima preferiu ficar na praça mesmo, na sombra. Fiz a visita guiada sozinho. Rapaz, que lugar. O salão nobre, os lustres, as pinturas no teto, a vista da cúpula por dentro. A visita dura menos de uma hora, mas juro que lá dentro o tempo andou diferente.

Não consegui assistir a nenhum espetáculo, porque não tinha apresentação naqueles dias. Ficou pra próxima. Mas caminhar por aqueles corredores onde os barões da borracha desfilavam há mais de cem anos foi um privilégio que eu não esperava ter na vida.

Ah, e um detalhe que quase passou batido: as máscaras espalhadas pela decoração, cada uma homenageando um grande nome da música e das artes. O guia mostrava aquilo com um orgulho danado, e com razão.

Na saída, almoçamos ali no Largo por R$ 20 por pessoa: arroz, feijão, macarrão e pirarucu. Comida simples, preço honesto e, como eu costumo dizer, só o mii disbuiado. À noite voltamos pra praça, que estava mais movimentada que terminal rodoviário em dezembro, com música ao vivo de graça. Jantamos por R$ 25 e ainda provei o suco de taperebá, que é o cajá do norte.

A última imagem que guardei do dia não foi a do salão nobre. Foi a da praça à noite: o teatro iluminado ao fundo, a banda tocando de graça, o copo de taperebá gelado suando na minha mão e o calor de Manaus finalmente dando uma trégua. Se um dia eu voltar, é ali que eu quero estar de novo.

Se você for, olha isso aqui: o Teatro Amazonas fica na Avenida Eduardo Ribeiro, 659, Centro de Manaus, de frente pro Largo de São Sebastião. O telefone da bilheteria é o (92) 3622-1880. Vá cedo por causa do calor, leve água e reserve o resto do dia pro Mercado Adolpho Lisboa e pro Largo, que à noite costuma ter música ao vivo gratuita e restaurantes com preço camarada.

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