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Porto Seguro a Trancoso de barco: como o passeio funciona

·7 min de leitura·por Helio Pere
Chegada de barco à praia de Trancoso, Bahia, em dezembro de 2025.

O primeiro barco ainda estava parado quando começou a passar gente por dentro dele. Passageiro com bolsa, criança, mochila, todo mundo atravessando o mesmo corredor estreito pra chegar às outras duas embarcações. A gente tinha chegado cedo ao píer de Porto Seguro, mas o passeio só começaria depois que os três barcos estivessem cheios.

A saída aconteceu às 9h40 do dia 25 de dezembro de 2025. O céu estava aberto, o mar estava calmo e a praia de Trancoso apareceria depois de uma hora e quarenta minutos de travessia. Antes disso teve espera, música que precisou ser trocada e um karaokê no qual eu quase voltei com um brinde.

O barco é só o começo da história

Chegar cedo não adiantou muito, e essa foi só a primeira coisa que eu aprendi ali. Entre o balcão onde a gente fecha o passeio e a areia de Trancoso existem detalhes que ninguém conta na hora da venda. Alguns me custaram tempo, um me rendeu um vídeo, e outro quase me deu um prêmio que eu não levaria pra casa.

Fechamos o passeio no dia anterior

A negociação aconteceu no dia 24 de dezembro, no Porto das Escunas, no centro de Porto Seguro. A gente estava passeando pela cidade quando parou pra conversar com os vendedores. Havia ofertas de barco pra Trancoso e pra outros pontos da região. Eu não fechei no primeiro preço. Conversei, comparei e cheguei a R$ 200 pelas três pessoas.

Dei R$ 50 de sinal e o restante ficou pro dia do passeio. Minha sobrinha pagou a parte dela, então R$ 160 ficaram por minha conta e da minha esposa. Achei um valor bom considerando que era fim de dezembro, plena alta temporada, com Porto Seguro cheio e hospedagem difícil de encontrar.

Esse acerto no dia anterior evitou chegar ao píer pela manhã sem vaga e ainda permitiu negociar olhando pro vendedor. Guardei o contato e combinei o ponto de encontro. Hoje eu acrescentaria uma coisa: pediria também o nome da embarcação e deixaria tudo registrado na conversa. É um detalhe que eu não anotei.

Por que o embarque demora

No dia 25 fomos cedo ao píer. O nosso barco era o primeiro de uma sequência de três. Pra chegar ao segundo e ao terceiro, os passageiros precisavam passar pelo primeiro. Foi aquele movimento que aparece antes de viagem em grupo: gente procurando lugar, ajeitando bolsa, chamando parente e perguntando se ainda vai demorar.

Aí que tá: a embarcação não saiu assim que o nosso barco ficou pronto. Foi preciso completar o embarque dos três. Por isso a espera parece maior pra quem chega cedo. Era a operação montada daquele jeito.

Enquanto todo mundo entrava, colocaram música pra animar. O problema foi a escolha inicial. Tocava funk com letra de baixo calão num barco cheio de famílias e crianças. Fui falar com o organizador, sem confusão, e expliquei que aquilo não combinava com o público que estava ali. Ele ouviu e disse que colocaria música boa pra família.

Quando o barco finalmente saiu, a seleção mudou pra música baiana e axé dos anos 1990. Melhorou. Eu não lembro qual música estava tocando em cada trecho, mas lembro da diferença no ambiente. O passeio começou de verdade.

Uma hora e quarenta minutos no mar

A travessia de Porto Seguro até Trancoso levou aproximadamente uma hora e quarenta minutos. A bordo havia bebidas, todas cobradas à parte. A gente não consumiu nada. Quem pretende comprar precisa incluir esse gasto na conta, porque o valor do bilhete não resolve tudo dentro do barco.

O mar estava calmo naquele dia. Da embarcação dava pra acompanhar a costa e perceber a aproximação da praia. A foto principal deste post foi feita de dentro do barco, já perto da faixa de areia, com outra embarcação na água e o movimento dos banhistas à frente. Não é imagem do Mangabinha. A câmera estava comigo, na altura do barco.

Em algum momento começou o karaokê. Rapaz, aí encontraram um jeito de me chamar. Cantei duas músicas, o pessoal gostou e minha esposa gravou. Se eu cantasse uma terceira, ganharia um brinde, mas chegamos antes. Depois descobri que o prêmio seria uma garrafa de cachaça. Como eu não beberia, fiquei com o vídeo e com a dignidade de ter cantado duas sem o barco afundar.

Chegamos com fome em Trancoso

A primeira providência em Trancoso foi procurar almoço. Comer na praia estava fora do orçamento, então tentamos achar uma saída pro pequeno comércio do centro histórico. Como a gente não conhecia o caminho, isso levou mais tempo do que eu esperava. Com fome, qualquer subida fica uns dois quilômetros mais comprida.

Encontramos restaurantes, lojas e as casas coloridas que marcam aquela parte de Trancoso. Compramos três marmitex por R$ 25 cada. Eram menores do que as marmitas grandes que a gente vinha dividindo em Porto Seguro, mas resolveram. O quilo custava R$ 80. Mesmo comprando marmitex, deixaram a gente sentar nas mesas pra almoçar.

Depois do almoço vieram as gravações, as fotos e a caminhada. Subi o Mangabinha e fiz imagens da praia e do encontro do rio com o mar. A água do rio estava gelada. Eu queria entrar e não resisti. Foi um banho rápido, porque a temperatura não dava muita conversa.

Trancoso tem fama de lugar caro, e os preços perto da praia ajudam a construir essa fama. A experiência mudou quando a gente saiu da areia e procurou onde o pessoal almoçava. Não virou passeio barato por encanto. Virou porque negociamos o barco, não compramos bebida a bordo e fomos atrás de comida fora da área mais cara.

O retorno começa antes de entrar no barco

Depois de caminhar pela praia, voltamos pra região onde as embarcações esperavam. Ainda ficamos uns quarenta minutos por ali até começar o chamado pro retorno. O barco maior não encostou na areia. A equipe buscava os passageiros em botes e fazia o transporte até a embarcação.

Eu sei nadar e resolvi ir nadando até o barco, porque a água estava calma. Registro isso como parte do que aconteceu, não como recomendação. Quem faz o passeio deve seguir a orientação da equipe e usar o bote. Corrente, distância e condição do mar mudam, mesmo quando a água parece tranquila.

Na volta, a música ruim apareceu de novo. Eu fui pro bico do barco e fiquei olhando a paisagem. Depois minha sobrinha e minha esposa vieram também. O problema é que a ponta balança mais. Minha digníssima ficou um pouco enjoada, então voltamos a considerar o meio da embarcação como lugar mais confortável.

Chegamos a Porto Seguro perto das cinco da tarde. O passeio ocupou praticamente o dia inteiro. Ainda fomos à Passarela à noite, como fazíamos quase todos os dias, com música ao vivo, barraquinhas e meu suco de cajá, que em outras regiões chamam de taperebá.

Se você for fazer esse passeio, olha isso aqui
  • Negocie no Porto das Escunas no dia anterior e guarde o contato do vendedor
  • Confirme se o preço é por pessoa ou pelo grupo e quanto precisa deixar de sinal
  • Pergunte o nome do barco, o horário real de saída e o ponto exato do encontro
  • Bebidas a bordo são cobradas à parte
  • Em Trancoso, procure alimentação fora da praia antes de aceitar o primeiro preço
  • Se costuma enjoar, prefira o meio do barco e evite o bico na volta
  • No retorno, use os botes e siga a orientação da equipe

Valeu o que pagamos?

No fim das contas, sim. O embarque demorou e a música incomodou em dois momentos, mas eu falei quando precisava falar e aproveitei o restante. Teve a travessia, o karaokê, a praia, o centro histórico, o rio gelado e a volta vendo a costa. Por R$ 200 pras três pessoas em alta temporada, eu faria novamente.

A foto ficou com a parte calma do dia. Não mostra a fila passando pelo primeiro barco, nem a conversa com o organizador, nem a procura por almoço. Mostra água verde, céu aberto e gente chegando à praia. O resto ficou no relato.

Você escolheria o bico do barco pela paisagem ou ficaria no meio pra evitar o enjoo?

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