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Quanto custa Porto Seguro em dezembro: a conta real da minha viagem

 

Resumo da viagem

Reserva errada no Airbnb, hotel trocado quatro vezes, marmita dividida em três e passeio de barco negociado no píer. Essa é a conta real de uma semana em Porto Seguro no fim de dezembro, sem maquiagem.

“É, deixa pra lá. Em relação a isso, não tem o que fazer, né?” Foi assim que minha digníssima reagiu quando descobrimos que eu tinha reservado, sem perceber, um quarto compartilhado no Airbnb. R$ 108 indo embora antes mesmo de a gente pisar em Porto Seguro. Ela ficou triste, eu fiquei quieto, e a viagem nem tinha chegado na Bahia ainda. Isso foi em Pirapora, Norte de Minas.

E já vou te adiantando que esse dinheiro voltou. Corri atrás, resolvi e aprendi a conferir reserva duas vezes antes de pagar. Mas o susto abriu a pergunta que mais me fazem sobre viajar no fim de dezembro: quanto custa, de verdade, encarar Porto Seguro na alta temporada? Vou abrir a conta aqui, do jeito que aconteceu.

A reserva errada e a lição de R$ 108

O erro foi todo meu. Na pressa de garantir hospedagem, reservei um quarto compartilhado achando que era quarto inteiro. Quando vi, já era. A primeira reação foi aquele aperto no estômago de quem jogou dinheiro fora. Só que insisti, mexi na reserva, conversei com a plataforma e consegui reverter. O valor voltou pra conta.

Fica a lição que eu mesmo precisava ter seguido: na alta temporada a pressa é inimiga do bolso. Tudo lota rápido, e é justamente aí que a gente clica sem ler.

Hospedagem: um quebra-cabeça de quatro peças

Dezembro em Porto Seguro não perdoa. Hotel e pousada lotados, preço nas alturas, e a gente sem reserva fechada pra todos os dias. O que funcionou foi pesquisar períodos curtos, de um ou dois dias, em vez de uma semana inteira. Começamos com três diárias num hotel que já conhecemos de outras viagens, conseguimos renovar mais um dia, depois uma noite numa pousada simples e, na sequência, minha esposa conseguiu mais uma diária no primeiro hotel. Quatro peças, e o quebra-cabeça fechou.

E como post de custo sem número é só conversa, abre aí a conta da hospedagem: as três primeiras diárias saíram por R$ 679,52 pros três. A diária renovada, R$ 260,82. A noite na pousada, R$ 248,04. E a última diária, R$ 242,25. No total, seis noites por R$ 1.430,63, uma média de uns R$ 238 por noite pra três pessoas. Em plena alta temporada, eu assino embaixo dessa conta.

A pousada não tinha café da manhã, mas tinha dois cachorros lindos na recepção e gente simples e educada no balcão. O café a gente resolveu no supermercado: pão, bolo, achocolatado de caixinha, tudo tomado debaixo de uma árvore perto da praia. Saiu barato e rendeu até vídeo.

E teve um gesto que não esqueço: a garagem do hotel custava R$ 30 por dia, e na hora de fechar a conta eles dispensaram o pagamento. Noventa reais que ficaram no bolso sem eu pedir. Eita coisa boa!

Marmita: o costume que segurou o orçamento inteiro

Aqui mora a maior economia da viagem. Na maioria dos dias, a gente comprou uma marmita grande por R$ 25 e dividiu entre nós três, eu, minha companheira de aventuras e minha sobrinha. E não pense que é comida de segunda. É a mesma comida do restaurante, e tem lugar que ainda deixa você escolher o que vai e o que não vai dentro. Diferença nenhuma do prato servido na mesa, só no preço.

O nome dos lugares eu não vou saber te dizer. A gente come marmita em tanto canto do Brasil que os nomes se misturam na memória. O que não se mistura é a conta no fim do mês.

Em Trancoso o contraste apareceu: o quilo no restaurante do centro histórico estava R$ 80. Caro que nem água de coco em praias do Sul. Pegamos três marmitas pequenas e eles ainda deixaram a gente almoçar nas mesas.

Em Arraial d’Ajuda, a dona de um restaurante perto do mercado fez o almoço dos três por R$ 30 e mandou a gente sentar como freguês antigo. Comida boa, atendimento melhor ainda. Pense numa delícia!

Balsa, barco e a arte de negociar no píer

Porto Seguro tem um detalhe que pega muito visitante de surpresa: o centro não tem praia de banho. Pra conhecer Arraial d’Ajuda, tem balsa no caminho. Na ida mais tranquila pagamos R$ 34 pros três, com o motorista já incluso no valor do carro. Em outro dia foi R$ 28, e no domingo é mais caro. A travessia em si são uns dez minutos, mas teve dia em que a fila comeu uma hora e meia de cada lado. Conta esse tempo no seu roteiro, porque ele existe.

O passeio de barco pra Trancoso a gente negociou pessoalmente no píer. De tanto conversar, fechou em R$ 200 pros três. Minha sobrinha pagou a parte dela, então ficou R$ 160 pro casal. Pela época, achei justo. Uma hora e quarenta de mar, karaokê a bordo e as obras do Criador desfilando na janela o caminho inteiro, sem cobrar nada a mais por isso.

O Museu do Descobrimento custou R$ 30 por pessoa, com meia de R$ 15 pra estudante. Visita guiada, réplica do navio de Cabral pra entrar e filmar. Esse valeu. Já a aldeia indígena cobrava R$ 75 por pessoa. Aí pesou. Desistimos sem culpa, porque em viagem comprida a gente escolhe os passeios, não compra todos.

Quarenta reais que me deixaram com vergonha de elogiar

Comprei um pau de selfie de R$ 40 no centro achando que era bobagem. Pois rapaz, foi uma das compras mais úteis da viagem. Os vídeos ficaram com enquadramento muito melhor. Compra boba, resultado grande.

Os gastos que não estavam no plano

Nem tudo cabe na planilha. O carro chegou em Porto Seguro coberto de lama depois de 200 km de estrada de terra na BR-367, com risco até de estragar a porta. Foram R$ 120 de lavagem logo na chegada. Doeu, mas não tinha escolha.

Ah, e um detalhe que quase passou batido: toda noite a gente terminava o dia na Passarela do Álcool, que em dezembro fica mais movimentada que terminal rodoviário. Lá caía um suco de cajá, que é o meu preferido, um lanche, e teve noite de acarajé por R$ 35. Esse gasto miúdo de cada noite ninguém anota, mas no fim da semana ele aparece.

E teve o corte maior: o plano de esticar até Ilhéus morreu na calculadora. O gasto era grande, a conta não fechou, e viramos mais dias de praia ali mesmo.

O que a alta temporada cobra e o que ela devolve

Pagamos mais caro em quase tudo. Mas poder renovar a hospedagem e adiar a volta pra casa, com a cidade inteira em festa, foi um privilégio que nenhuma planilha mede.

Se você for pra Porto Seguro em dezembro, olha isso aqui

Se chegar sem reserva, pesquise períodos de um ou dois dias em vez de semana fechada, porque é assim que aparecem as vagas escondidas. Evite a balsa no domingo, que é mais cara e mais cheia, e atravesse cedo. Passeio de barco se negocia pessoalmente no píer, com educação e sem pressa, que o preço cede. E leve dinheiro trocado pras barraquinhas da Passarela do Álcool, porque o gasto miúdo da noite é o que mais engana, né não?

Na última noite, a cena era simples: fila da balsa ainda na memória, areia no chinelo, cartão de memória cheio e o último suco de cajá da viagem tomado sem pressa nenhuma. A conta da semana fechou menor do que dezembro prometia. E os R$ 108 do susto voltaram pra onde nunca deviam ter saído.

Tu encara dividir uma marmita na praia pra esticar a viagem ou prefere restaurante todo dia, mesmo pagando o triplo?

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