Mercados e feiras de Maceió: roteiro de quem quer mergulhar na cultura local

Estava procurando outra coisa numa pasta antiga e essa foto apareceu. Maio de 2015, Maceió, eu e minha digníssima espremidos entre plaquinhas de madeira e bonequinhas de cerâmica. Não lembro o nome do mercado. Não lembro o dia. Não lembro nem o que a gente tinha ido fazer antes.
Lembro do caminho. Saímos do hotel na Pajuçara e fomos a pé pela orla, sem hora pra voltar. Comprei umas lembrancinhas pequenas, dessas de dar pros outros. Nem essas eu sei dizer quais foram.
Onze anos depois, tentando lembrar
Fui atrás de descobrir em qual mercado essa foto foi tirada e acabei descobrindo que Maceió tem bem mais lugar desses do que eu imaginava naquela época. Sai daqui sabendo aonde eu deveria ter ido em 2015 e não fui.
Descendo a orla
A gente estava hospedado no Meridiano, na Avenida Doutor Antônio Gouveia. Até hoje considero o melhor hotel em que já fiquei. A praia ficava ali na frente e o resto da avenida seguia reto, com os prédios de um lado e o mar do outro, então caminhar era a coisa mais fácil do mundo.
Era uma caminhada de uns quinze minutos, mais ou menos por aí. Fomos andando e entramos. Foi isso.
Não teve planejamento, não teve pesquisa, não teve nada. Em 2015 eu ainda não criava conteúdo pra internet, então eu não anotava nada, não gravava nada, não perguntava o nome de ninguém. Hoje eu perguntaria o nome do dono da loja antes de perguntar o preço.
A foto conta
Como a memória não ajuda, fui olhar a foto com calma. E a foto conta bastante coisa. Tinha aquelas plaquinhas de madeira com frases de parede de cozinha, do tipo "na casa da vovó sempre tem 1 real". Tinha bonecas de cerâmica com vestido colorido, chinelos enfeitados com flor de coco, barquinhos de vela em miniatura, quadros de casinhas do Nordeste pendurados no alto.

E tinha os preços à mostra, escritos em etiqueta de papel: cinco reais, dez reais, quinze reais. As bonecas maiores estavam em promoção por quarenta reais. Do lado direito da banca, uma placa vermelha bem grande avisava que ali não recebiam cheque. Isso me diz mais sobre 2015 do que qualquer frase bonita que eu escrevesse aqui.
O teto era de madeira, coberto, com aquela luz amarelada entrando por cima. As bancas coladas uma na outra, corredor estreito, roupa de praia pendurada na altura da cabeça. Olhei foto de vários mercados de Maceió tentando bater o cenário e não bateu com certeza nenhuma. Vou deixar essa em aberto mesmo.
Gosto de mercado
Mercado e feira livre estão entre as visitas que mais gosto de fazer em qualquer cidade. Já andei no Ver-o-Peso em Belém, no Adolpho Lisboa em Manaus, no Mercado Central de Juazeiro do Norte umas quatro vezes desde 2007, no Mercado Central de Aracaju. Praia toda cidade litorânea tem. Mercado tem cara própria.
É o lugar onde o preço aparece sem maquiagem e onde a pessoa que fez a peça costuma estar a dois metros de você. Dá pra perguntar como faz, quanto tempo leva, de onde vem o material.
Naquele dia eu não perguntei nada disso. Comprei, paguei, saí.
Onde ir hoje
Se você for pra Maceió agora, a concentração maior está na Pajuçara. Na beira-mar fica a Feirinha de Artesanato da Pajuçara, com cerca de duzentas barracas, e do outro lado da avenida fica o Pavilhão do Artesanato, que é um prédio organizado, com estacionamento e banheiro. Os dois ficam praticamente frente a frente. Dá pra fazer os dois no mesmo passeio e comparar preço antes de decidir.
Um aviso: o horário da Feirinha da Pajuçara varia conforme a fonte que você consulta. Umas dizem que abre às 17h, outras falam em 9h, outras em 10h. Não consegui confirmar qual está certa, então não vou cravar aqui. Confira antes de sair do hotel.
Longe da orla é que está o mercado maior. O Mercado do Artesanato, na região do centro, reúne quase trezentos boxes e é ali que a variedade cresce de verdade: renda de filé, rede de descanso, tapete, colcha, bolsa de couro, móvel de madeira. Quem já foi nos dois costuma dizer que o preço lá é melhor do que na orla. Faz sentido, porque o turista chega menos.
Tem ainda o Mercado da Produção, na Levada, que é outro tipo de programa. Aquele é mercado de abastecimento, funciona de madrugada, é onde a cidade compra o que come. Não é passeio de comprar lembrancinha, é passeio de ver a cidade trabalhando. No Jaraguá, bairro histórico do porto, funciona desde 2022 o Mercado das Artes, que junta artesanato e gastronomia num prédio só. E no Pontal da Barra, no extremo sul da cidade, estão as rendeiras, com as lojinhas na rua e as mulheres bordando na calçada.
Você pode conferir os horários dos mercados públicos direto no site da Prefeitura de Maceió, que é a fonte que atualiza quando muda alguma coisa.
Roteiro de mercados e feiras em Maceió
- Feirinha de Artesanato da Pajuçara: Av. Dr. Antônio Gouveia, beira-mar. Dá pra ir a pé de quase qualquer hotel da orla.
- Pavilhão do Artesanato: Av. Dr. Antônio Gouveia, 1447. Fica do outro lado da avenida, em frente à feirinha.
- Mercado do Artesanato: Rua Melo Morais, 617. Longe da praia, mais boxes e mais variedade.
- Mercado da Produção: bairro da Levada. Abre de madrugada e fecha cedo, então programe pra manhã.
- Mercado das Artes: Av. Cícero Toledo, 31, no Jaraguá, ao lado do Centro Pesqueiro.
- Pontal da Barra: bairro das rendeiras, às margens da Lagoa Mundaú. Reserve meia manhã.
- Confira o horário no site da prefeitura antes de ir. Feriado muda tudo por lá.
E tem a parte que ninguém conta antes: comprar em mercado tem uma etiqueta própria, que a gente aprende errando.
Como comprar sem levar prejuízo
- Dê uma volta inteira antes de comprar. A mesma peça aparece em quatro bancas com quatro preços.
- Leve dinheiro em espécie. Muita banca pequena ainda depende disso e o desconto costuma sair melhor.
- Levando mais de uma peça, peça o preço do conjunto. É o desconto que sai mais fácil.
- Peça de cerâmica quebra na mala. Peça pra embrulhar bem e leve na bagagem de mão se puder.
- Pergunte quem fez a peça. Às vezes é a pessoa que está te atendendo, e a conversa vale mais que o objeto.
- Fotografe a fachada e a placa do lugar. Onze anos depois, você vai querer saber onde esteve.
O que ficou
A última dica ali em cima é conselho de quem se deu mal. Se eu tivesse feito uma foto da entrada, hoje eu saberia contar essa história direito, com nome, endereço e tudo.
O que sobrou foi isso: a orla, a caminhada, as plaquinhas de madeira e a placa avisando que não aceitavam cheque. Eu digo pouco! Mas é o que tem.
Você costuma fotografar a fachada dos lugares onde compra lembrancinha, ou também descobre depois que não faz ideia de onde esteve?
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