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Porto Seguro histórico: roteiro completo por R$ 150

R$ 30,00. Esse foi o preço que paguei pra entrar num navio do século XVI, ouvir a história do descobrimento do Brasil e sair de lá com a sensação de que a escola não me ensinou nem metade. Eu vim ao mundo a passeio, mas nesse dia em Porto Seguro, o passeio virou aula de história, e das boas.

No dia anterior, tínhamos voltado de Trancoso naquele passeio de barco que já contei aqui no blog. Chegamos de volta ao pier por volta das 17h, com a alma lavada pela praia silenciosa e o encontro do rio com o mar. Mas Porto Seguro não tinha terminado de nos surpreender. No dia 26 de dezembro de 2025, a cidade resolveu mostrar por que carrega esse nome no mapa há mais de 500 anos. Vem comigo que a história é boa.

Resumo do dia

  • O quê: Roteiro histórico pelo berço do descobrimento do Brasil e praia de Coroa Vermelha.
  • Onde: Porto Seguro (Praia do Mundaí, Museu do Descobrimento, Centro Histórico) e Santa Cruz Cabrália (Coroa Vermelha).
  • Quando: 26 de dezembro de 2025.
  • Quem: Eu (Hélio), minha esposa e a Marianny.
  • Destaque: O Museu do Descobrimento e o Caminho de Moisés em Coroa Vermelha.
  • Hoje: Dicas de roteiro histórico econômico e o perrengue do drone que parou de funcionar.

Praia do Mundaí: o primeiro cenário da gravação

A ideia era ambiciosa: gravar uma série inteira de vídeos contando a história do descobrimento do Brasil, nos locais onde tudo aconteceu. E o primeiro cenário não poderia ser diferente. Fomos para a Praia do Mundaí, bem cedinho, pra aproveitar a luz da manhã.

Rapaz, que praia show de bola. Estrutura boa, areia limpa, aquele mar da Bahia que já começa te abraçando com a água morna. Na entrada tem um portal enorme, daqueles que você para na frente e fala: “Tira uma foto minha aqui”. E foi o que fizemos. Tiramos foto, gravei o primeiro vídeo da série e já senti que o dia ia ser especial.

O legal de Porto Seguro é que a cidade tem muita história pra contar e quase ninguém para pra ouvir. O turista chega, vai pra praia, toma uma cerveja, volta pro hotel. Não que esteja errado, cada um curte do seu jeito. Mas perder a chance de pisar onde o Brasil começou? Sei não, viu.

Museu do Descobrimento: 30 pila que valem por uma viagem no tempo

Saímos da praia e fomos direto pro Museu do Descobrimento. Eu já tinha lido sobre ele, mas nada te prepara pra experiência de entrar naquele lugar.

A entrada custou 30 mangos por pessoa. A Marianny, por ser menor, pagou meia: 15 mango (1 real por idade dela) . Total para nós três: 75 dinheiros. Pode parecer caro pra quem tá contando cada centavo nas férias, mas já vou te adiantando: vale cada moedinha.

A visita é guiada. Um funcionário vai explicando sala por sala a história da chegada dos portugueses em 1500. Mas o ponto alto, o momento que me fez parar e ficar de boca aberta, foi quando entramos na réplica do navio de Pedro Álvares Cabral. Em tamanho real. Lá dentro, você vê como era apertado, como era a vida a bordo, imagina aquela galera navegando meses no escuro sem GPS, sem Google Maps, sem nada. Só fé e vento.

Filmei lá dentro e em várias partes do museu. Tiramos fotos em todos os ângulos. De dentro do museu dá pra ver a praia, e ali você entende a cena: imagina o susto dos povos originários vendo aqueles navios enormes surgindo no horizonte. Impressionante! Eu digo impressionante.

Dica prática: o museu fica próximo ao Centro Histórico. Faça os dois no mesmo dia. A visita guiada dura cerca de 40 minutos e funciona de manhã e à tarde. Leve protetor solar porque parte do percurso é ao ar livre.

Centro Histórico: pisando onde o Brasil nasceu

Do museu, caminhamos até o Centro Histórico de Porto Seguro. E ali, meu amigo, a coisa fica séria. Não séria no sentido ruim, séria no sentido de que você está pisando no chão mais antigo do país.

A primeira coisa que vi foi a famosa pedra de mármore trazida de Portugal entre 1503 e 1526, feita de pedra lioz portuguesa. Aquela pedra atravessou o Atlântico há mais de 500 anos pra marcar a posse de uma nova terra. Ela está ali, de pé, resistindo ao tempo, contando uma história que muita gente não conhece.

A vila ao redor é linda. Casinhas antigas, coloridas, com aquela arquitetura colonial que parece cenário de filme. Tiramos fotos, gravei a história do marco e fiz mais um episódio da série. Na entrada do Centro Histórico tem umas barraquinhas de artesanato e eu até entrevistei uma vendedora jovem que trabalha ali. Gente simples, batalhadora, vivendo de turismo naquela região.

Depois de toda essa imersão histórica, voltamos para o hotel e fizemos o de sempre: marmitex. Compramos uma grandona por 25  pila, dividimos entre nós três e tomamos um refrigerante. A gente já tinha virado especialista em dividir marmitex nessa viagem. Como já contei no post sobre Arraial d’Ajuda, a estratégia da marmita é o segredo de quem viaja sem gastar um rim.

Coroa Vermelha: a praia onde Cabral pisou pela primeira vez

Com a barriga cheia e a história do Brasil na cabeça, seguimos pra Praia de Coroa Vermelha, que fica na cidade vizinha, Santa Cruz Cabrália. Esse é considerado o local exato onde os portugueses desembarcaram pela primeira vez. Só de pensar nisso dá um arrepio.

Mas deixe comigo que vou te contar a realidade: o trânsito pra chegar lá estava sinistro. Fim de ano, alta temporada, todo mundo querendo praia. Tanto pra ir quanto pra voltar, ficamos um bom tempo parados. Se você for, vá cedo. Esse é o conselho de quem ficou ali assando dentro do carro.

A gente planejava visitar uma aldeia indígena que tem na região. Chegamos lá empolgados, prontos pra gravar e conhecer. Aí veio o preço: R$ 75,00 por pessoa. Para nós três, seriam R$ 225,00. Naquele momento, o viajante econômico que mora em mim falou mais alto. Desistimos. Seria ótimo, mas não dava pra encaixar no orçamento.

No entanto, o que tem ali na entrada de graça já vale a visita. Uma feira gigantesca, com artesanato, roupas, lembranças, comidas. Muita variedade e muito movimento. Filmamos bastante por ali.

Caminho de Moisés: quando o mar abre passagem

Gente do céu, esse foi um dos momentos mais incríveis da viagem. Em Coroa Vermelha, quando a maré baixa, forma-se um corredor de areia que avança mar adentro. O pessoal chama de Caminho de Moisés, e não é à toa. Você literalmente caminha dentro do mar, com água dos dois lados, como se o oceano tivesse aberto passagem só pra você.

Entramos no Caminho de Moisés e fiz várias gravações. A sensação de estar ali, caminhando naquela faixa de areia com o mar ao redor, é algo que não consigo descrever com palavras. Mas as imagens que fiz com o drone dizem tudo. Vocês vão ver no Youtube.

E por falar em drone, aqui veio o perrengue do dia.

O drama do drone: quando a tecnologia resolve tirar férias

Sabe quando você tá no melhor momento da viagem e o equipamento decide que também precisa de um descanso? Pois foi exatamente o que aconteceu. Meu drone principal, o DJI Mini 3 Pro, simplesmente parou de funcionar direito. Perdia sinal toda hora, só funcionava numa frequência (2,5 MHz). Provavelmente queimou alguma placa. Quando cheguei aqui em Cascavel, fui ver certinho e vai precisar reparar mesmo. Vai ficar em uns 600 Reais tudo. Não tem jeito. Tem que arrumar.

Descobri o problema graças a um jovem que trabalha na praia com gravações de drone. Ele olhou, mexeu e deu o diagnóstico: defeito na placa de transmissão. Ali, no meio da praia, recebi a notícia como quem recebe conta de luz em janeiro. Mas a rapadura é doce, mas não é mole, e eu não ia deixar isso estragar meu dia.

Tive o privilégio de estar com dois drones. Sempre viajo com backup. O seguro morreu de velho, e nesse caso, o seguro me salvou. Voltei pro carro, peguei o outro drone e fiz imagens absurdas do Caminho de Moisés e de toda a orla. Ficaram tão boas quanto as do drone principal.

Dica de viajante com drone: se seu equipamento é essencial pro seu trabalho ou registro de viagem, leve um backup. Problema técnico não avisa quando vai chegar, e perder as imagens de um lugar desses é algo que não tem como recuperar depois.

Passarela do Álcool: a cereja da noite

A noite em Porto Seguro tem nome e endereço: Passarela do Álcool (ou Passarela da Cultura, pra quem prefere o nome oficial). Toda noite estávamos indo pra lá. Música ao vivo, barraquinhas a perder de vista, comidas típicas baianas, artesanato e aquela energia que só o Nordeste tem.

O ritual era sempre o mesmo: eu tomava meu suco de cajá (taperebá, pra quem é do Norte), comia um hambúrguer e ficava ali ouvindo música até cansar. Nessa noite não foi diferente. Voltamos pro hotel por volta das 22h, cansados mas felizes, com a certeza de que Porto Seguro entrega muito mais do que praia bonita.

Quanto gastamos nesse dia: os números sem maquiagem

  • Museu do Descobrimento (3 pessoas): R$ 75,00 (2 inteiras + 1 meia)
  • Almoço (marmitex + refrigerante): R$ 25,00
  • Estacionamento em Coroa Vermelha: gratuito (achamos vaga na rua)
  • Aldeia Indígena: R$ 0,00 (não entramos, era R$ 75,00/pessoa)
  • Jantar na Passarela do Álcool: aproximadamente R$ 50,00 (sucos, lanches)
  • Total do dia: aproximadamente R$ 150,00 para 3 pessoas

Cento e cinquenta pila pra três pessoas, incluindo museu, duas praias, feira, Caminho de Moisés e jantar com música ao vivo. Tem quem gaste isso num almoço na orla. A gente gastou num dia inteiro de experiências que vão ficar na memória pra sempre.

O que Porto Seguro me ensinou nesse dia

A gente viaja muito querendo ver o novo, o diferente, o exótico. E tá certo. Mas às vezes o mais impressionante é justamente onde tudo começou. Porto Seguro não é só praia bonita e música baiana na Passarela do Álcool. É o berço da história do Brasil. Pisar naquele Centro Histórico, tocar naquela pedra de 500 anos, entrar naquele navio e caminhar no Caminho de Moisés são experiências que mudam a forma como você enxerga o país.

No fim das contas, esse dia me ensinou que turismo de verdade é mais do que banho de mar. É entender de onde a gente veio pra valorizar onde a gente tá. E tudo isso sem precisar gastar uma fortuna. Basta ter curiosidade, disposição e um drone de reserva no carro.

E você, sabia que Porto Seguro é o berço oficial do Brasil? Já visitou o Museu do Descobrimento ou caminhou no Caminho de Moisés? Conta aqui nos comentários sua experiência. E se ainda não foi, anota essas dicas que vão te economizar uma boa grana!

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