Pular para o conteúdo

O que fazer em Maringá: mercadão, jardim japonês e água quente

·7 min de leitura·por Helio Pere
O que fazer em Maringá: mercadão, jardim japonês e água quente

Nove e trinta e quatro da manhã. O GPS dizendo que ainda faltavam umas nove horas até Uberlândia, o carro cheio, e a decisão tomada antes mesmo de avistar a cidade: passar direto por Maringá. Sem descer, sem café, sem parada.

Foi a decisão mais lógica e mais burra da viagem. Lógica porque a gente tinha destino marcado e estrada longa pela frente. Burra porque Maringá tem passeio bom o suficiente pra segurar um dia inteiro, e eu conheço a cidade o bastante pra saber disso.

Quatro lugares que valem o desvio

Rapaz, separei quatro paradas de Maringá que resolvem um dia inteiro na cidade, com preço, horário e distância conferidos. Uma delas eu conheci de perto e tenho comparação pra fazer. Duas envolvem água, e a diferença entre as duas é maior do que parece. Vem comigo até o fim que eu conto qual delas exige planejamento.

Cinco e meia da manhã

A gente acordou às quatro e saiu de Cascavel às cinco e meia, naquele horário em que ninguém no carro tá disposto a conversar. Às oito e meia paramos num posto em Boa Esperança, tomamos um chocolate dentro do carro mesmo, sem descer, e ali eu troquei o volante com minha digníssima. No caminho passamos por dois pedágios, os dois desativados. Pedágio desativado é a única coisa que dá gosto de ver parada numa rodovia.

O trecho que antecede a cidade é aquele mar verde de plantações que acompanha as rodovias do Paranazão dos dois lados. Chegamos às nove e trinta e quatro, atravessamos e seguimos. Quarenta minutos de cidade pela janela.

O que eu já conhecia

Em uma viagem anterior eu vim com a família e a primeira parada foi o Parque do Ingá, uma reserva de 47,3 hectares de mata dentro da malha urbana. Lá dentro tem uma locomotiva antiga e a gente tirou foto do lado dela. Na hora eu fiquei na dúvida se era réplica.

Conferi agora: segundo a Prefeitura de Maringá, é a primeira maria fumaça da cidade, a locomotiva 608, a mesma que inaugurou a Estação Ferroviária em 1954. Original. Levei anos pra descobrir uma coisa que estava na placa ali do lado, provavelmente.

1. Mercadão de Maringá

Esse foi o segundo lugar que eu conheci naquela viagem e o que mais me marcou. Aqui no Paraná não existe muita tradição de mercado municipal como a gente conhece no Nordeste, então achei que fosse encontrar pouca coisa. Encontrei o contrário.

O Mercadão foi inaugurado em outubro de 2009 e funciona dentro de um barracão de 1958, construído pela família Tozzo, que segundo o próprio Mercadão foi o primeiro armazém cerealista da cidade. Hoje reúne bares, restaurantes e lojas de produtos regionais.

A primeira coisa que me pegou foi a organização. Tudo no lugar, corredor limpo, limpeza impecável mesmo. Nesse quesito a comparação com os mercadões do Nordeste fica difícil, porque lá a coisa funciona de um jeito muito mais solto, cada banca com a sua própria lógica. Agora, no tamanho a comparação vira ao contrário. O de Maringá é grande pro padrão daqui, mas perto dos mercadões da Bahia e do Ceará ele é pequeno. Naqueles você entra e quase precisa de GPS pra achar a saída.

Compramos ali um produto típico do Nordeste pra levar pra minha mãe, e saiu bem mais caro do que sairia lá. Faz sentido: no Paraná aquilo é item de procura, no Nordeste é item de rotina. Fica na Avenida Prudente de Morais, 601, e não tem estacionamento próprio.

2. Parque do Japão

Maringá tem uma das maiores colônias japonesas do Paraná, e o parque nasceu disso. A história começa com um acordo de irmandade entre Maringá e a cidade japonesa de Kakogawa, assinado em 2 de julho de 1973. A pedra fundamental só foi lançada em 10 de maio de 2006, e a inauguração aconteceu em maio de 2014.

São 100 mil metros quadrados de área preservada, com jardim japonês, lagos com centenas de carpas, bonsais, monumento da imigração japonesa, casa de chá, ginásio e praça de alimentação. A entrada é gratuita e o parque abre de terça a domingo, das 8h às 18h, na Rua Tulipa, 987, Jardim Industrial. Do centro dá uns quinze minutos de carro pela PR-317.

Passeio de graça, sombra, água e carpa. Difícil errar.

3. Ody Park

Esse é o grandalhão da região. O Ody Park fica em Iguaraçu, na PR-317, a cerca de 20 quilômetros de Maringá, com aproximadamente 200 mil metros quadrados entre parque aquático e resort. Tem toboáguas, rio lento, bar aquático e uma piscina de ondas que a casa anuncia com até três metros de altura.

Agora a parte que muda o planejamento de quem vai. O passaporte adulto sai por duzentos e quarenta reais, segundo o tarifário publicado no site oficial, com valor reduzido pra criança de 6 a 10 anos e pra quem tem 60 anos ou mais. Não é passeio de decisão em cima da hora, é programa de dia inteiro pra família que planejou.

E tem outra coisa que quase ninguém avisa: o funcionamento é sazonal. Em vários meses do ano o parque abre só às sextas, sábados e domingos, e existem períodos de fechamento programado pra manutenção. Conferir o calendário no site antes de sair de casa evita a viagem perdida.

4. Solar das Águas Quentes

Esse é o oposto do anterior em proposta. Fica na PR-317, km 13, ainda dentro da zona rural de Maringá, com 72 mil metros quadrados, e o diferencial são as piscinas de águas termais naturais que, segundo o site do parque, brotam do solo a até 51 graus.

Tem piscinas quentes, mornas e frias, tobogãs de tamanhos variados, piscina infantil, biribol, ofurô, restaurante e sorveteria. O day use é vendido direto no site. Eu encontrei valores antigos circulando na internet e não vou repetir número desatualizado aqui, então confira o preço na fonte.

Um detalhe de endereço que confunde muita gente: alguns sites de terceiros apontam o parque em Mandaguari, na BR-376. O endereço que o próprio parque publica é o da PR-317, em Maringá. Vá pelo oficial.

Junta as quatro paradas e você tem um dia cheio na cidade. Separei abaixo o que eu conferi de horário, preço e acesso.

Se você for fazer esse roteiro, olha isso aqui
  • Mercadão: Avenida Prudente de Morais, 601. Lojas e restaurantes têm horários diferentes entre si, confira antes
  • Parque do Japão: entrada gratuita, terça a domingo das 8h às 18h. Piquenique não é permitido lá dentro
  • Ody Park: passaporte adulto R$ 240 no tarifário atual, bilheteria a partir das 9h. Funcionamento sazonal, confira o calendário antes de pegar estrada
  • Ody Park não permite entrada com alimentos e bebidas, exceto pra quem aluga quiosque
  • Solar das Águas Quentes: PR-317, km 13, day use vendido pelo site oficial
  • Os dois parques aquáticos ficam no mesmo eixo da PR-317, então dá pra encaixar um deles no mesmo dia dos passeios urbanos

E pra quem, como eu naquele dia, vai só cruzar a cidade a caminho de outro lugar, o roteiro é bem mais curto.

Passando direto de carro, anota essas
  • Saindo de Cascavel, dá pra chegar em Maringá em cerca de quatro horas com uma parada só
  • O gargalo da região é a rotatória de acesso à BR-376, com fluxo pesado de caminhão. Atenção redobrada ali
  • Obras viárias em andamento mudam o traçado de acesso com frequência. Confira o trajeto no dia
  • Se der pra reservar só meio período, o Parque do Japão é o que exige menos tempo e menos dinheiro

Fica pra próxima

A gente seguiu viagem e almoçou só ao meio-dia, já em Pirapozinho. Maringá ficou pra trás com a cidade inteira do lado de fora do vidro, e eu com a sensação de estar devendo um dia àquele lugar.

Da próxima vez, o mercadão de manhã e o resto conforme o calor do dia decidir.

E você, quando tem um dia só numa cidade nova, escolhe o passeio de graça ou investe no ingresso caro que promete mais?

Gostou? Compartilhe com quem vai curtir

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Sua opinião sobre o destino, uma dúvida, uma correção — tudo é bem-vindo.

Aparece junto do comentário.

Nunca aparece no site.

0/3000

Todo comentário passa por aprovação antes de aparecer.

Continue lendo sobre Paraná