Memórias: Minha primeira bicicleta

Praça J.J. Seabra – Caculé – BA.

O ano era 1983, a cidade era Caculé, o estado, a Bahia.  Eu acabara de mudar para o estado. Meu pai comprou uma bicicleta pra mim começar a aprender a andar. Os “professores” foram os colegas mesmo. Depois de umas 10 quedas ladeira a baixo, consegui andar. Nunca usei bicicleta de rodinhas. Mas também, já era crescidinho para isso.

A bicicleta não tinha catraca. Era como um velocípede. Você não podia descansar os pés numa ladeira. Os pneus da bicicleta não tinham câmara de ar. Eram de borracha pura mesmo. O negócio era rústico.

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Essa era uma da bicicletas dos meus sonhos. Esse sonho nunca realizei.

Foi maravilhoso poder me locomover pela cidade, que era bem pequena, para onde eu quisesse, de bicicleta. Essa foi uma grande novidade que desfrutei muito.

Mas tinha um amigo que tinha uma bicicleta “normal” com câmara de ar” e catraca, que permitia que descansasse os pés quando a bicicleta pegava embalo. Meus pais não tinham dinheiro para comprar uma bicicleta luxuosa dessa pra mim. Era tão consciente disso que nuca exigi uma bicicleta melhor.

Mas eu tive uma ideia capitalista: pagar ao meu amigo para andar na bicicleta dele, que era a bicicleta dos meus sonhos: uma BMX (ou era uma Caloi Cross?). Como seria esse pagamento? Bem, eu sabia que meu colega Felipe gostava muito de pirulitos. Estava aí a solução. Fiz a  proposta e ele aceitou. Cada pirulito valia 10 voltas ao redor da praça principal da cidade. Era o êxtase do dia. Aquele pneu fofinho, confortável, aquela rodada de pernas no sentido contrário das pedaladas, não tinha preço. Aliás, tinha sim, um delicioso pirulito.

Bicicleta Caloi Cross. Sonho nunca realizado.

E assim, foi, por muito tempo essa troca. Assim eu podia experimentar emoções diferentes, visto que não tinha condições para comprar uma bicicleta tão robusta.

Como criança, nunca me sentir inferior ou humilhado. Era muito feliz com as coisas que tinha e quando não tinha, dava um jeito mais barato de experimentar coisas novas.

Essa minha bicicleta, mesmo simples, me trouxe muitas alegrias. Tinha uma buzina, que de tanto gostar dela, esquecia de equilibrar meu corpo quando estava aprendendo a pedalar. E afinal, foi um presente do meu pai, que ainda era jovem e saudável. Ele comprou com seus recursos limitados e sempre fui grato por isso. Vou sempre me lembrar com muito carinho dessa época.

O certo é que a vida é curta e não vamos conseguir realizar todos os nossos sonhos. Mesmo assim é possível ser feliz com aqueles que conseguimos realizar, cedo ou tarde na vida. Quando as coisas são muito fáceis na vida e a gente consegue tudo que quer, a tendência é não darmos o devido valor àquilo que conseguimos. Por outro lado, quando conseguimos com muita luta, damos valor e aproveitamos melhor nossas conquistas.

E você? Tem uma história parecida para contar? Deixe nos comentários. Compartilhe com seus amigos. Até a próxima!

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