Festa do Morango de Cascavel: a 24ª edição com 200 boxes

A viagem de hoje tem menos de dez minutos de carro. Sem mala, sem posto, sem GPS reclamando de rota. É sair de casa, pegar a avenida e estacionar no Centro de Convenções, aqui mesmo em Cascavel, porque a Festa do Morango está acontecendo de novo e a gente vai prestigiar mais uma vez.
Ano passado foi assim também. Entramos achando que ia ser uma passadinha rápida, saímos depois de dar volta em corredor atrás de corredor e ainda levamos um doce pra minha sobrinha. Rapaz, é bem movimentado. Movimentado do tipo que você anda devagar porque tem gente parada em todo box olhando alguma coisa.
Uma festa de bairro que tomou conta da cidade
Muita gente daqui acha que a Festa do Morango sempre foi esse evento grande no Centro de Convenções. Não foi. Ela começou de um jeito bem menor, num canto específico de Cascavel, e o número que a organização espera de público neste ano ainda me deixa meio incrédulo. Vem comigo até o fim que eu conto de onde isso saiu.
De onde veio a Festa do Morango
A história começa em 1997, como uma celebração comunitária feita por moradores dos arredores do bairro Maria Luiza, conforme registrou a Gazeta do Paraná. Festa de bairro mesmo, dessas que nascem de gente organizando o que dá com o que tem.
📍 Centro de Convenções de Cascavel
Abrir no Google MapsComo chegarA Associação dos Moradores do Maria Luiza continua sendo a responsável pela organização até hoje. Isso me parece a parte mais bonita da coisa toda. A cidade cresceu, o evento saiu do bairro, mudou de endereço, ganhou estrutura, e quem toca continua sendo a associação de moradores. Não é comum.
O tamanho que ela tem hoje
Esta é a 24ª edição, de 6 a 9 de agosto, no Centro de Convenções e Eventos. Segundo a Prefeitura de Cascavel, são mais de 200 expositores e a expectativa é passar de 70 mil visitantes. No ano passado eram mais de 150 expositores, então o negócio cresceu de novo.
A data também não caiu aí por acaso. Foi escolhida no fim de semana do Dia dos Pais justamente pra puxar as famílias, e olhando o movimento do ano passado eu diria que a conta fechou. Entre as novidades anunciadas pra este ano está o quentão de morango, que pra um agosto de Cascavel faz todo sentido, além do chopp da fruta que já é tradição por aqui.
Tem ainda a parte que a maioria nem repara: uma fatia dos recursos arrecadados com a venda dos estandes vai pra entidades assistenciais do município. Você come uma torta e ajuda alguém sem nem saber. Não é uma coisa ruim de acontecer.
O Paraná produz morango de verdade
Aqui vai o dado que me pegou de surpresa quando fui pesquisar. O Paraná é o terceiro maior produtor de morango do país, com mais de 30 mil toneladas colhidas só em 2023, segundo o Departamento de Economia Rural do estado. Ou seja, a festa não é só uma desculpa pra vender doce. Ela senta em cima de uma produção que existe e sustenta gente da região.
Pra quem é do Nordeste como eu, isso ainda soa estranho. Cresci vendo morango como fruta cara, de vitrine de supermercado, aquela que a gente olhava e seguia em frente. Aí você chega no Sul e descobre que ela é cultivada logo ali, a poucos quilômetros de casa, e chega no galpão fresca, em caixa, no preço de fruta comum.
Tem muito mais que morango dentro do galpão
Essa foi a maior surpresa da primeira vez. São muitos boxes, e nem todos são de morango. Tem artesanato, tem produtos coloniais, tem roupa, tem cosmético, tem gente de outros nichos que nada tem a ver com a fruta e que aproveita o movimento pra vender.
Aí que tá a graça, na minha opinião. Você entra achando que vai comer uma torta e sai tendo conversado com um artesão, provado uma geleia, olhado um vidro de doce que não vai levar e visto o preço de uma peça de roupa que também não vai levar. As atrações culturais vão acontecendo no palco enquanto isso, dança, música, apresentação. No ano passado teve até concurso pra escolher a Rainha do Morango, com categorias por faixa de idade.
Minha digníssima tem o mesmo método de sempre nesse tipo de lugar: dar uma volta inteira antes de decidir qualquer coisa. Já tentei encurtar esse processo e nunca deu certo.
O que a gente vai fazer hoje
Câmera na mão, andar sem pressa, gravar uns vídeos e ver o que mudou de um ano pro outro. É esse tipo de passeio que eu chamo de turismo em casa, e que muita gente esquece que existe. A gente atravessa o Brasilzão atrás de festa em cidade que nunca viu e deixa passar a que acontece a quinze minutos da nossa rua.
Ano passado a gente saiu de lá com um doce pra sobrinha e nada mais. Hoje eu não prometo a mesma disciplina.
Se você for hoje ou amanhã, olha isso aqui
- O endereço é o Centro de Convenções e Eventos, na rua Fortunato Bebber, 987, bairro Pacaembu
- O horário muda de um dia pro outro. Confira o do dia no perfil oficial da festa antes de sair de casa
- Nas edições anteriores a entrada foi gratuita todos os dias
- Nos fins de semana a festa costuma abrir de manhã. Quem não gosta de aperto, vai cedo
- Dê a volta completa antes de comprar. São mais de 200 boxes e o mesmo tipo de produto aparece em vários preços
- Leve uma sacola. Quem entra pra comprar caixa de morango raramente sai só com ela
- Programação atualizada no perfil @festadomorangocascavel
Domingo a festa se encerra. Depois disso Cascavel volta ao normal, o Centro de Convenções esvazia e ninguém mais fala em morango até agosto do ano que vem. Por isso é bom não deixar pra depois.
Vinte e quatro edições depois, o que era uma festa de moradores de um bairro só continua sendo tocada pelos moradores desse bairro. Não sei se você acha isso pouco. Eu acho bastante.
E você, já foi na Festa do Morango de Cascavel? Me conta o que você comprou lá e se conseguiu sair só com aquilo que tinha planejado.
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