Uberlândia depois da estrada e um dia de respiro
Acordar em Uberlândia depois de mais de mil quilômetros de estrada tem um gosto diferente. O corpo ainda parece que está dentro do carro, a cabeça demora a entender que a cama não está em movimento e a primeira vontade é fazer tudo mais devagar.
No dia anterior, tínhamos saído de Caculé, no sertão da Bahia, cruzado um mundaréu de chão e chegado em Uberlândia já de noite. Eu, minha esposa e a Marianny estávamos cansados, mas felizes. Quando a gente chega numa cidade onde tem família e amigos esperando, o cansaço não desaparece, mas muda de peso.
Resumo da visita
Data: 2 de janeiro de 2026.
Cidade: Uberlândia, Minas Gerais.
Quem estava junto: eu, minha esposa e Marianny.
Almoço: R$ 20,00 por pessoa no centro.
Lugares visitados: centro, Terminal Central, Praça Tubal Vilela, Cachoeira do Sucupira e Parque Una.
Destaque do dia: rever amigos, passear sem pressa e fechar a noite com uma jantinha mineira que parecia almoço de domingo.
Manhã em Uberlândia depois da maratona
Depois de uma noite de descanso na casa da minha irmã, acordei com aquela sensação boa de não precisar colocar mala no carro às 6h. Pra quem estava vindo de uma sequência pesada de viagem, isso já parecia quase um prêmio. Não tinha pressa de estrada, reserva de hotel para resolver, nem aquele pensamento de “será que hoje vai dar tempo?”.
A manhã começou com uma tentativa de rever um amigo antigo. Fui até onde poderia encontrá-lo, mas ele estava viajando. Consegui falar com a filha dele e depois fiz contato pelo WhatsApp. Não foi o encontro que eu queria, mas pelo menos soube que ele estava bem. E, em viagem longa, essas pequenas notícias também contam.
Uberlândia tem esse lado interessante pra mim. Não é só uma cidade de passagem. Já estive ali outras vezes, já gravei no Parque do Sabiá, já caminhei pelo centro, já revi amigos e já usei a cidade como ponto de apoio em viagens longas rumo à Bahia. Ela entra no meu mapa como um lugar onde a estrada encontra lembrança.
A feira que a gente procurou e não achou
A ideia era conhecer uma feira de bairro, porque Uberlândia tem muito disso: rua movimentada, gente comprando fruta, verdura, pastel, aquele comércio com cara de cidade grande, mas ainda com conversa de interior. Pra quem gosta de observar cidade de verdade, feira costuma revelar muita coisa. A cidade tem uma ou mais feiras em cada bairro. Não tem um mercadão pra onde todo mundo vai, igual os mercados da Bahia, mas eles gostam de ferias livres espalhadas pela cidade, algo que aqui no Paraná é mais restrito a poucos pontos e em dias específicos da semana.
Só que naquele dia a feira não apareceu pra nós. Rodamos, tentamos localizar, seguimos algumas pistas, mas nada. Tem hora que o GPS parece aquele parente confiante demais, que fala “pode ir por aqui” e depois some da conversa. Depois de um tempo, aceitamos que a feira ficaria para uma próxima passagem.
E tinha outro detalhe: Uberlândia em janeiro não brinca. O calor estava forte, e quando a fome começou a chegar, o almoço passou na frente de qualquer plano. Minha coragem tem prazo de validade, principalmente quando o estômago começa a cobrar providência.
Almoço no centro e sabor de Minas no prato
Perto do meio-dia, fomos para o centro de Uberlândia. Ali a cidade mostra bem sua força comercial. Loja aberta, gente andando rápido, vitrines, calçadas movimentadas e aquele barulho típico de centro urbano, misturando conversa, motor, ônibus e vendedor chamando cliente.
Encontramos um restaurante com comida simples e boa. O almoço custou R$ 20,00 por pessoa, um valor bem honesto para quem estava viajando. Tinha macarrão, salada de repolho com tomate, pratos bem servidos (com muita pimenta) e, para acompanhar, um guaraná mineiro. Eita coisa boa.
A Marianny ainda experimentou um Guaraná Jesus depois, que não é de Minas, mas apareceu ali no passeio e entrou na memória dela. Acho interessante como essas pequenas descobertas ficam guardadas. Às vezes não é um monumento gigante que marca o dia. É uma bebida diferente, um picolé curioso, uma conversa rápida ou uma rua onde a gente passou sem planejar.
No centro também revi um amigo antigo que tem loja por ali. Essas coisas não entram em roteiro de agência, mas entram no roteiro da vida. Você está andando, olha pro lado, encontra alguém de anos atrás e pronto: a viagem ganha outro sentido.
O Terminal Central de Uberlândia
Depois do almoço, fomos conhecer e gravar o Terminal Central de Uberlândia. E ele não é só um lugar para pegar ônibus. O espaço é grande e tem uma estrutura que chama atenção, com lojas, praça de alimentação, banco e movimento de gente por todo lado.
Pode parecer estranho transformar terminal de ônibus em passeio, mas quem gosta de observar cidade entende. Transporte público mostra o fluxo das pessoas, os horários de maior movimento, o comércio ao redor e até o jeito como a cidade organiza seus espaços. Em Uberlândia, achei interessante justamente isso. O lugar não fica parado esperando ônibus. Ele trabalha junto com a cidade.
Fiz vídeo por ali mostrando esse movimento. Era vida real: gente indo trabalhar, gente comprando, gente esperando, gente passando. E eu ali com o celular na mão, tentando registrar um pedaço comum da cidade, desses que muitas vezes dizem mais do que um ponto turístico arrumadinho demais.
Esse vídeo acima é de outra passagem por Uberlândia, quando gravei no Parque do Sabiá. Coloquei aqui porque ajuda a mostrar que a cidade não entrou agora no meu caminho. Ela já faz parte das minhas andanças por Minas, assim como Pirapora, Araxá e outras cidades mineiras que já renderam boas histórias.
Praça Tubal Vilela e o picolé com sal
Saindo do Terminal Central, fomos para a Praça Tubal Vilela, um dos pontos tradicionais do centro. Praça é praça: tem gente sentada, gente atravessando, vendedor trabalhando e aquele movimento que ajuda a gente a entender melhor o ritmo da cidade.
Foi ali que apareceu uma das cenas mais curiosas do dia: um senhor vendendo picolé com sal. É isso mesmo. Compramos picolé e, no sabor cajá, eles ofereciam sal para colocar por cima. Segundo minhas anotações, pelo menos os vendedores que encontramos por ali tinham esse sal disponível.
Eu, cearense rodado por esse Brasilzão, já vi muita mistura diferente, mas picolé com sal sempre rende conversa. A pessoa compra um cajá, coloca sal e segue feliz, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. E talvez seja mesmo. O estranho, naquele momento, era eu tentando entender a lógica da situação.
No fim, viagem também é isso. Não é só ver lugar bonito. É conhecer costume pequeno, coisa de rua, mania regional, sabor que você não esperava. Em cada região do Brasil aparece um detalhe desses, e são justamente eles que deixam a lembrança mais viva.
Cachoeira do Sucupira e o Mangabinha trabalhando
Depois de uma passada rápida pela casa da minha irmã, reorganizamos o restante do dia e seguimos para a Cachoeira do Sucupira. Ficamos por lá até quase o pôr do sol. Levei o Mangabinha, claro, porque drone descansado em viagem é quase uma ofensa ao dono.
Pelo que observei, a cachoeira não parece totalmente natural. Existe uma estrutura de concreto que ajuda a formar a queda d’água. Mesmo assim, o visual ficou interessante nas imagens aéreas, principalmente com a luz mais baixa do fim da tarde.
Mas aqui vai uma observação sincera: o local é um pouco isolado. Se for conhecer, vá de dia, de preferência acompanhado, fique atento ao movimento e evite inventar moda. Cachoeira bonita não combina com descuido, principalmente quando a região não está muito movimentada.
O drone subiu, registrou a área lá de cima e mostrou um ângulo que a gente não consegue ver do chão. Eu gosto dessas imagens porque elas guardam uma segunda lembrança do mesmo lugar, uma lembrança vista do alto.
Parque Una e o outro lado de Uberlândia
Depois da Cachoeira do Sucupira, seguimos para o Parque Una. Ali a paisagem muda completamente. Sai aquele clima mais isolado da cachoeira e entra um bairro planejado, moderno, com lago grande no meio, prédios subindo ao redor e ruas com cara de projeto pensado nos detalhes.
O lago no meio do bairro chama atenção. Subimos o drone por ali também e as imagens ficaram muito boas. Tem prédio grande sendo construído, ruas abertas e uma sensação de bairro novo, mas sem aquela impressão de lugar fechado onde você parece estar pedindo licença para respirar.
Segundo minhas anotações, o Parque Una fica na Zona Sul, no Bairro Gávea, perto do Uberlândia Shopping e da Unitri. É um tipo de lugar que mostra uma Uberlândia diferente da correria do centro: mais aberta, mais planejada e com espaço para caminhar, fotografar e ver o fim de tarde refletindo no lago.
Dicas práticas para passear em Uberlândia
Centro: vá com calma. Tem bastante movimento, lojas, restaurantes e bons lugares para observar a rotina da cidade.
Almoço: no nosso caso, encontramos comida simples e bem servida por R$ 20,00 por pessoa no centro.
Terminal Central: vale a passada se você gosta de entender como a cidade funciona. Não é passeio tradicional, mas é interessante pela estrutura e pelo movimento.
Praça Tubal Vilela: é um bom ponto para caminhar, tomar um picolé e observar o centro com mais calma.
Cachoeira do Sucupira: vá durante o dia, de preferência acompanhado. O lugar é mais isolado e pede atenção.
Parque Una: combina bem com o fim de tarde. O lago rende boas fotos e mostra um lado mais moderno de Uberlândia.
A “jantinha” que virou banquete
Anoiteceu e voltamos para o apartamento da minha irmã. Tomamos banho, demos aquela ajeitada no corpo e fomos encontrar amigos para jantar. Só que em Uberlândia eles chamam de “jantinha”. Rapaz, a tal da jantinha vem com tanta comida que o nome parece piada.
A mesa ficou cheia, a conversa foi longe e a noite virou reencontro. São pessoas que a gente vê poucas vezes, geralmente quando pega estrada para viagens maiores. Talvez por isso a conversa renda tanto. Cada um atualiza a vida, lembra histórias antigas, pergunta dos planos e vai costurando amizade com calma.
Era aquele tipo de noite simples, sem produção, sem roteiro bonito no papel, mas com gente querida por perto. Às vezes a melhor parte da viagem não está na atração turística. Está sentada numa mesa, rindo de coisa antiga e percebendo que o tempo passou, mas algumas conexões continuam de pé.
Voltamos para casa já perto de 23h30. Depois ainda nos despedimos da minha irmã e do esposo dela e fomos dormir na casa de outros amigos. Dormimos tarde, mais de meia-noite, porque quando a conversa é boa, o relógio vira enfeite.
O aprendizado desse dia em Uberlândia
No fim das contas, esse dia em Uberlândia foi uma pausa necessária entre duas estradas pesadas. A gente vinha da Bahia, ainda carregando poeira, lembranças e cansaço, e precisava de um dia que misturasse família, amigos, comida boa, passeio leve e um pouco de gravação.
Nem tudo saiu como planejado. A feira não apareceu, o amigo estava viajando e a cidade seguiu seu ritmo sem perguntar nada pra gente. Mas viagem real é assim. Ela não obedece roteiro certinho. Vai se ajustando conforme o dia permite.
Tive o privilégio de rever pessoas queridas, caminhar pelo centro, experimentar coisas diferentes, gravar com o Mangabinha e encerrar a noite entre amigos. Isso, pra mim, já fez o dia valer. Dá uma dorzinha na hora de ir embora de uma cidade onde a gente se sente recebido, mas a estrada para Cascavel ainda estava esperando.
No dia seguinte, 3 de janeiro de 2026, a manhã ainda rendeu café, despedida e uma parada numa panificadora indicada por uma amiga para comprar suprimentos para a estrada. Depois era apontar o carro para o Paranazão e seguir viagem. Mas essa volta final para Cascavel fica para o próximo relato.
E você, já passou por Uberlândia? Conhece o Terminal Central, a Praça Tubal Vilela, a Cachoeira do Sucupira ou o Parque Una? Conta aqui nos comentários, porque eu gosto é dessa troca de estrada com quem também vive o Brasil de verdade.
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