Tem dia que começa com uma pergunta simples: “quem foi que inventou viajar de carro em plena época de fim de ano?”. Pois no sábado, 20/12/2025, eu fiz essa pergunta sem nem abrir a janela direito, porque a gente acordou às 4:00 da manhã em Cascavel, no Paraná, e já foi entrando naquele modo automático de viagem: cabeça ainda meio sonolenta, corpo pedindo cama, e o coração dizendo “bora”.
Acontece que dessa vez não era só eu e minha digníssima: a gente tava em três no carro — eu, a esposa e a minha sobrinha Marianny, de 16 anos — e isso muda tudo, porque a viagem ganha conversa, risada, playlist discutida democraticamente (ou quase) e aquela responsabilidade extra de fazer a estrada render sem judiar de ninguém.
Eu vim ao mundo a passeio, e foi exatamente com esse espírito que, às 5:30 da manhã, a EcoSport apontou o nariz pra fora de Cascavel e a gente deu início ao primeiro capítulo das férias com destino final em Porto Seguro e outras cidades da Bahia.
Resumo
- Data: 20/12/2025 (sábado).
- Quem foi: Eu, esposa e Marianny (sobrinha).
- Carro: EcoSport.
- Saída: Cascavel às 05:30 (acordamos às 04:00).
- Parada da manhã: Posto em Boa Esperança (chocolate no carro).
- Maringá: Passagem rápida (chegamos 09:34 e seguimos).
- Almoço: Marmitex em Pirapozinho por R$ 25,00 (dividido pra 3).
- Objetivo do dia: Tentar chegar antes de anoitecer (não rolou).
- Chegada: Uberlândia por volta das 21:00.
- Destaque: Desvio de rota sem GPS, passando por São José do Rio Preto e Uberaba, e reencontro com amigos em Uberlândia.
Primeira cena: Cascavel 4:00
Vou te contar, viu: acordar 4:00 da manhã é um negócio que parece que o corpo tá em outro fuso horário. O ar ainda tava friozinho, a casa quieta, e o barulho mais alto era o da gente arrumando as últimas coisas sem fazer alarde. Eu já tinha aquela sensação de “se eu sentar no sofá, não levanto mais”. Então a regra foi simples: não pensar demais.
A Marianny tava naquele meio-termo clássico de adolescente viajante: animada por dentro, mas com cara de “me acorda quando chegar”. A esposa, organizada como sempre, conferindo o que tinha de água, carregador, documento e aqueles detalhes que salvam a viagem quando você menos espera. E eu… eu já tava com a cabeça no conteúdo: onde dava pra filmar, em que trecho a paisagem ia ficar bonita, e como contar essa história depois de um jeito que você consiga sentir o caminho junto com a gente.
Antes de sair, eu dei aquela olhada de “pai de família” no básico do carro: pneus, água, porta-malas e se tava tudo no lugar. Não tem glamour nenhum nisso, mas é o tipo de cuidado que evita dor de cabeça no meio do nada. E pra completar, fiz uma oração curta agradecendo ao Criador e pedindo uma viagem tranquila, porque estrada é boa, mas respeito é melhor ainda.
Saída 5:30: a EcoSport virou casa
Às 5:30, a gente saiu de Cascavel. Rua vazia, céu clareando devagar, e aquela sensação de que a cidade inteira ainda tava dormindo enquanto a gente já tava “adiantando a vida”. Rapaz, tem hora que eu acho que o melhor da viagem é justamente isso: o momento em que você deixa a rotina pra trás e vira passageiro do próprio plano.
E como a gente tava de carro, a EcoSport virou um pequeno universo: banco virou travesseiro improvisado, porta-copos virou “mesa de apoio”, e a gente foi ajeitando tudo do nosso jeito. A estrada ainda tava tranquila, e isso dá um alívio danado, porque começo de viagem em alta temporada pode ser uma loteria.
A playlist começou mansinha, depois já virou aquela mistura que só família entende: uma música que eu gosto, outra que a digníssima gosta, e a Marianny pedindo uma “mais animada” pra não dormir. E é nessas horas que eu vejo: viagem boa não é só paisagem, é convivência. Um fala, o outro responde, e quando vê já rodou mais de 100 km sem nem perceber.
Boa Esperança: um posto, um chocolate e a primeira troca de volante
Por volta das 8:30, a gente fez a primeira parada num posto em Boa Esperança. A ideia era simples: banheiro, esticar as pernas e dar uma acordada de verdade. Não lembro o nome do posto, mas lembro da sensação: aquele cheiro misturado de combustível com café vindo lá de dentro, gente entrando e saindo, caminhoneiro no ritmo próprio, e nós ali fazendo a pausa do jeito mais econômico possível.
A gente tomou um chocolate no carro mesmo. Eita coisa boa quando o lanche é simples, mas resolve. Nessa hora, minha esposa já assumiu mais a direção, porque ela dirigiu a maior parte do dia e, sempre que dava, a gente trocava pra ela descansar. E aqui vai uma verdade: em viagem longa, descanso não é luxo; é segurança.
Eu aproveitei a parada pra fazer gravações rápidas: o posto, a cara de “sono vencido”, e aquele clima de começo de aventura. Deixe comigo: eu gosto de registrar essas coisas pequenas porque elas viram memória de verdade. Foto de praia é linda, mas o que a gente mais lembra depois é do que aconteceu antes da praia.
Rodovia do Paraná: plantação, horizonte e vídeo de estrada
Depois da parada, seguimos rumo a Maringá. E nessa parte do Paraná, quando você olha pros lados, parece que o horizonte foi esticado com régua: plantações grandes, céu aberto e aquela luz da manhã que deixa tudo com cara de filme. Eu fui gravando alguns trechos da estrada e do entorno, principalmente quando a paisagem ficava mais “limpa”, sem muito poste, sem muita placa, só campo e asfalto.
Passamos por dois pedágios desativados. Isso é daquelas pequenas vitórias que ninguém comemora em voz alta, mas por dentro dá um sorriso. Porque quando a viagem é longa, qualquer economia ajuda a manter o orçamento respirando.
E eu fui reparando num detalhe curioso: quando a gente sai cedo assim, parece que até o carro “acorda junto”. O motor vai mais solto, a cabeça vai mais clara, e o tempo parece que passa diferente. Aí você entende por que tanta gente gosta de pegar estrada no escuro: é como se você ganhasse horas extras no dia.
Maringá 9:34: só passando (por enquanto)
Às 9:34, chegamos em Maringá. A cidade passou pela janela como quem diz “volta depois com calma”. A gente decidiu passar direto porque o plano do dia era ambicioso: tentar chegar em Uberlândia ainda naquele sábado. E quando você coloca uma meta dessas, tem que respeitar o relógio, senão o relógio é que te respeita… do jeito dele.
Mesmo passando sem parar, eu fiz aquele registro mental de criador de conteúdo: “um dia eu volto pra gravar com calma”. Porque cidade boa é assim, ela fica guardada no bolso da memória como promessa.
Pirapozinho 12:00: almoço estratégico por R$ 25,00
Meio-dia, parada estratégica em Pirapozinho. E quando eu digo estratégica, é estratégica mesmo: parar na hora certa evita mau humor, evita direção cansada e evita aquela fome que deixa qualquer conversa mais curta. Em 2023 a gente já tinha parado ali também, então foi quase como reencontrar um “velho conhecido” no caminho.
A gente comprou marmitex e dividiu pros três. Custou R$ 25,00 e resolveu a vida. Eu gosto desse tipo de economia porque não é passar aperto: é só não cair na armadilha de pagar caro em tudo só porque tá viajando. A comida tava com cara de comida de verdade, e naquela hora a melhor mesa do mundo era ali mesmo, no esquema simples.
Eu lembrava de ter visto um vídeo falando de um parque aquático em Pirapozinho e pensei “quem sabe um dia”. Sei não viu… mas essas promessas pequenas são as que mais viram viagem depois. A gente vai juntando “um dia eu volto” até que, quando vê, tá voltando.
Enquanto a gente comia, eu fiz aquelas gravações bem honestas: o prato, o jeito simples de viajar, e a conversa de quem tá planejando o próximo trecho. Não é propaganda de restaurante chique, é vida real na beira da estrada. E isso, no fim, conecta mais com quem tá lendo do que qualquer foto posada.
Às 12:38 já estávamos de volta na estrada. E aqui aconteceu um detalhe importante: o pensamento do dia era chegar antes de anoitecer, porque a gente não gosta de dirigir à noite. Só que, na prática, o Brasil nem sempre negocia com o nosso gosto.
Quando o plano muda: desligamos o GPS e fomos no “instinto”
No meio do caminho, a gente desconectou o GPS e pegou outro rumo, passando por São José do Rio Preto e Uberaba. A rota original seria por Frutal e Prata, mas acabamos mudando. E eu vou te dizer: tem hora que a estrada parece um tabuleiro e você é obrigado a jogar com as peças que aparecem.
Eu gosto dessa parte do “improviso consciente”: não é sair sem rumo, é recalcular com calma, olhar o que parece mais seguro e seguir. Minha esposa tava firme no volante, e eu fui ajudando como dava: conferindo placa, conversando pra manter a atenção, e segurando o clima leve, porque tensão dentro do carro cansa mais do que subida.
O bom é que essa mudança trouxe uma surpresa positiva: Uberaba agora está toda duplicada até Uberlândia, e isso dá uma tranquilidade danada na direção. Quando a pista abre, parece que a cabeça também abre. Minha esposa, que tava segurando a maior parte do volante, pôde respirar melhor, e quando dava eu assumia um pouco pra ela descansar.
O começo da noite: duas horas no escuro (e paciência no painel)
Mesmo com todo o esforço pra chegar antes do anoitecer, não teve jeito: rodamos cerca de duas horas à noite. E dirigir à noite tem um “peso” diferente: farol cansa mais, a atenção dobra, o corpo pede pausa. A gente foi no ritmo certo, sem pressa, porque pressa e estrada longa não combinam.
Nessa parte, eu aproveitei pra gravar menos e viver mais o momento, porque a segurança vem primeiro. O conteúdo a gente faz, mas a vida a gente preserva. E quando a noite chega na estrada, é impressionante como até o silêncio dentro do carro fica mais sério.
Uma coisa que ajudou foi manter o carro “organizado” por dentro. Parece bobagem, mas não é: quando tá tudo no lugar, você acha água rápido, acha carregador rápido, acha o que precisa sem ficar revirando mochila. Em viagem longa, o cansaço já é grande; não precisa adicionar bagunça como esporte.
Chegada em Uberlândia: abraço depois de dois anos
Chegamos em Uberlândia por volta das 21:00, já no finzinho do gás, depois de um dia inteiro de estrada. Aí veio a melhor parte: fomos direto pro apartamento da minha irmã, onde passamos a primeira noite. A gente demora a se ver — a última vez tinha sido em 2023 — então aquele encontro teve cara de “tempo perdido” sendo devolvido em poucos minutos, na base de colocar os assuntos em dia pessoalmente. Ela é a única da família que mora em Uberlândia, então toda vez que a gente pisa ali, não é só mais uma parada no mapa: é casa, é lembrança e é aquele sentimento bom de ver que, mesmo longe, família continua sendo porto seguro.
Mini-guia do primeiro dia (do jeito real, sem frescura)
Se você tá planejando sair do Paraná rumo ao interior de Minas (ou fazer um dia longo parecido), aqui vão algumas dicas práticas, do jeito que a gente aprendeu na marra:
- Saia cedo (cedo mesmo): acordar 4:00 e sair 5:30 faz o dia render, principalmente em época de movimento.
- Comida simples salva: marmitex dividido por R$ 25,00 pra três pessoas foi o tipo de escolha que segura o orçamento e mantém energia.
- Troque motorista sempre que possível: a Thaisa dirigiu a maior parte, mas as trocas ajudaram ela a descansar e manter atenção.
- Parada curta é parada eficiente: banheiro, alongar, água e volta pro asfalto; viagem longa não perdoa excesso de pausa.
- Não brigue com a noite, mas respeite: se precisar dirigir à noite, faça isso com calma, farol regulado, e sem inventar moda de correr.
- Rota alternativa pode ser bênção: às vezes sair do “padrão” ajuda, mas só faça isso com bom senso e atenção redobrada.
- Grave o que der, sem atrapalhar: estrada e paradas rendem história, mas em trecho crítico a prioridade é dirigir.
No fim das contas, esse dia foi a abertura perfeita da nossa série: um misto de planejamento, improviso e aquela sensação boa de estar indo atrás de algo que faz a gente se sentir vivo. A estrada pode cansar, mas ela também ensina. E quando a gente chega e encontra gente querida, dá vontade de dizer que valeu cada quilômetro.
