Porque você não precisa esperar ficar rico pra viajar muitas vezes por ano

A marmitex custou uns vinte reais. Sentei de frente pro mar e comi ali mesmo, ouvindo as ondas, enquanto os restaurantes da orla cobravam R$ 89,90 pela mesma vista privilegiada. E olha que a comida tava boa.
É por essas e outras escolhas que muitos chegam a conclusão que eu cheguei: viajar pelo Brasil não exige ser rico. Exige decidir o que fazer com o dinheiro que já passa pela sua mão todo mês. E é sobre essa decisão que eu quero conversar hoje.
Antes de dizer que não pode viajar, lê isso aqui
Nesse texto eu abro números reais das minhas viagens: o hotel que quase me fez desistir de economizar, a diferença absurda entre dois hotéis na mesma cidade, e um ônibus que todo mundo me mandou evitar. No fim, você vai fazer uma soma que talvez nunca tenha feito. E a conta fecha.
A conta que quase ninguém faz
Pega papel e caneta, ou a calculadora do celular mesmo. Soma o que saiu do seu bolso nos últimos doze meses com churrasco de fim de semana, choperia, barzinho, lanchonete no meio da semana. Agora soma as assinaturas: três, quatro streamings ao mesmo tempo, sendo que não sobra tempo nem pra ver o catálogo de um deles direito. E o celular novo todo ano? O antigo ainda tirava foto boa, mas foi trocado assim mesmo e junto com ele um novo carnê de pagamento.
Aí que tá: eu não tô dizendo pra você cortar tudo e virar monge. Cada um sabe onde aperta o sapato. Só tô dizendo pra somar. Porque essa soma, em muita casa, paga uma semana inteira de viagem com hospedagem, comida e combustível. Não somou, não viaja. É prioridade, e prioridade se enxerga com número na frente.
Hospedagem: é aqui que o dinheiro escorre
Olha só o que aconteceu comigo em Manaus. Na primeira noite fiquei num hotel perto do aeroporto por uns trezentos e sessenta reais a diária, sem café da manhã. Depois mudei pro Amazônia Tower Hotel, no centro: R$ 114,28 por noite, com café incluído, quarto espaçoso e perto de tudo que eu queria conhecer. Mesma cidade, mesma viagem, mesmo eu. A diferença de uma escolha dessas, numa semana, paga outra viagem.
Minha regra é simples: hotel serve pra dormir e tomar café. O resto do dia você tá na rua, conhecendo a cidade. Então pra que pagar caro por vista de praia ou por estar colado no ponto turístico? Pousada ou hotel mais afastado, algumas quadras pra dentro, e o preço despenca.
Mas tem o outro lado, e eu aprendi na pele. Em Fortaleza, uma vez, fiquei num hotel de R$ 130,50 a noite que parecia negócio bom. Roupa de cama com problema de limpeza, sensação de insegurança o tempo todo. Ficamos uma noite só e saímos. Economia demais também sai caro. Minha referência hoje: nota abaixo de 7 nos aplicativos de reserva, desconfie. O equilíbrio é hotel com nota boa, só que afastado da região cara.
Comida: coma como quem mora lá
Almoçar na orla é gostoso, mas faz isso um dia só. Tira a foto, aproveita o momento, e pronto. No resto da viagem, procura restaurante de bairro, onde o povo da cidade almoça de verdade. E a marmitex, que abriu esse texto, costuma sair até uns 40% mais barata do que sentar no restaurante. Comi várias vezes de frente pro mar e não me arrependi de nenhuma.
Em Jericoacoara isso ficou claro. Dentro da Lagoa do Paraíso, o almoço saía por uns trinta e cinco reais por pessoa. Num restaurante fora da área, o Degustar, vinte e cinco. Dez reais de diferença por pessoa, por refeição. Num casal, numa semana, isso vira o valor de um passeio inteiro. Só um cuidado: saindo da área de preservação, confere se você consegue voltar sem pagar de novo.
Transporte: o ônibus que me mandaram evitar
Quando falei que ia andar de transporte público em São Luís, no Maranhão, veio gente avisar que era perigoso, que não era pra ir. Fui assim mesmo, eu e minha digníssima. E sabe o que encontramos dentro do ônibus? Gente trabalhadora indo pro serviço, cochilando na janela, vivendo a vida normal de qualquer cidade do Brasilzão. Nenhum problema, nenhum susto.
Agora, sem romantizar: requer cautela. Morador de lá mesmo comentou que certos horários pedem mais atenção. De noite a gente não testou, então essa parte fica em aberto. Minha regra é observar como o povo local se comporta, andar de dia, sem ostentar equipamento, e perguntar no comércio ou na hospedagem quais linhas e horários são tranquilos. Se a cidade for muito violenta, aí não compensa: melhor um aplicativo de corrida dividido, que ainda sai bem mais barato que carro alugado parado na diária.
E quando o trecho é maior, a van resolve. De Fortaleza pra Jericoacoara paguei oitenta reais por pessoa, saindo às 3h30 da madrugada. Acordar nesse horário nas férias dói, não vou mentir. Mas o motorista conhece o caminho, você não desgasta seu carro na areia e chega inteiro pra aproveitar o dia.
Baixa temporada
Dezembro a fevereiro é caro. Julho também. Fora desses meses, o mesmo quarto custa menos, a mesma praia tem menos gente e a mesma foto sai sem trinta cabeças no fundo. Viajei muito nesses períodos e nunca me faltou paisagem.
Se você quer esticar o dinheiro da viagem, olha isso aqui
- Baixe os aplicativos das companhias aéreas (Gol, Azul, LATAM) e de reservas (Booking, Airbnb) e entre nos programas de pontos. Com o tempo, vira desconto de verdade.
- Indo de carro, use aplicativo de cashback nos postos, como o Shell Box. No fim do ano, a economia surpreende.
- Pousada ou flat com cozinha equipada corta muito o gasto com refeições, principalmente em estadias mais longas.
- Mesmo na baixa temporada, reserve com antecedência. Preço bom some rápido.
- Leve lanche de casa pro aeroporto. Preço de comida em aeroporto é outro assunto.
No fim das contas, quem viaja é quem decide viajar
Aquela marmitex de uns vinte reais acabou rápido. A vista, não. E o dinheiro que sobrou naquele dia pagou parte do passeio do dia seguinte. É assim que a viagem se paga: uma escolha pequena de cada vez, sem glamour nenhum.
Então me responde com sinceridade: se você somasse agora o que gastou nos últimos doze meses com coisas que nem lembra mais, dava quantos dias de estrada? Escreve aí nos comentários que eu quero ver essa conta.
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