Sabe aqueles momentos que marcam nossa vida para sempre? Hoje quero compartilhar com você uma história especial, que moldou quem eu sou. Era o começo dos anos 80, a chamada “década perdida” para muitos, mas que, ironicamente, me presenteou com as lembranças mais preciosas da minha infância.
Resumo
- Época: Anos 80
- Local: Interior da Bahia
- Principais experiências: Viagens em família, aventuras na estrada, superação de desafios
- Curiosidade: Meu pai aprendeu a ler sozinho através de jornais velhos
Uma Infância Sobre Rodas
Meus pais, ambos com cerca de 34 anos na época, viviam uma vida que hoje muitos chamariam de “nomadismo”. A diferença é que eles não escolheram esse estilo de vida por modismo – era a realidade deles, com três filhos pequenos, viajando num Fusca pelas estradas da Bahia. Meu pai trabalhava como vendedor em feiras livres, enquanto minha mãe cuidava de nós três, com idades entre 4 e 6 anos.
Superação e Aprendizado
Olhando para trás, fico admirado com a coragem desse casal. Minha mãe estudou até a 4ª série, e meu pai? Rapaz, esse foi um guerreiro que nunca pisou numa sala de aula, mas fez algo extraordinário: aprendeu a ler sozinho, decifrando letras em pedaços de jornais velhos. Não era uma leitura perfeita, mas era o suficiente para navegar pelas estradas do sertão bahiano.
Aventuras e Perrengues na Estrada
Era uma época diferente – sem cinto de segurança, sem airbag, e com leis de trânsito bem mais simples. Passamos por situações que hoje me fazem balançar a cabeça de espanto. Uma vez, nosso Fusca quase capotou ao passar por uma pedra, andando em duas rodas por alguns segundos. E olha só que história: teve um dia em que o carro só funcionava de ré, e meu pai? Dirigiu 30 quilômetros assim mesmo até a próxima cidade!
O Chevette que Virou História
Em Caculé, na Bahia, vivemos um momento que exemplifica perfeitamente o espírito do meu pai. Ele comprou um Chevette zero quilômetro – uma conquista e tanto para a época. Na primeira volta pela cidade, o carro pegou fogo. Enquanto os moradores se espantavam com sua calma diante da situação, ele apenas sorriu e disse: “Não adianta chorar. Não vai trazer o carro de volta”.
O Legado das Estradas
Essas aventuras duraram até meus 7 anos, quando a necessidade de estudar nos fez criar raízes. Mas o espírito aventureiro? Esse ficou guardado em mim. É por isso que hoje, sempre que posso, pego a estrada para conhecer novos lugares e criar novas histórias – só que agora com um pouco mais de conforto e segurança!
Reflexões de um Viajante
Essa infância nômade me ensinou que não são os lugares que fazem a viagem, mas as pessoas com quem compartilhamos o caminho. Me mostrou que os melhores momentos às vezes vêm dos maiores desafios, e que um sorriso e uma boa história podem surgir até mesmo das situações mais difíceis.
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E você, tem alguma história de viagem em família que marcou sua vida? Compartilhe nos comentários – adoraria conhecer suas memórias também!
