Viajar de carro é aceitar uma verdade simples: o destino pode até ser o motivo da viagem, mas é a estrada que escreve boa parte da história.
Foi assim na nossa ida para o show do Alceu Valença, em Curitiba. Antes da música, veio a BR-277. Antes do palco, vieram o frio de abril, o céu vermelho no amanhecer, cinco pedágios no caminho, uma marmitex dividida, o Parque Estadual de Vila Velha e um hotel em Ponta Grossa que quase virou missão de resgate.
A ideia era simples no papel: sair de Cascavel, cruzar uma boa parte do Paraná, visitar Vila Velha, dormir pelo caminho e seguir no dia seguinte até Curitiba. Só que viagem real não respeita roteiro bonito. Ela coloca fome, obra, hotel caro, GPS perdido e uma ou outra surpresa pra lembrar que estrada também tem vontade própria.
Resumo da viagem
Data: 24 de abril de 2026.
Trajeto do dia: Cascavel até Ponta Grossa pela BR-277.
Saída: 6h13, perto da Havan de Cascavel.
Combustível: R$ 153,56 de etanol, a R$ 4,49 o litro.
Pedágios: R$ 74,20 em cinco cobranças na tag.
Almoço: 1 marmitex de R$ 20,00 dividida pra dois.
Passeio principal: Parque Estadual de Vila Velha, com ingresso de R$ 70,00 por pessoa.
Hospedagem: Hotel Pousada La Vierro, em Ponta Grossa, por R$ 193,25.
Momento marcante: a mudança de planos no fim do dia e o resgate do hotel no meio da obra.
A BR-277 antes do sol aparecer de vez
Às 6h13, entramos na BR-277, no km 597, perto da Havan de Cascavel. O céu começava a ficar vermelho e a luz cortava a neblina baixa nas áreas de lavoura. Era uma daquelas cenas que fazem a gente lembrar por que gosta tanto de pegar estrada, mesmo sabendo que logo ali na frente vem pedágio pra lembrar que passeio também tem boleto.
Minha esposa assumiu o volante nessa viagem e eu fui no banco do passageiro fazendo o que consigo fazer melhor quando não estou dirigindo: gravar, fotografar, anotar gastos, olhar a rota, mexer no notebook e tentar não atrapalhar demais. O carro virou quase um escritório móvel, só que com frio, rodovia e araucária aparecendo do lado de fora.
A BR-277 é uma daquelas estradas que mostram bem a força do Paraná. Ela atravessa o estado de oeste a leste e liga regiões agrícolas importantes ao caminho do litoral. Saindo de Cascavel, a paisagem vem com lavouras, caminhões, postos, subidas, descidas e aquele movimento forte de quem sabe que essa estrada não é só de passeio. É rota de trabalho, carga, turismo e muita história passando o tempo todo.
As araucárias começaram a aparecer com aquela presença bonita do Sul. Quem mora no Paraná talvez já esteja acostumado, mas pra mim ainda chama atenção. Tem um jeito próprio de terra fria, pinhão, chimarrão e manhã gelada. Eu, que venho do calor, fico observando como quem ainda está aprendendo a ler a paisagem.
Pedágio: a primeira pancada no bolso
A viagem estava bonita, o céu ajudando, o frio dando aquele clima de estrada, mas o bolso levou a primeira beliscada cedo. Às 6h43, logo na saída de Cascavel, veio o primeiro pedágio: R$ 15,50. A tag leu, a cancela abriu e a gente passou direto. Prático é. Barato, nem um pouco.
Depois vieram outros. Às 8h09, R$ 15,20. Às 9h25, perto de Guarapuava, R$ 16,10. Às 10h40, na ponte sobre o Rio Chachim, R$ 16,70. E às 11h58, mais R$ 10,70, quando já estávamos a mais ou menos 50 km de Ponta Grossa.
No total, foram R$ 74,20 só em pedágio naquela manhã. Eu entendo que rodovia precisa de manutenção, segurança e estrutura. Agora, quando a gente paga esse tanto e ainda pega trecho sem acostamento bom e sem duplicação, fica difícil engolir calado. Quem vai cruzar o Paraná de carro precisa colocar pedágio no orçamento antes de sair de casa. Não é trocadinho, principalmente em viagem longa.
Combustível, conta rápida e estrada comprida
Às 7h06, paramos pra abastecer no km 544 da BR-277, perto de Guaraniaçu. O etanol estava R$ 4,49 o litro e colocamos R$ 153,56, pouco mais de 34 litros. Naquele momento, o etanol estava compensando mais que a gasolina, então a conta fez sentido.
Quem viaja de carro sabe: combustível vira quase um personagem da história. Você olha o preço no posto, lembra do consumo do carro, confere o GPS, calcula distância e tenta prever se vai dar bom. É uma matemática meio emocional. Às vezes a conta fecha. Às vezes a gente só respira fundo e segue.
Nessa parte do caminho, o oeste e o centro do Paraná vão se misturando pela janela. Tem lavoura, caminhão, posto, trechos com relevo mudando e bastante movimento de BR. Não é só uma estrada pra chegar em Curitiba. É um corredor importante, usado por quem viaja, por quem trabalha e por quem transporta a produção que cruza o estado.
A marmitex que salvou o almoço
Perto do meio-dia, ali entre Bituva e Vila Velha, encontramos um posto com restaurante e resolvemos fazer uma parada rápida. Não foi almoço arrumadinho de viagem planejada. Foi comida de estrada, daquelas que resolvem a vida sem muita conversa.
A opção que salvou foi uma marmitex de R$ 20,00 dividida pra nós dois. Não vou inventar aqui que tinha isso ou aquilo, porque o que ficou registrado mesmo foi o principal: custou pouco, matou a fome e não atrasou a programação. Tem hora que viajar bem é exatamente isso, comer o suficiente, gastar pouco e seguir em paz.
Nada contra quem gosta de parar em restaurante maior, pedir prato completo, sobremesa e café. Mas no nosso estilo, quando dá pra economizar sem passar aperto, a gente economiza. Esses R$ 20,00 bem gastos fizeram sentido, porque ainda tinha ingresso, estacionamento, hospedagem e muita estrada pela frente.
Chegada ao Parque Estadual de Vila Velha
Às 13h, chegamos ao Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa. Foram quase sete horas desde Cascavel. A coluna já sabia que estava em viagem, a perna queria esticar e a cabeça continuava animada com o que vinha pela frente.
Às 13h20, compramos os ingressos. Foram R$ 70,00 por pessoa, R$ 140,00 pra dois. Embarcamos no ônibus interno do parque e seguimos para o passeio principal, aquele da famosa Taça, a formação rochosa mais conhecida de Vila Velha.
Esse é o tipo de lugar que pede calma. As pedras ficam ali, enormes, com formas curiosas, marcadas pelo tempo, pelo vento e pela chuva. Não é passeio de correria. É pra caminhar, olhar, gravar, fotografar e tentar entender como aquele cenário foi tomando forma ao longo dos anos.
Às 15h, terminamos o passeio principal e o ônibus passou pra levar a gente de volta à entrada, seguindo para a próxima parte. Nessa hora as baterias dos equipamentos já estavam baixando. Câmeras perto de 50%, celular com 36%, e eu naquele dilema de produtor de conteúdo: olhar a paisagem ou olhar a porcentagem da bateria?
Lagoa Dourada, Furna e fim de tarde
Às 17h, continuamos os passeios em Vila Velha, passando pela Lagoa Dourada e pela Furna. O estacionamento ficou em R$ 30,00, e seguimos fazendo foto, vídeo curto e gravações. O dia já estava naquela luz de fim de tarde, bonita para imagem e perigosa para quem ainda precisa resolver hospedagem depois.
A Lagoa Dourada tem um nome que combina com o horário certo, porque a luz muda bastante no fim do dia. Já a Furna impressiona pelo tamanho e pela profundidade. Não vou entrar em detalhes técnicos aqui, porque esse primeiro post é sobre a saída da viagem, mas Vila Velha merece um texto próprio, com mais calma.
Na saída do parque, o plano original era seguir até a Lapa e dormir por lá. Mas quando fomos pesquisar hospedagem, praticamente só apareceu uma opção por R$ 308,00. Para quem só queria passar algumas horas dormindo e seguir viagem no outro dia, achei pesado demais.
Foi aí que decidimos mudar a rota e voltar cerca de 30 km para procurar hospedagem em Ponta Grossa, uma cidade maior, com mais estrutura, mais opções de comida e uma chance melhor de encontrar preço dentro da realidade. Às vezes, o melhor planejamento da viagem é saber mudar de ideia sem transformar isso em drama.
Ponta Grossa no começo da noite
Chegando ao centro de Ponta Grossa, a cidade me surpreendeu. Já passava das 18h, mas ainda tinha bastante movimento, lojas abertas, vitrines iluminadas e aquele vai e vem típico de cidade grande do interior.
Eu gosto de centro de cidade. Ali você sente o lugar funcionando de verdade. Não é só ponto turístico. É gente saindo do trabalho, comércio aberto, trânsito, placas, prédios antigos, loja baixando porta e vida acontecendo sem ensaio.
Ponta Grossa tem uma ligação forte com os Campos Gerais e com o tropeirismo. A cidade cresceu como ponto de passagem, comércio e circulação de viajantes que cruzavam essa região do Paraná. Isso ajuda a entender o centro, os prédios antigos e o jeito como ela funciona até hoje como base para quem está atravessando o estado.
Vimos algumas opções de lanche com preço bom no centro, mas acabamos indo para o shopping. Às 19h30, jantamos por R$ 23,00 por pessoa. Depois de um dia desses, qualquer comida simples vira solução. A fome não discute muito o cardápio. Ela só quer resolver.
O hotel que quase virou missão de resgate
Por volta das 20h, reservamos o Hotel Pousada La Vierro, em Ponta Grossa, por R$ 193,25 a diária. O preço estava bom e o plano parecia simples: chegar, tomar banho, descansar e no outro dia seguir viagem, porque ainda tinha Lapa, Estrada da Graciosa, Curitiba e, finalmente, o show do Alceu.
Só que às 20h13 começou a novela. A região estava com obra e reforma na rodovia, e a entrada do hotel estava difícil de achar. A gente deu duas voltas e nada. Escuro, movimento, rotatória, GPS meio perdido e a paciência quase pedindo demissão.
Ligamos no hotel e o pessoal foi muito prestativo. Disseram que, se precisasse, alguém iria buscar a gente. E foi exatamente o que aconteceu. Às 20h48, eles vieram de carro, nos encontraram na rotatória e guiaram a gente até a entrada certa. No escuro, com movimento ao redor, achei melhor não bancar o valente. Prudência também faz parte do roteiro.
Quando chegamos, veio a recompensa. O hotel era muito bom, com jeito de hotel fazenda, área bonita, tudo organizado e limpo. A acomodação tinha dois quartos, uma cama de casal e duas camas de solteiro. Depois de um dia que começou às 4h30, aquilo ali parecia um abraço.
Dicas práticas para fazer esse trecho
Saia cedo: sair de Cascavel às 6h13 ajudou bastante. A estrada rendeu melhor pela manhã e conseguimos chegar em Vila Velha com tempo para fazer os passeios principais.
Coloque os pedágios na conta: só nessa manhã foram R$ 74,20 em cinco cobranças. Em viagem longa pelo Paraná, esse valor pesa.
Use tag de pedágio: não deixa a viagem mais barata, mas evita parar em cada praça. Em dia de estrada comprida, isso ajuda.
Abasteça com inteligência: pagamos R$ 153,56 de etanol, a R$ 4,49 o litro. Vale conferir o preço e fazer a conta entre etanol e gasolina antes de completar.
Reserve bateria: celular, câmera, drone e microfone descarregam rápido quando você grava o dia inteiro. Em Vila Velha, isso faz diferença.
Vá a Vila Velha com tempo: o parque tem ônibus interno, paradas diferentes e atrações que pedem calma. Chegar muito tarde pode deixar tudo corrido.
Use Ponta Grossa como base: se a hospedagem em cidades menores estiver cara ou limitada, Ponta Grossa pode ser uma opção melhor por ter mais estrutura.
Confira bem a localização da hospedagem: no nosso caso, a entrada do hotel ficou complicada por causa de obras e pouca visibilidade à noite.
A estrada antes da música
Esse primeiro dia ainda nem tinha Alceu no palco, mas já tinha história de sobra. Teve céu vermelho, pedágio caro, etanol calculado, marmitex dividida, Vila Velha, bateria acabando, centro movimentado, shopping, mudança de planos e hotel difícil de achar.
Eu sei que muita gente quer logo saber como foi o show. Calma que a música chega. Mas eu gosto de contar a viagem inteira porque, pra mim, o caminho não é só deslocamento. É parte da memória. É ali que a gente ri, reclama, calcula, se encanta, erra entrada, pede ajuda e descobre que viajar também é viver a estrada.
No fim das contas, esse dia me lembrou uma coisa simples: viagem de carro nunca é só querer chegar. É o roteiro que muda, o hotel que não aparece, o pedágio que irrita, a comida simples que resolve, a paisagem que surpreende e a companhia que transforma o caminho em lembrança boa.
E você, já fez esse trecho pela BR-277? Também acha os pedágios do Paraná pesados ou estou reclamando com razão? Conta aí nos comentários, porque conversa de estrada sempre rende.
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