A música já tinha acabado, o povo já estava indo embora do Igloo Super Hall, mas Alceu Valença ainda parecia tocando dentro da cabeça da gente.
É curioso isso. O show termina, a luz acende, o pessoal começa a procurar a saída, mas por dentro a pessoa continua lá, ouvindo sanfona, voz bonita e aquele restinho de empolgação que não desliga junto com o palco. A gente saiu de Curitiba assim: cansado, feliz e com a perna pedindo uma reunião urgente.
Só que viagem não quer saber se você dormiu pouco.
Depois da meia-noite, ainda chegamos na Pousada Betânia com equipamento espalhado, cartão de memória cheio, bateria pra carregar e um roteiro inteiro esperando no dia seguinte. Tinha Morretes, Matinhos, chuva, almoço na beira do rio e um susto com o Mangabinha que quase me fez aposentar o controle do drone por uns dias.
Resumo da viagem, sem enfeitar muito
Quando foi: 26 de abril de 2026, no dia seguinte ao show do Alceu Valença em Curitiba. Ou seja, já começamos o roteiro devendo sono.
Por onde passamos: saímos da Pousada Betânia, pegamos a BR-277, paramos em Morretes, ficamos um tempo perto do rio Nhundiaquara e terminamos o dia em Matinhos, na região da Praia Brava.
Gastos que chamaram atenção: almoço de R$ 31,00 pra duas pessoas, R$ 100,00 de etanol, pousada por R$ 230,40, jantar por R$ 82,50 e uma água de coco de R$ 20,00 que ficou só no olhar mesmo.
Perrengues do pacote: cartão cheio, chuva forte, bicicleta cara e o Mangabinha quase se aposentando antes do tempo perto da Ponte de Guaratuba.
Resumo sincero: foi um dia nublado, corrido, meio bagunçado e com mais história do que descanso. Do jeito que muita viagem real acaba sendo.
A pousada, o frio e a bagunça dos equipamentos
Chegamos na pousada já depois da meia-noite. O plano bonito era descarregar os arquivos da câmera, salvar tudo com calma, organizar os vídeos e dormir com a consciência tranquila.
Bonito no papel.
Na prática, o corpo olhou pra mim e falou: hoje não. Depois de um dia inteiro rodando, passando por Lapa, Estrada da Graciosa, trânsito de Curitiba e show à noite, ninguém ali estava com energia sobrando. A câmera estava cheia, o sono estava pesado e a solução foi no improviso: pegamos o cartão do Mangabinha, que quase não tinha sido usado, e colocamos na DJI Osmo Pocket 3.
Viajar gravando conteúdo é bonito depois que o vídeo está publicado. Na hora, meu amigo, é cabo pra todo lado, carregador sumindo, bateria piscando, celular pedindo tomada e aquela pergunta que aparece bem na hora errada: será que eu salvei tudo?
E tinha o frio de Curitiba. Não era aquele frio dramático de filme, mas era um frio quieto, que entra no pé, sobe devagar e começa a incomodar quando você percebe que já está tarde demais pra procurar mais uma coberta.
Mesmo morando há anos no Paraná, eu continuo achando que, pra dormir bem nesse frio, tem que ter muito pano. Muito mesmo.
A BR-277 antes da chuva chegar
No outro dia, a ideia era aproveitar a manhã antes da chuva apertar. A previsão não estava animadora, então resolvemos sair cedo rumo a Morretes pela BR-277. Como no dia anterior a gente já tinha feito a Estrada da Graciosa, dessa vez fomos pelo caminho mais direto.
Bom, direto não quer dizer sem graça. Saindo de Curitiba, a paisagem muda aos poucos. A área urbana vai ficando pra trás, a Serra do Mar começa a aparecer e o verde toma conta da janela. Com o céu fechado, tudo parecia mais úmido. Tinha aquele cheiro de mata molhada no ar, mesmo antes da chuva cair de verdade.
A BR-277 não é só uma estrada bonita pra turista. Ela tem caminhão, carga, movimento pesado e uma importância enorme pro Paraná, porque liga regiões do estado ao litoral e ao Porto de Paranaguá. Você percebe isso no caminho. Não é uma rodovia de passeio tranquilo o tempo todo. Tem ritmo de trabalho ali.
No caminho ainda teve a praça de pedágio no km 60, com placa mostrando R$ 24,00 pra utilitário e deixando a gente meio sem saber o valor certinho pro carro pequeno. Olha, pedágio já pesa no bolso. Quando a informação não fica clara, pesa duas vezes: uma no dinheiro e outra na paciência.
E o etanol perto de Curitiba também não colaborou muito. Vimos litro a R$ 5,20.
Aí você já sabe…
Começa aquela conta mental automática. Quem viaja de carro entende bem isso. O combustível muda o humor do motorista, do passageiro e até do roteiro. Tem passeio que a gente faz. Tem passeio que a gente olha o preço do litro e resolve pensar melhor.
Morretes, do jeito dela
Chegamos em Morretes por volta das 10h. A cidade estava com aquele jeito de domingo turístico: gente caminhando devagar, lojinhas abertas, cheiro de comida aparecendo aqui e ali, e o rio Nhundiaquara passando pelo meio de tudo como se estivesse organizando a paisagem.
Eu gosto de Morretes porque ela não precisa ficar se explicando muito. Você caminha um pouco e já entende o movimento: casarões antigos, restaurante, trem, ponte, rio, loja de lembrancinha e turista tentando decidir onde senta, onde come e onde tira foto.
Mesmo com o céu nublado, ou talvez por causa dele, o lugar tinha uma cara boa de fotografar. Nada de luz estourada. Nada daquele calor castigando. O ar estava mais fresco, o rio fazia aquele barulho constante de água correndo e o verde ao redor parecia mais fechado.
Gravamos no centro, fizemos imagens perto do rio, passamos pelas lojinhas e subimos o Mangabinha em pontos diferentes. Do alto, Morretes fica mais fácil de entender. O rio faz curva, as casas aparecem no meio das árvores e a cidade parece pequena, mas cheia de movimento.
Agora, precisa andar com o bolso acordado. A água de coco estava R$ 20,00. Vinte conto. Eu gosto de água de coco, mas naquele momento ela não gostou do meu orçamento.
A gente agradeceu e seguiu seco mesmo.
Em compensação, encontramos uma lembrancinha simples por R$ 10,00 numa lojinha do centro. Aí sim. Gasto pequeno, lembrança garantida e sem aquela sensação de ter sido atropelado pelo cartão.
A marmitex salvou o almoço
Ao meio-dia, a fome chegou sem pedir licença. E quando a fome chega em cidade turística, o orçamento fica esperto na hora. Nos restaurantes, a média estava perto de R$ 49,00 por pessoa. Pra duas pessoas, colocando bebida e qualquer detalhe a mais, a conta ia fácil pra R$ 120,00 ou R$ 130,00.
Aí veio a solução que já salvou muita viagem nossa: marmitex. Compramos uma marmitex média por R$ 24,00, pegamos uma Coca-Cola e fechamos tudo em R$ 31,00 pra duas pessoas. No fim, deu R$ 15,50 pra cada.
Aí o bolso respirou.
Sentamos na beira do rio Nhundiaquara, num espaço com mesa e banco de concreto. Nada chique. Nada montado pra foto. Só a comida, o barulho da água correndo, gente passando e aquele céu meio indeciso, como quem estava escolhendo se desabava ou segurava mais um pouco.
A comida estava boa, mas vou falar a verdade: a marmita da Lapa, do dia anterior, ganhou na comparação. Mesmo assim, comer ali teve seu valor. Às vezes o lugar melhora a refeição. E naquele caso, o rio ajudou bastante.
Ah, esqueci de mencionar uma coisa: nessa hora a gente já estava naquela mistura de turista com produtor de conteúdo. Come, olha o rio, grava uma tomada, confere se o áudio pegou, volta pra comida. É descanso, mas nem tanto.
Matinhos entrou na conversa
Saímos de Morretes por volta das 13h14 rumo a Matinhos. No caminho, colocamos R$ 100,00 de etanol a R$ 4,79 o litro no Posto Robassa. Depois de ver etanol a R$ 5,20 perto de Curitiba, esse preço pareceu menos dolorido. Ainda dói, mas dói mais educado.
Matinhos a gente já conhecia, mas estava ali perto. E quando você está perto do mar, fica difícil ignorar. O plano era simples: caminhar na praia, gravar umas imagens, talvez entrar um pouco na água e sentir o clima do litoral.
Chegamos por volta das 14h. O tempo estava nublado, com alguns respingos e aquele vento que deixa a praia com cara de “vai dar ruim, mas ainda dá tempo”. A areia estava mais fria, o mar meio quieto e o céu pesado. Mesmo assim, praia chama a gente. É um problema sério.
Às 16h13 confirmamos a Pousada Praia Brava pelo Booking. A diária ficou em R$ 230,40, com suíte standard, café da manhã incluído e estacionamento. Achei um valor aceitável pro momento, principalmente porque a chuva já estava rondando e a gente precisava de um ponto de apoio.
Quase perdi o Mangabinha
Na Praia Brava ainda deu tempo de caminhar, entrar no mar, gravar alguns vídeos e subir o Mangabinha. O litoral do Paraná tem um jeito bem diferente do litoral do Nordeste. Aqui o vento muda rápido, o céu pesa mais e, às vezes, parece que a praia pede chinelo e casaco ao mesmo tempo.
Mas como é que entra no mar com tempo nublado? Pois é. Quando o sujeito sai do Ceará, mora no Paraná e vê praia, ele entra nem que seja só um pouco.
Eu entrei.
Não vou dizer que fiquei muito tempo, porque minha coragem tem limite e a água não estava exatamente convidando pra uma conversa longa. Mas deu pra sentir o mar, tomar aquele vento no rosto e lembrar que litoral, mesmo nublado, ainda mexe com a gente.
O susto veio quando subi o Mangabinha pra filmar a nova Ponte de Guaratuba, que dali de Matinhos dava pra ver. Do chão, a obra parecia meio confusa, com cara de serviço ainda acontecendo. Lá de cima, dava pra perceber melhor a estrutura, já bem adiantada naquele fim de abril.
Aí apareceram uns fios quase invisíveis no meio do voo. O drone parou de responder por alguns segundos. Eu mexia no controle e nada. A mão ficou gelada, o coração acelerou e aquele barulhinho do drone, que normalmente é até bonito de ouvir, virou som de preocupação.
Pronto, pensei. Perdi.
Esperei um pouco, respirei, mexi de novo com cuidado e ele respondeu. Joguei pro lado do mar, longe dos fios, e consegui trazer o bichinho de volta. O drone voltou inteiro. Eu também, mas com o juízo meio desalinhado.
Minha opinião? Perto de ponte, obra, fio e estrutura alta, não dá pra confiar só na tela. Tem que olhar o ambiente com calma antes. Fio fino é traiçoeiro demais.
Naquele dia, a Ponte de Guaratuba ainda estava prestes a ser inaugurada. A gente viu a estrutura quase pronta, mas ainda não atravessou. Poucos dias depois, em 1º de maio de 2026, veio a inauguração oficial, e no dia 3 de maio o tráfego foi liberado definitivamente. Passamos ali bem no finalzinho da espera.
Chuva, bicicleta cara e tomada pra todo lado
Por volta das 16h29, a chuva chegou de verdade. Não foi garoa educada. Foi chuva forte, daquelas que fazem o turista procurar abrigo e fingir que já estava mesmo planejando descansar.
O bom é que antes disso deu tempo de gravar, caminhar, entrar no mar e subir o drone. Então, olhando com calma, até que a gente aproveitou bem. Mas na hora da chuva bate aquela sensação de “pronto, acabou o roteiro”.
Depois que a chuva aliviou, fomos caminhar pela avenida litorânea principal de Matinhos. A orla estava com pouco movimento, aquele clima de domingo nublado fora de temporada. Tinha cheiro de chuva no asfalto, vento úmido vindo do mar e pouca gente na rua.
Às 17h45 pensamos em alugar bicicleta. Só que o valor era R$ 30,00 por 30 minutos. Trintão por meia hora. Eu olhei e pensei: a bicicleta até pedala, mas a conta vem pedalando atrás.
Pra nós, naquele momento, não compensou.
Voltamos pra pousada, tomamos banho, descansamos e colocamos tudo pra carregar: drone, câmera, celulares, baterias e a paciência. Depois de um dia inteiro gravando, tudo precisava de tomada. Inclusive eu.
A janta não queria facilitar
Às 19h30 saímos pra procurar jantar. A ideia era achar algo simples, perto e com preço razoável. Só que a realidade veio diferente. Demos uma volta pela região e os restaurantes estavam levando a conta fácil pra R$ 120,00 ou R$ 130,00 pra duas pessoas.
Tentamos achar quiosque mais em conta na orla, mas estava tudo fechado. Pode ter sido a chuva, o domingo à noite, a baixa temporada ou a combinação dos três. No litoral, fora de temporada, o movimento some rápido.
Some mesmo.
Entramos ainda num shopping pequeno perto da Pousada Praia Brava. O lugar era bonito, tinha praça de alimentação, lojinhas e espaço infantil. Mas, de novo, os preços não conversaram com nosso orçamento. Eu até gosto de lugar arrumadinho, mas quando a conta começa a subir demais, o ânimo muda ligeiro.
O plano B já era abrir o iFood e pedir alguma coisa na pousada. Aí apareceu a Daka Petiscaria, em frente à praia. Pedimos dois lanches completos e um refrigerante de laranja. Pagamos R$ 82,50 no Pix.
Não foi barato como a gente queria, mas ficou bem abaixo dos R$ 120,00 ou R$ 130,00 que estávamos vendo por ali. A comida estava muito boa. À noite não dava pra ver o mar, porque estava tudo escuro, mas dava pra sentir a praia ali perto. Tinha vento úmido, rua molhada e o som da chuva voltando aos poucos.
Quando sentamos, tinha parado de chover. No meio do jantar, a chuva voltou.
Foi bem a cara do dia: a gente resolvia uma coisa, o céu inventava outra.
Se você for fazer esse roteiro, olha isso aqui
Morretes pela manhã funciona melhor. A cidade é pequena, mas pede calma. Chegar cedo ajuda a caminhar perto do rio, olhar as lojinhas e escolher onde comer sem pressa. Se for correndo, você passa pelo lugar e não sente o lugar.
Comida pode pesar no bolso. Restaurante em área turística nem sempre conversa com o orçamento. No nosso caso, a marmitex resolveu bem e ainda deu pra comer perto do rio. Sem luxo, mas com uma cena boa.
Presta atenção nos gastos pequenos. Água de coco de R$ 20,00 e bicicleta de R$ 30,00 por 30 minutos parecem detalhe, mas somando tudo a viagem fica mais salgada. Eu não paguei nenhum dos dois naquele dia e não me arrependo.
Matinhos com chuva muda bastante. Fora de temporada, principalmente domingo à noite, muita coisa pode estar fechada. Eu procuraria jantar mais cedo pra não ficar rodando sem necessidade.
Drone perto de ponte exige calma. Eu não subiria de novo sem olhar melhor o entorno. Fio quase invisível não perdoa distração, e prejuízo com drone é um tipo de lembrança que ninguém precisa trazer pra casa.
No quarto, depois de tudo
No fim da noite, a cena era simples: roupa úmida, equipamento carregando na tomada, corpo cansado e aquela bagunça de viagem espalhada pelo quarto. Cabo num canto, bateria no outro, chinelo molhado perto da porta e a cabeça tentando organizar tudo que tinha acontecido.
Morretes entregou rio, centro histórico, almoço simples e uma água de coco que eu preferi só olhar. Matinhos entregou praia cinza, chuva forte, jantar encontrado no improviso e um susto com o Mangabinha que eu não estava precisando, mas ganhei de brinde.
Foi um dia corrido. E cansou, viu. Mas fica fácil lembrar justamente pelos detalhes pequenos: o barulho do rio, o cheiro de chuva, a conta do combustível, o vento frio na praia e aquele alívio quando o drone finalmente voltou.
E, olha, talvez eu fizesse de novo.
Só talvez. Dormindo um pouco mais antes, de preferência.
Tu encararia Morretes e Matinhos depois de uma noite de show, dormindo tarde e acordando cedo? Ou deixaria esse roteiro pra outro dia, com mais calma e menos chance de voltar parecendo que trabalhou no passeio?
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