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Morretes e Matinhos: chuva, estrada e perrengue no litoral

A música já tinha acabado, o povo já estava indo embora do Igloo Super Hall, mas Alceu Valença ainda parecia tocando dentro da cabeça da gente. Saímos do show em Curitiba com aquele cansaço bom, a perna pedindo descanso e o ouvido ainda cheio de sanfona, voz bonita e lembrança de uma noite que valeu cada quilômetro rodado.

Mas viagem desse tipo não espera o corpo se recuperar, né? Depois da meia-noite, a gente ainda chegou na Pousada Betânia com cartão de memória cheio, equipamento espalhado, bateria pra carregar e um roteiro inteiro esperando no dia seguinte. Tinha Morretes, Matinhos, chuva, almoço na beira do rio e um susto com o Mangabinha que quase me fez perder uns cinco anos de vida.

Resumo da viagem

Data: 26 de abril de 2026, continuação da viagem depois do show do Alceu Valença em Curitiba.

Roteiro do dia: Pousada Betânia, BR-277, Morretes, rio Nhundiaquara, Matinhos, Praia Brava e vista da nova Ponte de Guaratuba.

Gastos principais: lembrancinha de R$ 10,00, almoço de R$ 31,00 pra duas pessoas, R$ 100,00 de etanol, pousada em Matinhos por R$ 230,40 e jantar por R$ 82,50.

Perrengues: cartão de memória cheio, água de coco de R$ 20,00, bicicleta de R$ 30,00 por 30 minutos, chuva forte e susto com o drone perto da ponte.

Resumo sincero: foi um dia nublado, econômico, corrido e cheio de história boa pra contar.

A madrugada depois do show

Chegamos na pousada já depois da meia-noite. O plano bonito era descarregar os arquivos da câmera, salvar tudo direitinho, organizar os vídeos e dormir com a consciência tranquila. Só que o corpo tinha outro plano: deitar e apagar.

Depois de um dia inteiro rodando, passando por Lapa, Estrada da Graciosa, trânsito de Curitiba e show à noite, ninguém ali estava com energia sobrando. A câmera estava cheia, o sono estava pesado e a solução foi no improviso mesmo: pegamos o cartão do Mangabinha, que quase não tinha sido usado, e colocamos na DJI Osmo Pocket 3.

Viajar gravando conteúdo parece top depois que o vídeo está publicado. Na hora mesmo é cabo, carregador, cartão de memória, bateria, celular, tomada disputada e aquela dúvida da mulesta dos cachorro: será que salvei tudo? Pense numa ansiedade que cresce igual conta de pedágio no Paraná.

O friozinho de Curitiba também apareceu sem pedir licença. Abril no Paraná é assim: de dia você acha que dá conta, de noite o vento chega conversando diferente. E apesar de uma década e meia no Paraná, pra dormir nesse frio, tem que ter muito pano. 

Saindo de Curitiba rumo a Morretes

No outro dia, a ideia era aproveitar a manhã antes da chuva chegar. A previsão não estava muito animadora, então resolvemos sair cedo rumo a Morretes pela BR-277. No dia anterior a gente já tinha feito a Estrada da Graciosa, então dessa vez fomos pelo caminho mais direto.

A BR-277 é uma das rodovias mais importantes do Paraná, ligando o oeste do estado ao litoral e ao Porto de Paranaguá. É uma estrada de turismo, mas também de carga, caminhão, produção agrícola e muita história do desenvolvimento paranaense.

Saindo de Curitiba, a estrada vai mudando de cara. A área urbana fica pra trás, a Serra do Mar começa a aparecer e o verde vai tomando conta do cenário. Com o tempo fechado, tudo parecia mais úmido, mais sério, com aquele cheiro de mata molhada querendo chegar antes mesmo da chuva.

No caminho ainda teve a praça de pedágio no km 60, com placa mostrando R$ 24,00 pra utilitário e deixando a gente meio sem saber o valor certinho pro carro pequeno. Sei não, viu… pedágio já pesa no bolso. Pelo menos a informação podia ser mais clara pro motorista.

E o etanol perto de Curitiba também não ajudou muito. Vimos litro a R$ 5,20. Quando olhei aquilo, meu bolso já tremeu na base. Quem viaja de carro precisa olhar combustível como olha previsão do tempo, porque uma diferença dessas muda bastante o custo final da viagem.

Morretes e o rio Nhundiaquara

Chegamos em Morretes por volta das 10h. A cidade tem aquele jeito antigo de caminhar sem pressa, com casarões, lojinhas, turistas circulando e o rio Nhundiaquara passando no meio da paisagem como se fosse personagem principal.

Morretes fica entre a Serra do Mar e o litoral paranaense, e isso ajuda a entender a importância da cidade. Ali tem montanhas, comércio, trem, estrada, turismo e muita gente indo e vindo. Não é só um lugar bonito pra tirar foto. É uma cidade pequena, mas cheia de movimento e história.

Mesmo com o céu nublado, o lugar rendia imagem demais. Gravamos no centro, fizemos vídeo contando um pouco da história da cidade, passamos pelas lojinhas e subimos o Mangabinha em pontos diferentes. Do alto, o rio fica ainda mais bonito, fazendo curva entre árvores, casas e pontes.

Morretes tem um clima turístico bem evidente. Você anda um pouco e percebe que a cidade vive bastante desse movimento de visitante, passeio de trem, restaurante, lembrancinha e gente querendo respirar um ar diferente. É gostoso de ver, mas precisa caminhar com o bolso acordado.

A prova veio na água de coco. Perguntamos o preço e tava de R$ 20,00. É isso mesmo: vinte conto numa água de coco. A gente olhou, agradeceu e seguiu seco mesmo, porque tem hora que até a hidratação precisa conversar com o orçamento.

No fim, compramos uma lembrancinha simples numa lojinha do centro por R$ 10,00. Aí sim, preço mais amigo. Viagem econômica é isso: escolher onde gastar, onde segurar e onde dizer “hoje não, meu patrão”.

Almoço simples na beira do rio

Ao meio-dia, bateu aquela fome sinistra. Nos restaurantes, a média estava perto de R$ 49,00 por pessoa. Fazendo conta pra duas pessoas, com bebida e qualquer detalhe a mais, a brincadeira ia fácil pra R$ 120,00 ou R$ 130,00.

Como nosso estilo é viajar com pé no chão, fomos na solução que já salvou muita estrada: marmitex. Compramos uma marmitex média por R$ 24,00, pegamos uma Coca-Cola e fechamos tudo em R$ 31,00 pra duas pessoas. No fim, deu R$ 15,50 pra cada. Melhor pingar do que secar, né não?

Sentamos na beira do rio Nhundiaquara, num espaço com mesa e banco de concreto. Tinha barulho de água correndo, gente passando, cheiro de comida no ar e aquele céu indeciso, meio querendo abrir, meio querendo desabar.

A comida estava boa, mas vou ser sincero: a marmita da Lapa, do dia anterior, ganhou na comparação. Mesmo assim, comer ali teve seu valor. Não era restaurante arrumado, não tinha mesa bonita nem atendimento cheio de cerimônia. Era só a gente, uma marmitex dividida, o rio correndo do lado e uma cena simples que ficou guardada na memória.

De Morretes pra Matinhos

Saímos de Morretes por volta das 13h14 rumo a Matinhos. No caminho, colocamos R$ 100,00 de etanol a R$ 4,79 o litro no Posto Robassa. Depois do susto de R$ 5,20 perto de Curitiba, esse valor já pareceu menos dolorido. Ainda pesa, mas pesa reclamando mais baixo.

Matinhos a gente já conhecia, mas estava ali perto e dava pra esticar até o litoral. O plano era simples: caminhar na praia, gravar umas imagens, talvez entrar um pouco no mar e sentir o clima. Quando a estrada leva a gente pra perto da água, fica difícil virar as costas sem dar pelo menos uma olhada.

Chegamos por volta das 14h. O tempo estava nublado, com cara de quem estava preparando alguma coisa. Ainda não chovia forte, só alguns respingos aqui e ali. O céu cinza deixava a praia mais quieta, mas praia é danada: mesmo sem sol, continua chamando.

Às 16h13 confirmamos a Pousada Praia Brava pelo Booking. A diária ficou em R$ 230,40, com suíte standard, café da manhã incluído e estacionamento. Fizemos o check-in e fomos tentar aproveitar o máximo antes da chuva resolver mandar no passeio.

Praia Brava, Mangabinha e quase prejuízo

Na Praia Brava ainda deu tempo de caminhar, entrar no mar, gravar vários vídeos e subir o Mangabinha. O litoral do Paraná tem um jeito diferente do litoral quente do Nordeste. Aqui o vento muda rápido, o céu pesa mais e a praia parece pedir chinelo e casaco ao mesmo tempo.

Mas, Hélio, como é que tu entra no mar com tempo nublado? A resposta é simples: quando o sujeito sai do Ceará, mora no Paraná e vê praia, ele entra nem que seja só um pouco. A coragem existe, só que minha coragem tem prazo de validade.

O susto grande veio quando subi o Mangabinha pra filmar a nova Ponte de Guaratuba, que dali de Matinhos dava pra ver. Do chão, a obra parecia meio confusa, com cara de serviço ainda acontecendo. Lá de cima dava pra perceber melhor a estrutura, já bem adiantada naquela data.

Acontece que apareceram uns fios quase invisíveis no meio do voo. O drone parou de responder ao controle por alguns segundos. Eu mexia e nada. Naquele momento, meu coração saiu, deu uma volta por Matinhos e voltou sem pedir licença.

Eu achei que tinha perdido o Mangabinha. Esperei, respirei, mexi de novo com cuidado e ele respondeu. Joguei pro lado do mar, longe dos fios, e consegui trazer o bichinho de volta. O drone voltou inteiro, mas eu voltei com o juízo meio desalinhado e o coração disparado.

Naquele dia, a Ponte de Guaratuba ainda estava prestes a ser inaugurada. A gente viu a estrutura quase pronta, mas ainda não atravessou. Poucos dias depois, em 1º de maio de 2026, veio a inauguração oficial, e no dia 3 de maio o tráfego foi liberado definitivamente. Ou seja, passamos ali bem no finalzinho da espera.

Aproveitando o assunto, deixo aqui um vídeo antigo do canal, de quando conheci o Morro do Cristo em Guaratuba. É outro ponto dessa região que rende passeio, imagem bonita e conversa boa pro blog.

A chuva chegou mandando

Por volta das 16h29, a chuva chegou de verdade. Não foi garoa educada, não. Foi chuva forte, daquelas que fazem o turista procurar abrigo e fingir que já estava mesmo planejando descansar. O bom é que antes disso deu tempo de gravar, caminhar, entrar no mar e subir o drone.

Esperamos a chuva aliviar e fomos caminhar pela avenida litorânea principal de Matinhos. A orla estava com pouco movimento, aquele clima de domingo nublado fora de temporada. Praia com sol já é outra conversa. Praia com chuva exige um pouco mais de criatividade e paciência.

Às 17h45 pensamos em alugar bicicleta. Só que o valor era R$ 30,00 por 30 minutos. Trintão por meia hora. Eu olhei e pensei que a bicicleta podia até pedalar, mas a conta também vinha pedalando atrás da gente. Preferimos deixar quieto.

Voltamos pra pousada, tomamos banho, descansamos e colocamos tudo pra carregar: drone, câmera, celulares, baterias e a paciência. Depois de um dia inteiro gravando, tudo precisava de tomada. Inclusive eu.

A busca pelo jantar em Matinhos

Às 19h30 saímos pra procurar jantar. A ideia era encontrar algo simples, perto e barato. Só que a realidade veio diferente. Demos uma volta pela região e os restaurantes estavam levando a conta fácil pra R$ 120,00 ou R$ 130,00 pra duas pessoas.

Tentamos achar quiosque mais em conta na orla, mas estava tudo fechado. Não sei se foi por causa da chuva, do domingo à noite ou da mistura dos dois. No litoral fora de temporada, o movimento some rápido.

Entramos ainda num shopping pequeno perto da Pousada Praia Brava. O lugar era bonito, tinha praça de alimentação, lojinhas e espaço infantil. Só que, de novo, os preços não conversaram com nosso orçamento. Bonito pra passear, complicado pra quem estava contando as moedinhas.

O plano B já era abrir o iFood e pedir alguma coisa na pousada. Mas aí apareceu a Daka Petiscaria, em frente à praia. Pedimos dois lanches completos e um refrigerante de laranja. Pagamos R$ 82,50 no Pix. Não foi tão barato quanto a gente esperava, mas ficou bem abaixo dos R$ 120,00 ou R$ 130,00 que a gente estava vendo por ali.

A comida estava muito boa. À noite não dava pra ver o mar, porque estava tudo escuro, mas dava pra ver o calçadão e sentir a praia ali pertinho. Quando sentamos, tinha parado de chover. No meio do jantar, a chuva voltou. No fim das contas, foi a cara do dia: a gente resolvia uma coisa e o céu inventava outra.

Dicas práticas para visitar Morretes e Matinhos

Saindo de Curitiba: Morretes pode ser acessada pela BR-277 ou pela Estrada da Graciosa. Se você ainda não conhece a Graciosa, vale deixar mais tempo no roteiro, porque a estrada faz parte da experiência.

Melhor horário: tente chegar em Morretes pela manhã. A cidade é pequena, mas merece calma pra caminhar pelo centro, ver o rio Nhundiaquara, olhar as lojinhas e escolher onde comer sem pressa.

Custos: encontramos lembrancinha de R$ 10,00, água de coco por R$ 20,00 e restaurantes com média perto de R$ 49,00 por pessoa. Se a ideia for economizar, uma marmitex pode resolver bem.

Matinhos fora de temporada: domingo à noite, com chuva, muita coisa pode estar fechada. Se estiver hospedado perto da Praia Brava, procure jantar antes de ficar tarde demais.

Bicicleta na orla: no nosso dia, vimos aluguel por R$ 30,00 a cada 30 minutos. Pode valer a pena pra quem quer passear sem pressa, mas pra nós não compensou naquele momento.

Atenção com drone: perto de ponte, obra, fio e estrutura alta, redobre o cuidado. Antes de subir, observe bem o ambiente. Fio quase invisível é traiçoeiro, e prejuízo com drone é uma história que ninguém quer contar.

O que esse dia me ensinou

Esse dia me lembrou que viagem boa não é aquela em que tudo sai perfeito. Viagem boa é aquela em que, mesmo com chuva, preço alto, equipamento cheio, drone dando susto e restaurante fechado, você termina a noite com história pra contar.

Também me fez lembrar outras andanças, como quando visitei a Chapada Diamantina e quando levei a família pra ver as Cataratas do Iguaçu. As obras do Criador não precisam de sol perfeito pra impressionar. Às vezes, o céu cinza também sabe contar uma boa história.

Entre Morretes e Matinhos, o que ficou foi essa mistura de estrada, economia, susto, chuva e alegria. Não foi dia de luxo. Foi dia de vida real. E vida real, quando a gente aprende a olhar com humor, vira conteúdo melhor do que muita viagem toda arrumadinha só pra foto.

E você, encararia esse roteiro depois de uma noite de show, dormindo tarde e acordando cedo? Ou deixaria Morretes e Matinhos pra outro dia com mais calma? Comenta aí, porque eu quero saber se só eu invento essas maratonas ou se tem mais gente desse time.

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