Medianeira: cresceu 30% enquanto o Brasil avançou 6,5%

Escolher uma cidade pra começar de novo já é uma decisão e tanto. Mas e se ter dinheiro pra comprar um terreno não fosse suficiente pra ser aceito ali? Essa pergunta faz parte da história de Missal, uma das paradas do nosso dia de gravações pelo oeste do Paraná.
O que havia entre as gravações
Vou contar o percurso que fizemos e juntar a ele o que fui conferir sobre esses lugares. Tem uma ligação entre Medianeira e Missal que merece entrar na conversa quando a gente sai das imagens e começa a perguntar como essas cidades foram formadas.
Medianeira por vários ângulos
Saímos de Cascavel por volta das nove da manhã e pegamos a BR-277 em direção a Medianeira. Fomos fazer as gravações pros vídeos do TikTok e do YouTube.
Começamos as gravações em Medianeira alternando imagens aéreas, cenas feitas do carro e registros no centro. Passamos pela praça principal, pelo lago, pela prefeitura e pela rua principal. A praça dividida ao meio foi um dos pontos que entraram no material daquele dia.
Olha só uma descoberta da pesquisa: o desenho das ruas tem história. A Casa da Memória Roberto Antonio Marin apresenta um mapa baseado no memorial da colonizadora, de 1953, no qual o núcleo urbano já aparece organizado a partir de um X. As avenidas Pedro Soccol e José Callegari cortam esse desenho. Dá pra consultar essa explicação no material da exposição sobre as origens de Medianeira.
Esse documento acrescenta contexto às ruas que fomos gravar. A cidade teve um projeto de colonização organizado pela Colonizadora Industrial e Agrícola Bento Gonçalves, com planejamento iniciado no Rio Grande do Sul em 1949. Entre as famílias que chegaram depois, muitas vinham de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, com ascendência italiana e alemã.
Aqui aparecem três datas diferentes, e conferi a diferença pra não misturar os acontecimentos: a fundação é lembrada em 24 de outubro de 1951; a criação do município ocorreu em 25 de julho de 1960; e a instalação administrativa, em 28 de novembro de 1961. Medianeira se desmembrou de Foz do Iguaçu. A prefeitura explica essa sequência, inclusive a relação da fundação com o nome da Avenida 24 de Outubro.
Trinta por cento a mais
O crescimento de Medianeira também entrou nessa história. Entre os censos de 2010 e 2022, a população aumentou cerca de 30%, chegando a 54.369 habitantes, conforme os dados do IBGE apresentados ao município. No mesmo período, a população brasileira cresceu cerca de 6,5%, segundo o IBGE. É um aumento muito grande: o crescimento proporcional de Medianeira foi mais de quatro vezes o do país nesses 12 anos.
Quem trabalha por aqui
Pra completar o que filmamos no centro, fui conferir o lado econômico. A produção rural tem ligação com a indústria de alimentos, mas o trabalho das famílias também passa pelo comércio e pelos serviços. Há ocupações nas fábricas, no transporte, nos escritórios, nas lojas e nas propriedades rurais. A cidade reúne atividades que se abastecem e dependem umas das outras.
Entre os nomes presentes em Medianeira estão a Lar Cooperativa Agroindustrial, cuja administração central fica no município, e a Frimesa, que também mantém sua sede na cidade. São organizações ligadas à transformação e à comercialização da produção agropecuária.
Outro exemplo é a Ninfa. Segundo a Associação Empresarial de Medianeira, sua trajetória começou em 1970, quando os irmãos Zadinello compraram uma panificadora no centro. O negócio cresceu e se tornou uma indústria de alimentos, com destaque pra produção de biscoitos.
Essas informações sobre as empresas vêm da pesquisa que complementa o passeio. Nas gravações, fizemos os registros da cidade de dentro do carro, no centro e também com o drone.
Uma pausa pro almoço
Ao meio-dia, paramos num restaurante do centro de Medianeira. A comida estava muito saborosa. Almoçamos e depois retomamos as gravações até terminar, por volta das duas e meia da tarde. Aí seguimos pra Missal.
Missal e seus critérios
Foram cerca de 33 quilômetros no trecho que fizemos entre as duas cidades. Em Missal, gravamos sobre o município, contamos sua história e subimos o drone novamente. Correu tudo certo. O assunto da colonização, que entrou nas gravações, também pede uma explicação aqui.
A história publicada pela prefeitura registra que a colonização de 1961 e 1962 recebeu muitas famílias descendentes de alemães. A venda dos lotes foi conduzida pela Sipal Colonizadora, fundada pelo padre José Backes. Segundo esse registro, somente famílias católicas podiam se estabelecer ali naquele período.
Na colonização de Missal, pra comprar um terreno da Sipal, era preciso ser católico. A exigência religiosa fazia parte da seleção dos compradores dos lotes. Um estudo publicado na revista Onomástica Desde América Latina registra essa restrição na venda das terras.
O próprio nome Missal veio do livro usado na celebração da missa. A área também era chamada de Gleba dos Bispos. A formação do município veio depois: Missal se separou de Medianeira por uma lei de 30 de dezembro de 1981, e sua instalação aconteceu em 1º de fevereiro de 1983. As cidades que visitamos no mesmo dia já fizeram parte do mesmo município.
A Lar começou ali
A pesquisa trouxe outra ligação entre as duas paradas. A Lar nasceu em Missal, em 19 de março de 1964, da união de 55 pequenos agricultores vindos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O primeiro nome foi Comasil. A sede passou pra Medianeira em 1970; depois vieram os nomes Cotrefal e Lar. Essa trajetória está no histórico da própria cooperativa.
Acontece que falar só da sede atual deixa de fora esse começo em Missal. Os agricultores se reuniram pra organizar atividades de produção e comercialização. Com o tempo, a cooperativa ampliou a armazenagem, a assistência aos associados e a industrialização.
Hoje a Lar continua presente em Missal, onde mantém uma unidade de atendimento aos associados. No município, a renda rural vem de atividades como o cultivo de soja e milho, a produção de leite e a criação de animais. Esse trabalho se conecta ao comércio, ao transporte e aos serviços usados pelas famílias e pelos produtores.
Um dado dá dimensão a essa produção: o levantamento preliminar divulgado pela prefeitura aponta cerca de R$ 1,21 bilhão de Valor Bruto da Produção agropecuária em 2025. É o valor da produção, antes de descontar os custos, e não o dinheiro que sobra pras famílias. O balanço municipal mostra o peso do campo na economia local.
A última cena em Missal
Depois das gravações pela cidade, ainda fomos ao lago e fizemos uma cena por ali. Achei o lugar muito bonito. Essa foi a última parte da visita a Missal antes de pegar o caminho de volta.
Pra quem quer acrescentar história ao passeio, separei abaixo uma opção em Medianeira que apareceu na pesquisa.
Se você for fazer esse roteiro, olha isso aqui
- A Casa da Memória Roberto Antonio Marin fica na Rua Argentina, 1546, no centro de Medianeira, no prédio da antiga prefeitura.
- O site da Casa da Memória informa visitação de segunda a sexta, das 8h30 às 12h e das 14h às 17h30; aos sábados, das 13h às 17h. Confirme antes de sair pelo telefone (45) 3264-8602, especialmente em feriados.
O drone subiu outra vez
Já na BR-277, em Santa Tereza do Oeste, paramos pra ver o pôr do sol. Subimos o drone de novo e registramos a rodovia e as paisagens ao redor. Rapaz, o equipamento ainda teve serviço depois de duas cidades.

As últimas imagens do dia ficaram ali, no caminho pra Cascavel. Que lugar perto da sua cidade você costuma atravessar sem parar, mas gostaria de conhecer com mais tempo?
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