5h42 da tarde. O céu de outono já estava com aquele tom alaranjado escuro que avisa que o dia fechou as portas. Eu vinha tranquilo na pista da esquerda, voltando de Toledo pra Cascavel, pensando em chegar logo em casa e tomar um café quente. O asfalto tava liso, a rodovia duplicada tava limpa. Acelerei o carro pra passar o veículo lento que estava do lado direito. E sabe o que aconteceu? O barulho seco de metal rasgando contra metal cortou o silêncio da cabine. Um impacto tão forte que fez o carro inteiro dar uma balançada feia pro lado do canteiro.
- Título: Bateram no meu carro parado e na rodovia de Toledo
- O que: Fui vítima de dois acidentes de trânsito consecutivos sem ter culpa em nenhum deles
- Onde: Rua de bairro em Cascavel e rodovia BR-467 duplicada
- Quando: Final de março e Sexta-feira da Paixão, 10 de abril de 2026
- Destaque: Ninguém sofreu ferimentos graves e a moto não nos atingiu em cheio
Pelo retrovisor, eu vi a cena que gela a espinha de qualquer motorista: duas pessoas rolando no asfalto duro e uma moto grande derrapando em faíscas. Nosso Deus! Naquele exato milésimo de segundo, a tranquilidade da Sexta-feira da Paixão ganhou um peso que eu jamais vou esquecer na vida. E já vou te adiantando que esse foi o segundo acidente de trânsito em que me envolvi em menos de quinze dias. Vem comigo que eu vou te contar com detalhes como foi que o universo resolveu testar minha calma num espaço tão curto de tempo.
O primeiro aviso num simples semáforo de Cascavel
Tudo começou umas duas semanas antes dessa viagem do feriado. Era uma manhã daquelas bem típicas de semana útil. O céu tava azul, eu tinha acabado de sair da academia bem cedo e estava voltando pra casa. Parei no semáforo de uma rua de bairro aqui mesmo em Cascavel. Aí que tá… a via tava mais movimentada que terminal rodoviário em dezembro, cheia de gente apressada indo pro trabalho. Eu tava lá, quieto, aguardando a luz verde no painel. Do absoluto nada, sinto o EcoSport tremer inteiro. Uma pancada direta e abafada na lateral dianteira. Pense numa situação revoltante.
Rapaz… você está parado no vermelho, com o pé no freio, fazendo exatamente o que a lei manda, e o problema vem te procurar no meio da rua. Desci do carro já esperando encontrar um estrago feio no nosso companheiro de tantas aventuras. O motorista do outro carro, um senhorzinho de cabelos brancos, tinha saído da vaga de estacionamento de ré sem olhar no bendito retrovisor e cravou o parachoque direto na minha lataria. Ele desceu do carro com as mãos na cabeça, o rosto branco de susto, e soltou bem alto: “Bah, tchê! Não vi teu carro, guri, me desculpa!”.
Como diria minha mãe… são coisas da vida que simplesmente “acontece”. Pelo menos o homem foi muito correto e assumiu o erro na mesma hora (o que é cada vez mais raro hoje em dia). O estrago no paralama foi considerável. Trocamos telefones e ele honrou a palavra. Ainda vou fazer orçamento pra saber quanto fai ficar tudo e depois acertar com ele. Resolvido o caso, eu achei que minha cota de “surpresas” motorizadas tinha acabado ali. Mas a estrada ainda me guardava surpresas.
Feriado produtivo na beira do Lago Municipal de Toledo
Acontece que os dias passaram e chegou o nosso feriado prolongado de 10 de abril. Bora simbora mudar de ares e produzir um conteúdo diferente! Normalmente, a gente viaja de carro com a nossa sobrinha Marianny, que é uma excelente companhia no banco de trás animando a rota, mas naquele dia éramos só eu e minha digníssima. Acordamos cedinho e decidimos pegar a estrada rumo a Toledo, aqui pertinho no nosso Paranazão velho de guerra.
Toledo é uma cidade fantástica. A estrutura urbana e os parques que eles têm por lá dão gosto de ver. Fomos direto pro Parque Ecológico Diva Paim Barth, onde fica o famoso Lago Municipal. Chegando lá, a temperatura oscilava. Uma hora tava um sol que nem o ar-condicionado do shopping dava conta, e de repente batia uma brisa gelada vinda da água. Montamos nosso escritório improvisado sob a sombra de uma pequena árvore. Eita coisa boa! Respirar ar puro não tem preço no mundo que pague.
A gente abriu aquela caixinha de madeira que construímos em casa para guardar a bateria estacionária, conectamos nossa antena da Starlink e tínhamos internet rápida e estável ali no meio da grama. Minha amada preparou um chimarrão quente e amargo, e ficamos ali trabalhando na edição dos vídeos novos. É um privilégio gigante poder trabalhar observando as obras do Criador e escutando o som da água. Eu digo gigante! A paz era tanta que eu cheguei a pensar em tirar o Mangabinha do porta-malas para fazer umas imagens aéreas, mas o vento aumentou no meio da tarde e eu recuei. Melhor pingar do que secar, então fiz belas fotos com o celular e garanti o registro do passeio.
Com o estômago roncando de com força, fomos atrás de de almoçar. Nessa época não tem pinhão, o que daria um ótimo petisco, com sal. Eu gosto muito. A marmitex ficou nuns 20 pila e deu pra nós dois.. Já pensou? Se tudo tivesse terminado assim, seria show de bola. Mas o retorno reservava um roteiro muito diferente.
O acidente sinistro na rodovia e o susto da moto
No fim da tarde, a luz foi caindo e decidimos voltar pra Cascavel. Mas antes passamos num outro bosque já na saída da cidade, onde passeamos e até encontramos por acaso um casal de amigos. Fizemos outro lanche antes de vir pra casa (e parece que a gente tava “adivinhando”, pois ia precisar. Saímos de um ambiente tão pacífico, mas a nossa casa nos chamava. Entramos no EcoSport e pegamos a BR-467, que é maravilhosa, toda duplicada e bem sinalizada. Mas, Hélio, como é que acontece uma batida daquelas numa pista reta e boa? Pois é. Eu estava na faixa da esquerda, tranquilo. Na faixa da direita, um pouco mais à frente, seguia um carro comum e, colado na traseira dele, uma moto alta com um casal.
A pista na minha frente estava totalmente limpa e livre. Mantive a velocidade de cruzeiro e acelerei de leve para ultrapassar o veículo da direita. Gente do céu! No exato milésimo que a porta do meu passageiro emparelhou com a traseira do carro branco, o piloto da moto simplesmente jogou a direção pra esquerda querendo ultrapassar também. Ele não checou o retrovisor lateral e nem virou a cabeça. O guidão da moto acertou a lataria do meu carro num impacto absurdo.
A situação ali foi sinistra. A moto derrapou perigosamente no asfalto e tombou jogando o casal direto na pista. Freei bruscamente escutando o pneu cantar alto, joguei o carro pro acostamento mais a frete e liguei o pisca alerta. Saí do carro com o coração batendo no pescoço. Minha esposa foi mais ligeira que eu. Quando eu saí do carro ela já tinha atravessado a rodovida e já estava lá com o casal acidentado. O rapaz da moto já estava de pé, ralado, tentando levantar o veículo para não trancar a pista. Impressionante! A adrenalina anestesia o corpo na hora.
O socorro tenso e as lições do asfalto
A mulher que estava na garupa, no entanto, não levantou. Ela continuava caída no asfalto duro, muito desorientada e reclamando de fortes dores no corpo. Corri para pegar o triângulo de sinalização no porta-malas, posicionei bem longe na via e comecei a gesticular pedindo para o fluxo de carros diminuir. Pense num alívio quando vi que não vinha nenhum caminhão de carga pesado naquela faixa. A tragédia poderia ter proporções que eu prefiro nem imaginar e nem escrever.
Liguei imediatamente pro serviço de resgate. Aquela espera na beira da estrada dura uma eternidade. A Polícia Rodoviária Federal também compareceu depois de mais de 1 hora e meia para registrar o boletim de ocorrência e garantir a segurança do local. Lembrei na hora do meu filho Kalew, que viajou por diversos países da Europa sozinho, e a gente sempre morria de preocupação com ele em trens e ônibus por lá. E no final, o perigo enorme estava escondido aqui pertinho, numa simples tarde de sexta-feira. A ambulância imobilizou a senhora na maca e a levou ao hospital da cidade. Graças ao nosso bom Criador, soubemos que não houve nenhum ferimento grave.
O piloto admitiu o erro para os policiais. Ele estava agitado, pediu mil desculpas e passou os contatos para resolver a questão financeira dos estragos do meu carro. Ainda não sei quanto vai gastar, mas ele disse que se responsabiliza pelos custos. Pois é, duas batidas em tão pouco tempo sem eu ter feito uma única manobra errada. Ir cobrar briga no meio da estrada com gente machucada? Eu mesmo não. Tem coisas que só o seguro e uma boa conversa resolvem com o tempo.
Dicas preciosas do Hélio para rodar seguro
Deixe comigo que vou passar as instruções da sabedoria prática rodoviária pra você não passar pelo mesmo sufoco (ou pelo menos diminuir as chances). Se você for rodar pelo Paraná, especialmente nesse trecho de Cascavel, não confie cegamente na duplicação da pista. As pessoas esquecem de usar a seta e mudam de faixa com a maior naturalidade do mundo. A atenção tem que estar redobrada em cruzamentos e ultrapassagens.
E nunca, nem que a vaca tussa, faça viagens achando que a sua habilidade é suficiente. O comportamento do motorista do lado é totalmente imprevisível. Se estiver de moto, tenha o dobro de cautela nos chamados pontos cegos dos carros. E para quem trabalha remoto igual a nós: Toledo é uma cidade top de linha e muito bem cuidada. Levem seus equipamentos e passem uma tarde produtiva ali na região do parque. A cidade é acolhedora e tem ótimos lanches nos arredores, sempre recomendo a visita.
No fim das contas, a vida continua girando
Chegar na nossa garagem aquela noite, ver o EcoSport machucado nas duas laterais e trancar o portão me deu uma vontade de suspirar fundo. Eu vim ao mundo a passeio e pretendo continuar minha jornada rodando por aí com muita alegria, viu? Carro a gente arruma na oficina, paga os boletos parcelados e o metal desamassa. O que vale ouro mesmo é deitar a cabeça no travesseiro com a consciência limpa, sabendo que todas as vidas envolvidas foram preservadas e que o respeito prevaleceu num momento difícil.
Essa sequência contratempos no trânsito foi apenas mais um capítulo do livro enorme de memórias que estamos construindo. A estrada sempre foi uma professora rigorosa. E a lição dessa quinzena foi dura: a calma na adversidade é a ferramenta mais valiosa do porta-malas.
Agora é a sua vez. Já passou por um período carregado assim, onde os acidentes pareciam te perseguir mesmo dirigindo perfeitamente bem? Ou já teve uma viagem maravilhosa interrompida por um arranhão na porta? Conta pra mim ali embaixo nos comentários que é comigo mesmo! Amo ler e trocar experiências com quem entende do assunto, né não?
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