Caculé, Bahia: A Emoção de Reencontrar a Cidade da Minha Infância
Rapaz, tem viagens que a gente faz que são diferentes, né? Não é só conhecer lugar novo, é mexer lá dentro, nas gavetas da memória. E vou te contar, viu, voltar pra Caculé, na Bahia, depois de quase 40 anos, foi uma dessas viagens. Pense numa cidadezinha que ficou guardada no meu coração de menino! Eu morei lá dos 8 aos 10 anos, lá pelos idos de 1983, 1984. Foi lá que vivi um pedaço importante da minha infância, com meu pai, minha mãe, meus irmãos, naquela vida meio cigana que a gente levava por causa do trabalho do meu velho pai. Em 2023, eu peguei a estrada de novo, saindo de Cascavel, no Paraná, numa viagem longa, eu digo longa mesmo, mais de 2000 km, levando minha mãe, minha esposa e minha sobrinha, pra mostrar pra elas esse cantinho tão especial pra mim. E foi uma emoção que só! Nosso Deus!
Resumo
- Data da visita: Julho de 2023
- Clima: Típico do sertão baiano, quente e seco
- Principais atividades: Reencontro com a cidade, visita a locais da infância (escola, casa), passeios pelo centro, gravação de memórias
- Curiosidade: A sensação de que, apesar de quase 40 anos, muita coisa na cidade parecia ter parado no tempo, conservando a essência da minha infância.
A Chegada: Um Turbilhão de Emoções
Chegar em Caculé depois de tanto tempo foi um negócio esquisito e bom ao mesmo tempo. Aquela viagem de carro, cruzando estados, já ia preparando o espírito. Mas quando a gente finalmente entrou na cidade, rapaz, foi um nó na garganta. Ver aquelas ruas, a praça… era como se um filme antigo passasse na minha cabeça. A primeira impressão foi: “Gente do céu, parece que não mudou nada!”. Claro que mudou, né? Mas a essência, o cheiro de terra quente, o ritmo mais calmo, tudo aquilo me transportou direto praqueles anos 80.
Lembro do meu pai, aquele guerreiro que aprendeu a ler sozinho fuçando jornal velho, dirigindo nosso Fusca ou depois o Chevette por essas estradas. Hoje, fazer essa viagem de volta, com mais conforto, mas com a mesma família (agora aumentada), foi fechar um ciclo. Levar minha mãe de volta aos lugares onde vivemos tantas aventuras, e mostrar pra minha esposa e sobrinha onde eu aprontava minhas artes de menino… Eita coisa boa! Infelizmente não poude levar meu pai, que está na memória do Criador há mais de 2 anos.
As Ruas que Falam: Memórias em Cada Esquina
Uma das primeiras coisas que fiz foi sair andando pelo centro. A Praça J. J. Seabra, que a gente chamava só de “Jardim”, tava lá. Um pouco diferente, talvez, mas o coreto, os bancos… Pude me ver correndo ali, moleque. Reconheci a quadra que, na década de 80, era praticamente todo o comércio da cidade. Hoje tem mais lojas, tem até um shopping! Mas aquele pedacinho antigo, ele ainda conta história.
Andar por Caculé foi como folhear um álbum de fotografias antigo. Cada esquina parecia ter uma lembrança. E o mais impressionante era conversar com as pessoas mais velhas, algumas que até lembravam da minha família. Essa conexão com o passado, essa sensação de pertencimento, mesmo depois de tanto tempo longe, é algo que não tem preço.
A Escola e a Bicicleta: Lembranças Vivas
Um dos momentos mais emocionantes foi encontrar a escola onde estudei a segunda e a terceira série. O prédio tava lá, firme e forte. Olhar praquelas janelas, pro pátio… Fechei os olhos e quase ouvi a gritaria da molecada no recreio, na década de 80. Pense numa nostalgia! Tirei foto, filmei, conversei com quem tava por ali. É engraçado como um lugar físico pode guardar tanta emoção, né?
Lembrei também das minhas aventuras pra aprender a andar de bicicleta. Naquela época, em Caculé, tinha um colega meu que alugava bicicleta por hora. E eu, doido pra aprender, trocava um pirulito por umas voltas. Caí muito, me ralei todo, mas a alegria de finalmente conseguir me equilibrar na magrela… rapaz, isso não tem preço. E pensar que foi naquelas ruas de terra batida que tudo começou! Foi com ajuda do meu pai e uma bicicleta sem catraca e corrente e pneu de borracha (quase um velocípede) que tive meu primeiro “veículo” e foi muito especial!
A Casa da Infância e as Histórias de Família
Encontrar a casa onde morei foi outro baque no coração. A fachada, a rua… Claro, as coisas mudam, mas a estrutura básica tava lá. Fiquei imaginando a gente chegando, descarregando a tralha do carro, minha mãe organizando tudo. Lembrei das brincadeiras na rua, dos vizinhos.
E foi ali, em Caculé, que vivemos uma história que virou lenda na família. Meu pai tinha acabado de comprar um Chevette zero quilômetro. Pense na alegria! Na primeira volta pela cidade, o carro começou a pegar fogo! Enquanto todo mundo se desesperava, meu pai, que era muito nervoso, teve um momento de calma surpreendente: só olhou e disse: “Não adianta chorar, não vai trazer o carro de volta”. Esse era meu pai, um sujeito resiliente, que encarava os perrengues da vida com uma filosofia única. Essas histórias, essas lembranças, vieram todas à tona ali, naquelas ruas.
O Mercado (Mesmo Fechado) e a Vida Comercial
Queria muito ter revisitado o Mercado Municipal, porque esses lugares são a alma da cidade, né? Onde você sente o cheiro, ouve as conversas, vê a vida acontecendo. Infelizmente, em 2023, ele estava fechado para reforma. Uma pena, mas faz parte. Mesmo assim, deu pra passear pelas avenidas, ver o movimento, comparar com as lembranças daquela única quadra comercial dos anos 80. Foi neses mercado que meu pai trabalhou muitas e muitas vezes pra trazer o pão pra dentro de casa e graças a Deus nunca nos faltou nada. Não era fácil para um homem quase iletrado conseguir ganhar dinheiro naquela época.
É interessante ver como a cidade cresceu, ganhou um shopping, mas ainda mantém aquele ar de interior, de lugar onde todo mundo se conhece. É um equilíbrio bacana.
Caculé Hoje: Entre a Tradição e a Mudança
Apesar da minha impressão inicial de que “nada mudou”, é claro que Caculé se desenvolveu. A Lagoa Manoel Caculé, por exemplo, é um ponto de encontro, um lugar bonito que sobrevoamos com o drone “Mangabinha”. Ver a cidade do alto deu outra perspectiva. O primeiro shopping center também é um sinal dos tempos modernos chegando.
Mas, sei não, viu… o charme de Caculé pra mim tá justamente nessa mistura. Nas ruas que ainda guardam as marcas do passado, nas histórias que os mais velhos contam, na tranquilidade que resiste ao tempo. É uma cidade que parece ter encontrado um jeito próprio de evoluir sem perder a identidade. E essa autenticidade é rara hoje em dia.
A Paixão Secreta e o Temido “Coice de Mula”
Ah, Caculé… além das ruas e da escola, tinha a Marineide. Rapaz, pense numa menina bonita que fazia meu coração de menino bater mais forte! A gente fazia catecismo junto, e eu ficava só de olho, esperando a hora de ver ela passar na rua. Mas tinha um porém, e que porém! O irmão dela, apelidado na cidade inteira de “Coice de Mula”. O apelido já diz tudo, né? O sujeito era bravo, tinha fama de valente, e eu, magrelo que só, morria de medo dele. Mas fazer o quê? A paixonite era aguda! Lembro que naquela época tocava muito aquela música “Se Enamora” do Balão Mágico, e pronto, era a trilha sonora perfeita pra minha admiração platônica. Ver a Marineide passar era o ponto alto do meu dia, mesmo sabendo que o “Coice de Mula” podia estar por perto. Coisas de menino apaixonado no interior, né? Quem nunca?
Dicas para Quem Quer Conhecer Caculé
Se você ficou curioso e pensa em visitar Caculé, minhas dicas são simples:
Vá sem pressa: A cidade convida a um ritmo mais lento. Caminhe pelas ruas, sente na praça, observe.
Converse com os moradores: O povo é acolhedor e cheio de histórias. Puxe papo, pergunte sobre a cidade. Foi assim que descobri muitas coisas.
Melhor época: Como é sertão, o calor pode ser intenso. Talvez os meses mais amenos, fora do pico do verão, sejam mais confortáveis. Mas o sertanejo tá acostumado, né?
O que ver: Não deixe de ir à Praça J.J. Seabra, dar uma volta pela Lagoa Manoel Caculé e, quando reabrir, visitar o Mercado Municipal.
Prepare-se para a nostalgia: Se você, como eu, tem alguma ligação com a cidade ou com o interior da Bahia dessa época, prepare o coração!
Por Que Caculé é Tão Especial?
No fim das contas, Caculé é especial pra mim não só pelas memórias, mas pelo que ela representa. Representa a resiliência da minha família, a coragem dos meus pais, a simplicidade de uma infância vivida na estrada, com poucos recursos, mas rica em experiências. Voltar lá foi como encontrar um pedaço de mim que eu nem sabia que estava faltando. Foi entender melhor de onde eu vim e o valor de cada perrengue e cada alegria que moldaram quem eu sou.
É como dizem: a gente sai do lugar, mas o lugar nunca sai da gente. E Caculé, ah, Caculé… essa ficou marcada na alma. É triste a dor do parto, mas tive que partir de novo, deixando um pedaço do coração por lá, mas levando comigo a certeza de que essas raízes são fortes. E você, tem alguma cidade que mexe assim com suas lembranças? Me conta aí nos comentários!
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