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Não viaje pra São Luís em maio: nove dias inteiros sem ver o sol

·6 min de leitura·por Helio Pere
Não viaje pra São Luís em maio: nove dias inteiros sem ver o sol

O sol de São Luís eu vi uma vez em nove dias. Foi na manhã de 10 de maio de 2025, na hora que desci do avião. Olhei aquele céu azul, cansado de uma madrugada mal dormida em Guarulhos, e pensei: agora vai. Às 14h eu já estava almoçando na Ponta da Areia debaixo de muita chuva, e o céu não abriu mais até o dia de ir embora.

Por isso este post existe e vai direto ao ponto: se você puder escolher a data, não viaje pra São Luís em maio. Eu escolhi errado, sou cearense criado debaixo de sol de rachar e atravessei o Brasil pra passar nove dias enxergando uma cor só. Aqui embaixo eu conto como foi na prática e mostro o número que explica tudo.

Antes de você continuar

O dado que teria salvado as minhas fotos estava de graça na internet o tempo todo, e eu não procurei. Se a sua viagem pro Maranhão ainda não tem data fechada, leia isto antes de comprar a passagem.

Como foi maio na prática

Aquele primeiro almoço na Ponta da Areia saiu por R$ 58 pros dois, comida boa, água descendo forte do lado de fora. Quando a chuva deu uma trégua, corri pra filmar a orla. Ficou tudo registrado, e tudo nublado. Chuva, chuva e mais chuva, e a gente ali.

Na mesma tarde cancelei o bate-volta que eu tinha planejado pra Santo Amaro saindo da capital. Risco de chuva e orçamento apertado, os dois juntos. A cotação estava em R$ 196 por pessoa e eu achei salgado pra um passeio que podia terminar debaixo de nuvem. Dias depois, saindo de Barreirinhas, consegui fazer mais barato e deu certo. Mas o plano original morreu afogado.

📍 Praia Ponta D'areia - São Luis - Maranhão

Abrir no Google MapsComo chegar

O drone subiu várias vezes na viagem: Ponta da Areia, centro histórico, praia do Calhau. Imagem bonita saiu, céu azul não. No Calhau ainda tomei banho de mar por uma meia hora e jantamos na beira da praia por cento e dez reais, uma exceção ao nosso estilo econômico de viajar. Naquela noite escrevi no diário a frase que resume o mês: ninguém viu o sol, nenhuma vez, durante todos os dias em São Luís.

E olha que a cidade fez a parte dela. Casarão de azulejo, show de reggae de rua, o Seu Gervásio improvisando música na entrada do Mercado das Tulhas pra vender sorvete de bacuri. Minha esposa filmou tudo. Só faltou o personagem principal do Nordeste aparecer no quadro.

Os valores deste relato são de maio de 2025 e podem ter mudado.

Por que maio engana tanta gente

Aí que tá: maio parece inofensivo no calendário. Não é fevereiro, não é março, o auge da chuva já passou. Só que o clima do Maranhão tem duas estações bem marcadas, chove no primeiro semestre e o tempo só firma a partir de julho. Maio ainda está dentro da estação chuvosa, no finzinho dela, mas dentro.

As médias históricas de chuva da cidade, calculadas a partir das normais climatológicas, aquelas séries de 30 anos que o INMET mantém, mostram o tamanho do problema: fevereiro, março e abril rondam os 400 mm mensais. Maio ainda fica na casa dos 300 mm. Pra você ter uma referência, junho cai pra uns 200, julho pra uns 100, e de agosto a novembro a chuva praticamente some.

Trezentos milímetros num mês significam céu carregado por dias seguidos, pancada forte a qualquer hora e risco real de alagamento. Eu não peguei um maio azarado. Eu peguei um maio normal.

Mas e os Lençóis Maranhenses?

Essa é a pegadinha que leva muita gente pra lá em maio, inclusive eu. As lagoas dos Lençóis são formadas pela chuva do primeiro semestre, e em maio elas já estão cheias. Verdade. Meus dois dias de passeio nas dunas funcionaram, escolhidos depois de muita pesquisa de previsão, e Barreirinhas até teve manhã de sol forte enquanto a capital seguia fechada.

Rapaz, mas veja o preço que paguei pelo pacote completo: capital cinzenta do começo ao fim, passeio cancelado, e o pôr do sol nas dunas, que era um sonho meu de filmagem, não apareceu em dia nenhum. Lagoa cheia com céu fechado é meio caminho. A janela que entrega as duas coisas, lagoa cheia e tempo firmando, vai de junho a setembro. Esperar algumas semanas muda a viagem inteira.

Se não é maio, quando é?

Pra quem quer só a capital, agosto a novembro: quase nenhuma chuva, sol pra dar e vender. Pra quem vai emendar com os Lençóis, junho a setembro, lembrando que a partir de outubro a maioria das lagoas seca. E a segunda quinzena de junho tem o São João maranhense, com o bumba-meu-boi tomando os arraiais. Pense num espetáculo.

A conta do Criador é justa: a mesma chuva que me escondeu o sol é a que enche as lagoas. O erro não foi da chuva. Foi do meu calendário.

Se mesmo assim você for em maio, olha isso aqui
  • Monte o roteiro com dias de folga e feche os passeios das lagoas em cima da previsão da semana. Foi assim que salvei meus dois dias nas dunas.
  • Priorize programas que não dependem de céu azul: centro histórico, mercados, biblioteca pública, comida de rua. Chuva não fecha nada disso.
  • Negocie a van São Luís x Barreirinhas na véspera. Paguei setenta reais por pessoa quando o preço comum passava dos cem.
  • Confira se o café da manhã está incluso na reserva. Nos hotéis mais econômicos ele costuma ser cobrado à parte (uns trinta reais por pessoa em maio de 2025).
  • Guarde os comprovantes das reservas de hospedagem. Tive reserva cancelada sem aviso duas vezes na mesma viagem e precisei resolver por telefone.

Cheguei em Cascavel às 10h15 da manhã do dia 19, com os cartões de memória cheios e nenhuma imagem de céu azul feita na capital. A viagem foi boa, isso eu não nego. Mas o pôr do sol nas dunas ficou devendo, e a cobrança vai ser feita em outra época do ano.

E você, já viajou no mês errado pra algum lugar? Se já foi a São Luís, me conta em qual mês foi e como estava o céu.

Galeria - Praia do Calhau



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