Transporte por aplicativo em Belém: o pior que já testei no Brasil
Em Belém do Pará, a corrida de aplicativo virou novela: janela fechada, motorista calado e aviso de assalto antes mesmo de virar a esquina. Vou te contar por que essa foi a experiência mais complicada que já tive gravando de dentro do carro.
“Moço, prefiro deixar a janela fechada.” Foi assim que começou mais uma corrida em Belém, naquela rua que leva até o mercado Ver-o-Peso. Eu tinha acabado de pedir pra abrir o vidro porque queria gravar a rua, o movimento, as barracas aparecendo ao longe. O motorista nem virou o rosto. Seguiu em frente, vidro fechado, e eu ali com a câmera na mão filmando reflexo.
Rapaz, eu gravo vídeo dentro de carro em toda cidade que visito. Em todas. E nunca, em lugar nenhum desse país, tive tanto problema pra fazer isso quanto em Belém do Pará.
Por que eu faço questão de gravar pela janela
Quem acompanha o blog sabe: em toda viagem, eu gravo vídeos no carro. Se vou com meu carro, gravo nele. Se vou de avião, alugo um carro ou fico de aplicativo. A gente já fez vários testes, inclusive teve viagem que ficamos só de aplicativo, justamente pra descobrir o que vale mais a pena. Esse comparativo, com vantagens e desvantagens, vai virar outro post em breve.
Essas gravações pela janela são importantes porque mostram a cidade de verdade. As ruas, o comércio, as pessoas indo trabalhar, os lugares fora do circuito turístico. Poder registrar isso e mostrar pra quem ainda não conhece é um privilégio que eu levo a sério. Por isso eu não abro mão de gravar.
Belém me recebeu de vidro fechado
E não foi pouca corrida, não. Foram vários trajetos, vários motoristas, e o padrão se repetia: pouca simpatia, gente que mal te dava um bom dia. Alguns nem isso. Simpatia ali estava mais escassa que sombra em praia de meio-dia.
Aí que tá o detalhe que me deixou cismado: dias antes, em Manaus, a experiência tinha sido o oposto. Motorista conversador, gente boa, papo do aeroporto até o hotel. Aí você desce em Belém esperando o mesmo clima de norte acolhedor e encontra silêncio e vidro fechado. Pense num contraste.
O trajeto até o Ver-o-Peso foi o mais marcante. Aquela região fica mais movimentada que terminal rodoviário em dezembro, cheia de cena boa pra filmar, e eu ali dentro do carro sem poder abrir a janela. Tive que ter paciência. Muita.
E olha que eu aviso antes
Não pense que eu chego de surpresa apontando câmera pra cara de ninguém. Eu aviso pelo chat do aplicativo antes mesmo do motorista chegar: sou criador de conteúdo, faço gravações da cidade pela janela. Quem não se sentir à vontade pode cancelar sem problema nenhum. É o justo, né não?
Ah, e um detalhe que quase passou batido: mesmo avisados, nenhum motorista cancelou a corrida. Aceitavam, me buscavam, mas na hora de abrir a janela o assunto mudava de figura.
O aviso que se repetia: cuidado com assalto
A justificativa era quase sempre a mesma: risco de assalto, de roubo, de alguém levar o celular ou a câmera pela janela aberta. Muitos me alertaram sobre isso, principalmente nas regiões mais movimentadas do centro.
Numa dessas corridas, minha digníssima olhou pra mim e resumiu tudo: “Até agora, das viagens que fizemos, Belém tá sendo o lugar mais complicado nessa questão.” E ela tinha razão. Foi o lugar mais difícil que já enfrentei pra fazer algo que faço no Brasilzão inteiro sem dor de cabeça.
Mesmo assim, eu não deixei de gravar. Gravo assumindo o risco, porque tomo meus cuidados: câmera firme na mão, atenção redobrada no entorno, celular longe da borda da janela. Cada um conhece seus limites, e eu conheço os meus.
Mas fico até hoje com uma dúvida que não consegui resolver. Será que aqueles motoristas calados, de vidro fechado, não estavam, do jeito deles, cuidando da gente? Pode ser que o que eu li como antipatia fosse só cautela de quem conhece a cidade melhor do que eu. Não sei. Talvez as duas coisas ao mesmo tempo.
A exceção que virou vídeo
Nem tudo foi vidro fechado, e é justo registrar. O motorista que nos buscou na saída do primeiro hotel foi a exceção da viagem. Deixou a janela aberta sem drama, não se incomodou com a câmera e ainda puxou conversa com a gente durante o trajeto. Foi graças a essa corrida que consegui gravar as ruas de Belém do jeito que eu gosto: a cidade real, o calor, as mangueiras gigantes fazendo sombra nas avenidas.
O resultado dessa gravação está no vídeo abaixo. Dá o play e veja Belém por dentro:
Pra ser justo com Belém
Agora, uma coisa precisa ficar clara: o problema foi a experiência com o transporte por aplicativo, não a cidade. Belém me ganhou em outras frentes. O Ver-o-Peso é daqueles lugares que valem a viagem sozinhos, a comida paraense é um capítulo à parte e a cidade tem uma identidade que pouca capital brasileira tem.
Então não risque Belém do seu mapa por causa desse relato. Só vá preparado pra uma relação um pouco mais fria dentro do carro.
Se você for gravar de aplicativo por aí, olha isso aqui: avise o motorista pelo chat antes dele chegar, respeite se ele não quiser a janela aberta, mantenha o celular e a câmera longe da borda do vidro nas regiões movimentadas, prefira horários de mais movimento de pedestres e tenha paciência, porque cada cidade tem seu jeito e quem está visitando é você.
O cartão de memória não fechou a janela
No fim das contas, voltei de Belém com as gravações feitas, mesmo que algumas tenham saído pelo vidro fechado. O material está aí, a experiência virou aprendizado e a cidade continua na minha lista de lugares pra voltar. Só vou descer do avião já sabendo que a corrida até o Ver-o-Peso pode ser mais silenciosa do que eu gostaria.
E você, já passou algum perrengue parecido em corrida de aplicativo? Me conta aqui nos comentários, quero saber se Belém é exceção ou se eu dei sorte nas outras cidades.
Leia mais:
